Indonésia: Zoológicos mantêm elefantes imobilizados amarrando suas pernas

Indonésia: Zoológicos mantêm elefantes imobilizados amarrando suas pernas

Por Christina M. Russo / Tradução Alice Wehrle Gomide

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Elefantes cativos nos zoos Surabaya Zoo e Ragunan Zoo, na Indonésia, são mantidos em condições extremamente cruéis, de acordo com fotos recentemente obtidas pelo The Dodo.

“Eu nunca tinha visto… isto antes”, disse o membro da equipe de uma organização que luta pelos direitos dos animais. A fonte enviou as fotos ao The Dodo, mas pediu anonimato devido à natureza sensível do trabalho para o bem-estar animal na Indonésia.

As fotos dos elefantes foram tiradas em uma visita recente.

Em ambos os zoos, diz o membro da equipe, os elefantes estavam restringidos de uma maneira severa e agonizante. Os animais não são somente acorrentados às suas jaulas pelas pernas traseiras, mas também tem suas pernas dianteiras amarradas juntas. “Eu já visitei zoos ao redor do mundo, e muitos infelizmente acorrentam seus elefantes. Mas eu nunca vi elefantes com cordas nas pernas além das correntes”, o colaborador da equipe disse ao The Dodo.

Com as cordas adicionais, os elefantes são incapazes até de se moverem para frente ou para trás livremente, restringindo-os a “mancar” ou dar pequenos “saltos”.

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O elefante macho que estava amarrado desta maneira no Surabaya Zoo estava em óbvio desconforto: “Ele estava balançando para frente e para trás por algum tempo em uma exibição clássica frequentemente vista em elefantes cativos”, disse o colaborador.

“A coisa mais triste para ele foi quando ele decidiu usar a barra para se coçar, ele precisou se arrastar com as correntes, centímetro por centímetro, até chegar na posição onde ele pudesse se esfregar na barra de metal. Isto deveria ser algo livremente disponível para ele e não algo que ele é forçado a trabalhar para conseguir, tendo que ‘mancar’ dentro das pequenas áreas que suas correntes o permitam”.

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No Ragunan Zoo, ambos adultos e um elefante muito jovem foram vistos com as pernas dianteiras amarradas juntas: “O filhote ficou tentando deitar em diversas ocasiões, mas as cordas não deixaram que ele conseguisse. Ele também teve que ‘dar pulos’ com ambas as pernas dianteiras cada vez que queria se virar” (O filhote provavelmente é este jovem macho)

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A Indonésia vem sendo criticada há tempos pelos seus padrões de bem-estar animal, especialmente o Surabaya Zoo, em East Java, referido como o “Zoo da Morte” pelas condições horríveis em que os animais vivem e as fotos chocantes que alegadamente surgiram de lá, incluindo um leão que foi encontrado morto, pendurado pelo pescoço no ano passado dentro de sua jaula, e um camelo desnutrido comendo em seu cercado.

Em uma foto, uma mulher é vista jogando melancia para o único chimpanzé em um local de cimento cercado por um fosso desbotado.

Melani, a tigresa que foi o centro de uma investigação pelo ABC News da Austrália em 2013 e tópico de protestos online, foi resgatada do Surabaya Zoo e levada para outro parque. Apesar de todos os esforços para salvá-la, ela morreu pouco tempo depois.

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Femke den Haas é a fundadora e coordenadora do resgate de animais selvagens do Jakarta Animal Aid Network (JAAN). Den Haas mora na Indonésia e visitou pela primeira vez o Ragunan Zoo 20 anos atrás: “Eu fiquei tão chocada de ver o sofrimento dos animais lá que decidi que queria voltar à Indonésia o mais rápido possível para ajudar a melhorar o bem-estar animal do país”.

Foram os olhos, ela diz, de um orangotango macho adulto que ela não pôde esquecer: “Seu nome era Johnny. Johnny era um orangotango adulto dentro de uma escura e minúscula jaula, sem poder escalar, e sem conseguir ao menos qualquer luz solar”.

Vinte anos depois, ela disse ao The Dodo, Johnny ainda está dentro da mesma jaula.

Desde 2002, 23 orangotangos já morreram dentro do Ragunan Zoo, den Haas diz. (O Ragunan Zoo é membro da Associação Mundial de Zoos e Aquários)

“Nós tentamos muito trabalhar com o zoo para melhorar o bem-estar dos animais”, ela diz. “Nós já tivemos discussões intermináveis sobre a necessidade de melhorar o bem-estar para os animais e eles sempre nos dizem que as coisas irão melhorar logo”.

Entretanto, desde 2013 JAAN teve seu acesso negado para ajudar a melhorar a qualidade do tratamento dos animais do zoo, den Haas diz.

Parte do problema, ela sustenta, é que não há um padrão de cuidados para o bem-estar animal em zoos na Indonésia. “A Associação de Zoos e Aquários da Indonésia (IZAA) é uma farsa. Esta associação é dirigida pelos donos dos zoos que buscam lucro e pequenas regras. As condições dos animais ao redor da Indonésia são horríveis. Eu acabei de retornar de um zoo em Banyuwangi que recebeu animais do Surabaya [Zoo], incluindo orangotangos e elefantes. Os elefantes estão acorrentados e são levados para caminhar pelos cuidadores com as infames varas com pregos para lidar com os animais e usadas para passeios nos elefantes”.

Infelizmente, diz den Haas, por pior que sejam os Ragunan e Surabaya zoos, existem outros ainda piores. Nesses zoos, diz den Haas, “animais dificilmente são vistos com água potável”.

O membro da equipe da organização ativista que forneceu as fotos ao The Dodo concorda com a declaração de den Haas: “Infelizmente, animais são mantidos em condições ainda piores em outros zoos, tanto na Indonésia como em outros países asiáticos”.

“A triste realidade”, o colaborador acrescenta, “é que a maioria dos zoos da Ásia possui o máximo de espécies e indivíduos possível, e os funcionários tem pouco ou nenhum conhecimento sobre como cuidar desses indivíduos para atender suas complexas necessidades físicas e comportamentais. Portanto os animais definham em celas de concreto e a medida do ‘bom’ ou ‘mau’ é se eles sobrevivem ou não”.

O Ragunan Zoo, o Surabaya Zoo, WAZA e a IZAA não retornaram imediatamente os pedidos de comentários do The Dodo.

Para ajudar o JAAN a melhorar o bem-estar animal em zoos, acesse http://jakartaanimalaid.com/blog/?page_id=47www.jakartaanimalaidnetwork.com%20.

Fonte: The Dodo

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