João e Ana são dois porcos. E apaixonaram-se perdidamente num santuário

João e Ana são dois porcos. E apaixonaram-se perdidamente num santuário
Ana do lado esquerdo, e João no direito

É uma daquelas histórias de cinema de amores antigos que nunca morrem. João e Ana nasceram em pontas distintas do País — ele, algures no norte e ela, em Palmela — mas graças ao destino, os dois porcos tinham de se encontrar. O macho foi salvo ainda bebé, após ser encontrado na rua pelas autoridades, e a fêmea, era uma das crias de uma porca grávida acolhida pela Animal Save & Care Portugal, uma organização de bem-estar animal.

Hoje em dia, com cerca de um ano e meio, o casal que se conheceu no santuário é inseparável. “A Ana é completamente apaixonada por ele”, começa por contar à PiT Alice Basílio, presidente da associação ao lado do companheiro, Noel Santos. “Quando ela fica com o cio, é uma loucura porque o João está castrado e ela passa a vida a correr atrás dele a pedir atenção”, partilha.

O primeiro encontro da dupla foi um momento inesquecível e curioso. Embora Ana nunca tenha passado por traumas, foi com João, cujo passado é desconhecido, que aprendeu a viver. “Eles conheceram-se cá e inicialmente, é sempre uma experiência interessante com os porcos, porque eles são muito territoriais com o espaço deles e levam tempo a adaptar-se”, explica. “Mas quando são bebés, é muito mais fácil aceitarem-se uns aos outros”.

Em menos de dois dias, João e Ana já estavam a brincar. “Especialmente o João, porque ele é muito expressivo”, afirma. “Depois, com o tempo, ensinou a Ana a brincar também e a ser uma porquinha normal. Agora, são inseparáveis. Andam para todo o lado juntos, dormem juntos com os narizes a tocarem um no outro”.

Dois passados, um futuro

João chegou ainda bebé ao santuário e apesar de Alice não conhecer o seu passado, tem uma certeza: no tempo em que lá está, foi sempre muito alegre. “É só um menino feliz o tempo todo. É brincalhão e está sempre a fazer asneiras, é muito divertido”, conta à PiT. Já Ana, é mais madura e embora nunca tenha sofrido maus tratos, teve alguns momentos difíceis quando filhote.

“As ninhadas de porquinhos que nascem aqui que já vêm nas barrigas das mães que resgatamos acabam por ser muito livres, vão para todo o lado, andam pelo terreno todo, passam por debaixo das vedações e são completamente livres”, diz. “Mas com a Ana, com dois ou três meses, reparámos que ela continuava pequenina e não estava a desenvolver-se como os outros e trouxemo-la para próxima de nós”.

Por vários meses, Alice e Noel tentaram descobrir qual era o problema da suína. E foi tudo menos fácil. “Tentámos vários veterinários e nenhum deles nos ofereceu uma ajuda real para o problema”, recorda. “Todos eles só diziam-nos que ela iria morrer depois de fazer o raio-x ou tentavam fazer procedimentos sem anestesia que não faziam sentido nenhum e que punham em risco a vida dela”.

Quando a levaram até a clínica de Nuno Paixão, um veterinário na Caparica, conseguiram chegar a um diagnóstico: Ana tinha um problema congénito no coração que fazia com que o sangue não fosse bombeado corretamente. “Por causa disso, o corpo dela retém líquido e faz pressão sobre os pulmões e outros órgãos, o que podia causar um eventual asfixiamento”, sublinha.

Na altura, foi retirado “quase um litro” de água do pequeno corpo da porca. “Ela foi envelhecendo mas o seu corpo não se desenvolveu”, refere. “Depois de retirar o líquido, continuou a tomar a medicação e há de tomar até o corpinho deixar de funcionar”. Em maio deste ano, chegaram as boas notícias: pela primeira vez, não foi detetado líquido nos seus pulmões.

Hoje, as únicas preocupações de João e Ana é escolher em que cama é que querem dormir ou qual o caminho que querem fazer no terreno onde vivem. “São os dois um amor juntos. Eles gostam muito de brincar, dormir, andar à procura de comida em todo o lado e o tempo todo porque os porquinhos estão sempre com fome. Tem um apetite insaciável”, brinca. “Dão-se muito bem com os humanos, adoram-os. Felizmente, não tiverem muitos traumas”, aponta.

De seguida, carregue na galeria para conhecer o casal de porquinhos apaixonados. Leia também as histórias de Alma e Valente, ambos salvos pela organização.

Por Izabelli Pincelli

Fonte: Pit / mantida a grafia lusitana original

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