Jubarte é encontrada morta no litoral do Espírito Santo — Foto: Sandro Luppi

Jubarte é encontrada morta no litoral do ES com corda em volta da carcaça

Uma jubarte foi encontrada morta na tarde desta quinta-feira (20) a uma distância de aproximadamente dez milhas da costa capixaba, entre as regiões de Manguinhos e Carapebus, na Serra, no Espírito Santo. Havia uma corda em volta do animal e, de acordo com especialistas, ele pode ter sido vítima do chamado “emalhamento”, quando fica preso e não consegue ir à superfície para respirar.

VÍDEO: Jubarte é encontrada morta no litoral do ES com corda em volta da carcaça

O registro foi feito pelo engenheiro civil e ambiental Sandro Luppi, que praticava pesca esportiva em uma embarcação própria. “Vimos de longe que tinha algo boiando e, quando nos aproximamos, vimos que era uma baleia”, contou.

Este ano, a temporada de jubarte no Espírito Santo começou mais cedo. Elas migram em direção às águas quentes do Banco dos Abrolhos, localizado entre o Espírito Santo e a Bahia, para reprodução.

De acordo com coordenador do projeto Amigos Jubarte e jubarte.lab, Thiago Ferrari, é normal que alguns animais comecem a aparecer mortos, devido ao crescimento populacional da espécie.

“Como agora é a época delas, de migração, esse grupo que vem pra cá está estimado em 20 mil indivíduos. Dois a três mil filhotes nascem todos os anos, essa população está aumentando. O aumento da mortalidade também é natural. Cada vez mais vamos acompanhar carcaças”, disse.

No caso da Jubarte encontrada nesta quinta-feira (20), foi possível ver uma corda em volta da carcaça. Integrantes do Projeto Amigos da Jubarte analisaram as imagens e disseram que esse é um indício de que ela pode ter sido vítima da ação humana.

“Tem sim uma corda em volta dela. Dá para ver que a pele está marcada, até. Tem uma grande chance de essa corda ter contribuído com a morte dela. É cada vez mais comum cetáceos sendo mortos por aparatos de pesca. A corda pode não ter matado diretamente, mas, ao dificultar a locomoção, eventualmente acaba prejudicando muito o animal”, disse Leonardo Merçon.

De acordo com Thiago e Leonardo, o “emalhe” ou “emalhamento” é um dos entraves para a recuperação da espécie.

“A primeira entrave é a caça. Infelizmente, hoje em dia países continuam caçando baleias. E os outros dois entraves a gente vive muito aqui no litoral, que é o emalhe acidental em rede de pesca, quando a baleia passa por uma rede, fica presa e se afoga. Um terceiro problema é a navegação de pequenas embarcações e grandes navios. O Espírito santo é um dos maiores complexos portuários da América Latina, com uma quantidade enorme de tráfego de navios. Pode haver atropelamento, o barulho das hélices pode prejudicar a orientação das jubartes”, explicou Thiago.

Ainda de acordo com Thiago, quando as Jubarte aparecem no meio do oceano, normalmente são deixadas no local. Já quando as carcaças chegam ao litoral e encalham, ainda há a possibilidade de ser feita a necropsia para saber a causa da morte do animal.

Corda estava em volta da carcaça da Jubarte — Foto: Sandro Luppi
Corda estava em volta da carcaça da jubarte — Foto: Sandro Luppi

Por Naiara Arpini, G1 ES

Fonte: G1

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