Julgado por maus-tratos contra seu próprio cachorro: ‘Eu o enforquei e sepultei no jardim’

Julgado por maus-tratos contra seu próprio cachorro: ‘Eu o enforquei e sepultei no jardim’
O acusado enforcou o seu cachorro e o enterrou em seu jardim em Lamagistère / Foto Ilustração

“Havia se transformado em uma besta selvagem, não conseguia contê-lo, havia mordido meu vizinho que passava por baixo da cerca, eu o enforquei e enterrei no jardim”. As palavras proferidas sem emoção por esse comerciante de 52 anos que vive em Lamagistère desconcertaram a Presidente Vanessa Maury e o substituto Philippe Clarissou, em 16 de novembro no Tribunal Penal de Montauban, na França.

“Não tive outras soluções”.

Procurado pela grave agressão contra o animal, este tutor de um pastor alemão de nove anos realmente não entende por que justifica sua ação perante o tribunal. “Não fez com gosto, não teve outras soluções”, defende o acusado aos policiais, seu ex-companheiro, surpreendido uma noite ao ver apenas um dos cachorros do casal.

“Todavia feliz… O que nos surpreende é que o enforcou! Maury lembrou ao entrevistado que ele teve a oportunidade de se unir a outro veterinário “que havia contatado sem êxito” e também ao SPA. “Não tinha outra opção, era muito agressivo…“, repete insistentemente o réu, com as mãos na barra. E para acusar sua ex-companheira: “Minha noiva também poderia levá-lo ao SPA”. “Não te arrependes?” Insiste o juiz. “Sim, mas fiz o correto”, disse. Um “caso que me surpreende”, exclama o substituto Clarissou.

“Enforque o seu cachorro: é particularmente feio”.

E o magistrado do Ministério Público continuou: “Enforcar um animal é de uma crueldade absoluta, há muitas outras soluções… É particularmente feio”. Voltando à personalidade do animal, Philippe Clarissou implicou a seu tutor. “Os cachorros são de natureza agressiva, tornam-se agressivos quando são maltratados. Um pastor alemão que viveu a maior parte do seu tempo permanentemente preso e recebeu golpes. Havia outras soluções, não enforcá-lo em um jardim”, repetiu o substituto solicitando uma multa de 1.500 euros, a proibição de ter um animal e a confiscação do outro cachorro. Impassível, o acusado que veio sem um advogado, repete suas explicações e se torna inaudível. O Tribunal cumpre com os requisitos, com exceção da confiscação do outro cachorro, que ainda está vivo.

Por Max Lagarrigue / Tradução de Bina Foloni

Fonte: Good Animals

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