Itália: Palio de Siena e os maus-tratos aos cavalos

Itália: Palio de Siena e os maus-tratos aos cavalos

Apesar dos crescentes protestos dos animalistas ainda não foi possível acabar com a tradicional competição que todos os anos, nos meses de julho e agosto, se realiza na cidade toscana.

Por Giulio Ragni / Tradução de Flavia Luchetti

O Palio de Siena é uma das mais antigas exibições apresentadas no território italiano, no entanto continua a suscitar polemicas e aborrecimentos a cada ano que passa, por causa dos constantes maus-tratos aos cavalos que sistematicamente aparecem na mídia, através das denuncias dos animalistas e dos vídeos postados na internet que aumentaram a sensibilidade da opinião publica sobre o tema. Apesar dos protestos, a tradicional competição na cidade toscana de Siena continua sendo disputada anualmente, ainda que os números mostrem claramente: a LAV (Liga Anti Vivissecção) fez uma declaração em 2011 que a cada ano, tanto em Siena como em outras competições semelhantes realizadas na Itália, são inúmeros os casos de cavalos feridos ou mortos nestas corridas.

De acordo com os números apresentados pela associação que luta pela tutela destes animais, até o ano de 2011, por exemplo, 49 cavalos resultaram mortos em Siena, e há de se somar também os equinos feridos, e ampliando o espectro da análise aparecem outros casos, como no palio de Ferrara ou também o de Asti, onde 11 cavalos foram mortos desde 2003. Mas o palio de Siena continua sendo o caso mais evidente, com diversas histórias de maus-tratos que foram destaque nos noticiários.

Processo de maus-tratos

Uma das etapas fundamentais para se compreender a mudança da perspectiva sobre o Palio de Siena é o processo que em 1999 levou à condenação em primeiro grau a três pessoas: um veterinário, um “capitano” (representante da equipe) e um “barbaresco” (assistente) da “contrada” (bairro) dell’Onda. Com a condenação foi decretada uma multa de 3 milhões de liras (1.549€), devido aos maus-tratos que teriam sido efetuados ao cavalo Lobis Andrea, incluindo também uma suposta administração de substâncias dopantes. No entanto, devido à insuficiência de provas, o processo terminou com a absolvição, mas a história teve então tamanha repercussão midiática, que trouxe talvez pela primeira vez as atenções sobre o que realmente ocorre na pista e nos bastidores deste tipo de evento.

Doping e manipulações

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Não bastassem as chicotadas, os gritos e o percurso inadequado para os cavalos, constantemente se volta falar em doping no Palio de Siena: em 2010 outro caso foi aberto  pelo ministério público contra 8 proprietários de cavalos pela presença de vestígios de substâncias proibidas. Mas existem outras formas de ‘fraudes’ que por lei estão dentro do maltrato animal: é o caso da história que em 2015 envolveu um proprietário e um jockey, que supostamente foi acusado de ter manipulado o microchip de três cavalos de corrida para fazê-los correr na Piazza del Campo.

A égua Periclea e outros acidentes

As corridas do Palio são muitas vezes fustigadas por acidentes que provocam ferimentos graves e em muitos casos até mesmo a morte dos cavalos envolvidos, como demonstram as inúmeras imagens da competição registradas pelas televisões que transmitem o evento. O que a opinião pública não sabe, ou não sabia até pouco tempo, é que também as provas eliminatórias podem provocar as mesmas e trágicas consequências: a história mais triste a este respeito é aquela da égua Periclea, uma fêmea de 7 anos que após sofrer um acidente e uma das provas eliminatórias na manha de 29 de junho de 2015, foi posteriormente eutanasiada pelos veterinários após terem constatado a gravidade das fraturas.

Antes da égua Periclea, o último acidente fatal havia sido o de Messi, um cavalo baio de 6 anos, morto no dia primeiro de julho de 2011 após sofrer um acidente durante a  quarta prova da corrida, enquanto que em 2 de julho de 2010 o acidentado foi Giove Deus, que saiu na pista com a parte superior da coroa do casco sangrando, e um mês depois foi abatido. E ainda um pouco mais atrás no tempo, recordamos o Palio do dia 16 de agosto de 2004 quando Amoroso, um cavalo baio de 8 anos morreu imediatamente após bater violentamente numa haste de ferro sinalizador das curvas,  e  depois Alghero, Big Big, Braccio di Ferro, uma longa lista de vitimas como em uma guerra. Dado que a morrer não são homens, mas cavalos, e ainda há muitos que consideram isto um sacrifício aceitável, em nome de um divertimento bárbaro e cruel.

Fonte: Nano Press

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