Investigação secreta revela a crueldade por trás do sórdido esporte de armadilha para animais selvagens

Investigação secreta revela a crueldade por trás do sórdido esporte de armadilha para animais selvagens

Por Adam M. Roberts / Tradução de Pâmela Miler

Que tipo de pessoa propositadamente destrói a barragem do castor e estabelece um “muro da morte” com armadilhas para urso, sabendo que os castores desavisados irão retornar para reparar sua obra – para possivelmente esmagarem seus abdomens e se afogarem?

Que tipo de pessoa assiste a um coiote amarrado e impotente se contorcendo de dor e angústia, incapaz de se mover por causa das mandíbulas de aço intensamente implacáveis fixadas à sua pata, chutam ela no lado, e então, finalmente, atiram no peito de modo que seus pulmões se encham com sangue e o animal morra uma morte miserável e sufocante?

Que tipo de pessoa sabe que estas atrocidades ocorrem regularmente em toda a América – ainda em 2016 – e não faz nada?

Colocando um fim a esta brutalidade

O Born Free EUA revelou a nossa segunda investigação secreta, a Victims of Vanity II (Vítimas da Vaidade II), que examina a indústria brutal de armadilhas e o comércio de peles, em um esforço para expor essas indústrias grotescas e indefensáveis. A armadilhagem, como a caça, é dominada por pessoas envolvidas em “esporte” e “recreação”, não por necessidade. E, mesmo se houver algum subproduto comercial – venda de peles – armadilhagem é uma matança viciosa, não um emprego remunerado.

Nosso investigador alcançou as linhas de armadilha em Nova York e Iowa, e descobriu barragens de castor destruídas; armadilhas e iscas colocadas ilegalmente; armadilhas instaladas perto de pontes públicas, estradas e trilhas; polos para afogamento horríveis instalados; armadilhas em áreas protegidas; sofrimento prolongado; e morte brutal.

Que tipo de pessoa faz isso? Um homem que procura por poder sobre os animais indefesos para se sentir mais viril? Uma pessoa mesquinha que recorre à crueldade arcaica para vender algumas peles e fazer alguns dólares? Um assassino? Um torturador?

Lembro-me de quando comecei a trabalhar no movimento de proteção animal em Washington, D.C., em 1991. Pela primeira vez, eu fui exposta aos horrores da caça com armadilhas. “Que tipo de pessoa faz isso?”, Pensei. E, como pode ainda ser legal? Aqui estou eu, 25 anos depois, fazendo as mesmas perguntas.

Um futuro melhor pela frente

Felizmente, a mudança pode vir. O Congresso tem vários meios para combater a caça com armadilhas. Isso colocaria fim às armadilhas em refúgios nacionais de vida selvagem; eliminaria o comércio interestadual das armadilhas mais utilizadas; e impediria funcionários federais de usar armadilhas em terras federais.

O senador americano Cory Booker agiu de forma correta quando disse que essas “armadilhas funcionam por se fechar com uma força de esmagar ossos em qualquer animal que ative o dispositivo. Os animais aterrorizados quebram as pernas, mastigam os membros, deslocam os ombros e desgastam os músculos enquanto eles tentam se libertar dessas armadilhas”.

Precisamos de ação federal e ação do Estado (e não apenas em Nova York e Iowa). Precisamos agir como consumidor e parar de comprar peles, e de uma ação corporativa para parar de vendê-las. Precisamos abandonar o conceito de que essas armadilhas têm um lugar na sociedade moderna e que capturar os animais com um dispositivo como o de mandíbulas de aço – que se manteve relativamente inalterado por 400 anos – está certo. Temos de parar de defender o indefensável.

Estou orgulhoso de que podemos oferecer essa percepção para abrir os olhos ao que acontece na linha de armadilhas. Algumas pessoas não serão capazes de ver. Alguns na mídia vão pensar que é muito doloroso para mostrar na televisão. Entendi.

Que tipo de pessoa coloca armadilhas? Que tipo de legislador ou proprietário de loja de departamentos pode assistir a apenas 60 segundos de um coiote torturado, amarrado e morto e não fazer nada? Você é o juiz.

Não há mais desculpas. Ou você defende a tortura dos caçadores de peles de animais selvagens ou você trabalha para acabar com ela. Eu sei que lado estou. Eu sei que tipo de pessoa eu sou.

Fonte: One Green Planet


Nota do Olhar Animal: Claro que para os animais o problema da caça não são as armadilhas. Qualquer tipo de caça é problema, afinal eles são mortos. Aliás, nem para o caçador importa muito o método neste sentido. Se ele pudesse atrair os animais com um assobio, para depois matá-los, o faria. O problema é a caça em si, é alguém matar animais para obter algum tipo de vantagem. Tirar o foco disto não é bom para os animais.

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