Indícios apontam existência de outras duas najas no DF, diz Polícia Civil

Indícios apontam existência de outras duas najas no DF, diz Polícia Civil
Pedro Henrique Krambeck, de 22 anos, foi picado por uma cobra da espécie Naja, no DF — Foto: Redes sociais/Reprodução

A Policial Civil informou neste sábado (15) que indícios apontam a existência de pelo menos outras duas cobras da espécie naja no Distrito Federal. Ainda segundo investigadores, as serpentes seriam da mesma família do animal que picou Pedro Krambeck, no início de julho.

Vídeo: Polícia encontra indícios de que existem mais duas najas no DF.

Após apreensão de celulares dos envolvidos, os policiais encontraram mensagens que mostram que o estudante de veterinária pretendia reproduzir a cobra na capital. A espécie é considerada uma das mais venenosas do mundo, nativa da Ásia e África.

Na última semana, 11 pessoas foram indiciadas por crimes ambientais, todas ligadas a Pedro. O jovem, de 22 anos, vai responder por tráfico de animais, maus tratos, associação criminosa e exercício ilegal da medicina veterinária.

A mãe e o padrasto de Pedro também foram indiciados por tráfico de animais e associação criminosa, além de fraude processual – por terem atrapalhado as investigações.

Pedro e um amigo, suspeito de esconder serpentes do colega, chegaram a ficar presos temporariamente em julho mas acabaram soltos após apresentar habeas corpus. 

A investigação

Cobra Naja que picou estudante em Brasília faz ensaio fotográfico no zoológico. — Foto: Ivan Mattos/Zoológico de Brasília

As apurações foram iniciadas após o estudante de veterinária ser picado pela naja, em 7 de julho. O jovem teve que tomar soro antiofídico do Instituto Butantan, de São Paulo, único local que possuía o antídoto no país, mas para fins de pesquisa, já que a espécie não é da fauna brasileira.

De acordo com a investigação, Pedro iniciou o esquema de tráfico de animais em 2017, quando passou a reproduzir as serpentes e a vender os filhotes. Segundo a Polícia Civil, cada animal era vendido por cerca de R$ 500.

A residência da família de Pedro chegou a ter mais de 20 cobras. “Para alimentar essas cobras, são necessários ratos, que podem ser vivos ou mortos [congelados]. O apartamento do Guará começou a ficar pequeno para criação das cobras e dos camundongos”, afirma o delegado.

Estudante de veterinária Pedro Henrique Krambeck é levado à delegacia para depoimento, no DF — Foto: Afonso Ferreira/G1

De acordo com a investigação, foi a partir daí que Pedro teve que encontrar, junto com os amigos, outros locais para criar as serpentes, começando assim uma rede de tráfico de animais, na instituição onde o jovem cursava medicina veterinária. “Fico impressionado como todo mundo sabia. Colegas, professores. Era algo totalmente banal”, afirma.

Os crimes de tráfico de animais e maus-tratos de Pedro Krambeck foram multiplicados pelo número de serpentes ligadas ao estudantes. Isso significa que ele foi autuado 23 vezes por esses crimes. 

Desdobramentos
 
A investigação apurou que servidores públicos teriam facilitado os crimes ambientais. Quatro pessoas deixaram os cargos, por suspeita.

No dia 17 de julho, o Ibama informou que afastou um servidor do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas). De acordo com o instituto, foi instaurado um processo administrativo disciplinar interno para investigar a suposta participação de servidor.

Em 23 de julho, a Justiça Federal de Brasília retirou do cargo a servidora Adriana da Silva Mascarenhas, também do Ibama, por expedir licença de “coleta, captura e transporte” de serpentes que não pertencem à fauna brasileira.

Ainda segundo o delegado, a servidora do Ibama “ajudava o grupo”, fazendo uma espécie de “lavagem de animais”. “Ela liberava licenças de autorização coleta, captura e transporte dessas serpentes, com carimbo e tudo. Somente um funcionário muito experiente poderia desconfiar que a licença era falsa”, afirma.

Na última semana, em 5 de agosto, a Polícia Militar do Distrito Federal afastou o comandante do Batalhão Ambiental, Joaquim Elias Costa Paulino, e o capitão Cristiano Dosualdo Rocha, que também pertence ao batalhão. Os dois foram transferidos para a área administrativa.

De acordo com Willian Ricardo, eles atrapalharam as investigações sobre tráfico de animais. “Pessoas com serpente em casa, se apresentam e entregaram as cobras ao Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas). Gabriel Ribeiro combinou com o batalhão ambiental que entregaria o animal em troca de não ser indiciado por nada”, afirma o delegado.

Por Isabella Melo

Fonte: G1

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