Justiça determina que Macarena, cadela supostamente usada em assaltos, volte para tutor condenado

Justiça determina que Macarena, cadela supostamente usada em assaltos, volte para tutor condenado
Passear está entre as atividades favoritas da cachorra Macarena — Foto: Reprodução/ Subsecretaria Estadual de Proteção e Bem-Estar Animal

A Justiça do Rio determinou que a cadela Macarena, que ficou famosa por ter sido supostamente usada para assaltos em 2022 e estava abrigada em Teresópolis, volte para seu antigo tutor.

VÍDEO: Justiça determina que cadela Macarena, usada para o crime, volte para o tutor acusado de furtos

A cadela, da raça pastor belga malinois, estava em um sítio na Região Serrana, após a prisão de Allan Kardec Arêas Santos.

Santos, na decisão da juíza Gisela Guida Farias, da 38ª Vara Criminal, foi condenado a um ano e dois meses de prisão por furto e lesão corporal culposa.

No entanto, ele teve a pena substituída por prestação de serviços comunitários e pagamento de um salário mínimo, e vai responder em liberdade. Na mesma decisão, ela determinou que Macarena deverá ser devolvida a Allan, que, segundo sua própria defesa, vive em situação de rua.

De acordo com a Polícia Civil, Allan Kardec Areas Santos usava uma cadela para atacar vítimas de assalto — Foto: Reprodução/ TV Globo
De acordo com a Polícia Civil, Allan Kardec Areas Santos usava uma cadela para atacar vítimas de assalto — Foto: Reprodução/ TV Globo

“Revogo a decisão que determinou o abrigamento da cadela Macarena, que deverá ser devolvida ao acusado no prazo máximo de 15 (quinze) dias, devendo o réu se apresentar munido de guia e focinheira para retirá-la, sob pena de incorrer na conduta delituosa prevista no art. 31 do DL 3688/41. Oficie-se à Autoridade Policial da 14ª DP para que seja providenciado o cumprimento da presente determinação.”

No texto, a juíza diz que o comportamento agressivo da cadela era previsível, e que o então acusado tinha um comportamento de negligência com Macarena. Segundo a magistrada, ele não se cercou das “devidas cautelas necessárias a preservar a integridade física de terceiros”.

Na época, a defesa de Allan disse que ele foi preso injustamente, “que jamais praticou qualquer crime de roubo, que, na realidade, foi vítima de agressões físicas, abuso de autoridade e exercício arbitrário das próprias razões por parte da policial civil e suposta vítima”. Ele ainda se queixou que a cadela foi colocada para adoção de forma ilegal.

Macarena foi retirada do antigo dono após a prisão dele. De acordo com as investigações, Allan Kardec Arêas Santos é sem-teto e ficava sempre pelas calçadas de vários bairros, principalmente Jardim Botânico, Ipanema e Leblon.

Segundo a polícia, ele usava a cadela para roubar e atacar pessoas. Pelo menos cinco pessoas se dizem vítimas, entre elas uma inspetora da Polícia Civil.

A polícia tinha informado que ele tinha 15 passagens pela polícia e estava foragido pelo crime de roubo.

Porém, em nota na época das investigações, a defesa de Allan afirmou que ele era “juridicamente primário e portador de bons antecedentes e assim gostaria de ser tratado, ou que cada uma das ocorrências fossem devidamente apuradas”.

A cadela Macarena era usada por homem para cometer crimes na Zona Sul do Rio de Janeiro, segundo a Polícia Civil — Foto: Reprodução/ TV Globo
A cadela Macarena era usada por homem para cometer crimes na Zona Sul do Rio de Janeiro, segundo a Polícia Civil — Foto: Reprodução/ TV Globo

‘Grande equívoco’, diz atual tutor

Macarena ganhou novo lar em Teresópolis, na Região Serrana do Rio, em julho de 2022. — Foto: Divulgação
Macarena ganhou novo lar em Teresópolis, na Região Serrana do Rio, em julho de 2022. — Foto: Divulgação

O atual tutor da cadela, Danilo Curvo, mora em um sítio em Teresópolis com outros três cães. Ele se surpreendeu com a decisão da Justiça.

“A Maca já está comigo no meu sítio e nós adoramos ela. Eu acho que alguém cometeu um grande equívoco”, comentou ele ao g1.

O deputado Marcelo Queiroz (PP – RJ), afirma que foi procurado por Danilo e que sua equipe está a disposição para atuar na esfera cível e pleitear a guarda definitiva do cãozinho. Em relação à questão penal, o parlamentar diz não concordar com a devolução da cadela para o antigo tutor que foi condenado. “Hoje, a Macarena tem um lar, muito carinho e bastante espaço”, argumenta.

A defesa de Allan Kardec diz que espera que a cadela seja devolvida o quanto antes. Afirma que a família dele tem a casa da família na Zona Oeste mas vive em situação de rua na Zona Sul.

O que dizem Polícia e o MP

A 14ª DP (Leblon), que investigou o caso, ainda não recebeu o ofício da Justiça determinando a devolução do cachorro.

Procurado, o Ministério Público disse que não foi intimado da decisão e, portanto, não há informação sobre a interposição ou não de recurso.

Por Henrique Coelho e Cristina Boeckel

Fonte: G1