Já são 28 os países que proíbem o uso de animais em circos

Já são 28 os países que proíbem o uso de animais em circos

Tradução de Alice Wehrle Gomide

mexico circo0Em 2009 a organização internacional Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA) difundiu um vídeo com imagens fortes sobre como os domadores de animais tratavam os elefantes do circo Ringling Brothers & Baily Circus. A gravação é desoladora: funcionários golpeiam com uma vara as trombas e orelhas dos elefantes enquanto esperam para participarem de seus respectivos atos.

Tratava-se de uma investigação secreta sobre o circo internacional que recentemente anunciou que deixaria de utilizar elefantes em seus atos e que cancelaria suas apresentações no México, devido à lei que proíbe o uso de animais em espetáculos circenses, que entrará em vigor no próximo dia 8 de julho em todo o território.

A companhia anunciou que, para 2018, os atos que incluem esses animais estarão fora de sua programação devido à proibição de animais em shows de entretenimento em várias cidades e países.

“Ursos, elefantes, tigres e outros animais não realizam performances em bicicletas ou se equilibram em bolas porque querem, mas sim porque temem o que pode acontecer se não o fizerem”, explica a PETA em um comunicado.

A organização internacional com dois milhões de membros e partidários no mundo diz que os animais não são atores. Milhares são forçados a realizar truques confusos perante a ameaça de castigo físico, são transportados em jaulas ou trailers por todo o país, são acorrentados e separados de suas famílias e amigos: tudo pelo entretenimento humano. E muitos deles acabam pagando com suas vidas.

A PETA também anunciou que para os animais de circos não existe “reforço positivo”, somente graus variados de castigo e privação.

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Uma imagem fala mais que palavras. A fotografia de um macaco aterrorizado, acorrentado a uma bicicleta pequena, olhando seu tutor, Qi Defang, que segura um pau com uma corda, na China, obteve primeiro lugar na categoria Fotografia Simples da Natureza, do prestigiado concurso de fotojornalismo internacional World Press Photo.

Yongzhi Chu faz parte do espetáculo de um circo em Suzhou, na província de Anhui na China, e denuncia que enquanto pelo menos 28 países, incluindo o México, votaram a favor da proibição de animais em circos, na China existem mais de 300 tropas circenses.

Áustria, Holanda, Suécia, Índia, Finlândia, Suíça, Dinamarca, Argentina e vários outros países da Europa e alguns estados dos Estados Unidos proíbem shows com animais. “Lamentavelmente, quando o espetáculo termina, nem todos voltam pra casa. Alguns estão obrigados a voltar para trás das grades. Qual o motivo de sua condenação?”, questiona a organização defensora dos direitos dos animais AnimaNaturalis.

Como o exemplo da companhia Ringling Brothers, eles viajam ao redor do país durante onze meses por ano, e os elefantes estão enjaulados durante uma média de 26 horas seguidas. Os tigres e leões normalmente vivem e viajam em jaulas que oferecem um espaço relativamente maior, de acordo com os documentos que a PETA revisou.

No dia 9 de janeiro de 2015 foi publicada no Diário Oficial do México a reforma da Lei Geral do Equilíbrio Ecológico e da Proteção Animal e da Lei Geral de Vida Silvestre que, entre outras coisas, proíbe o uso de animais nos circos em todo território nacional.

A Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Naturais (SEMARNAT) será a única dependência que poderá outorgar planos de gestão de exemplares da vida silvestre, mas estabelece que zoológicos, espetáculos públicos e coleções particulares deverão se registrar e atualizar seus dados anualmente.

A legislação gerou polêmica entre a União Nacional de Empresários de Artistas de Circos Mexicanos. Eles argumentaram que muitas pessoas poderiam perder seus empregos diante dessa nova norma e inclusive ameaçaram mandar sacrificar os animais que não poderão mais usar em seus espetáculos.

Diante do prazo de seis meses, os circos se deparam com a questão de qual será o destino dos mais de quatro mil animais que se encontram sob custódia dos empresários circenses no país.

Isso significa que eles têm somente esse período para adaptar seu espetáculo em um que não inclua animais, já que as multas para o não cumprimento dessa norma serão entre 50 a 50 mil vezes um salário mínimo.

Para a aprovação dessa lei no dia 11 de dezembro, um acordo foi feito para disponibilizar a todos os zoológicos no país a possibilidade de selecionar os animais que poderiam ser integrados a suas coleções.

Fonte: La Crónica 

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