Lagarto ferido com piche retorna à natureza em Catanduva, SP

Lagarto ferido com piche retorna à natureza em Catanduva, SP
Lagarto Teiú. (Foto: Mara Sousa)

Após 18 dias de internação, um lagarto que havia sido encontrado dentro de uma máquina de piche de uma usina de asfalto, em Catanduva, recebeu alta e foi solto em uma mata da região nesta segunda-feira, dia 26. Outros dois lagartos, resgatados juntos no último dia 8, morreram durante o tratamento no Hospital Veterinário da Unirp, em Rio Preto.Desde 2003, o Hospital da Unirp já atendeu 3,1 mil animais silvestres vítimas de maus tratos ou atropelamentos. A maioria dos animais feridos são aves.

O médico veterinário e diretor da instituição, Halim Atique Neto, contou que os três animais chegaram bastante debilitados, desidratados e estressados. Um deles teve uma fratura em um dígito, equivalente a um dedo humano. “Foi preciso desentupir orifícios, como boca, nariz e ouvido, além de lavagens estomacais e intestinais. Eles estavam todos cobertos pelo piche e também estavam debilitados por conta de ingestão dessa substância”, disse.

Os lagartos da espécie Teiú têm cerca de dois anos. Considerado comum no Brasil, o teiú pode medir até 1,5 metro e vive aproximadamente 15 anos. “São répteis que não vivem juntos. Eles vivem isolados. Eles estavam juntos por causa da fase reprodutiva, estavam atrás da fêmea, inclusive disputando a cópula. Ela entrou na máquina de piche e eles entraram atrás “, afirmou o médico veterinário.

Ainda de acordo com Atique acrescentando que a fêmea morreu logo nos primeiros dias de internação porque não conseguiu expelir o piche. Na necrópsia foi constatada presença de piche em todo trato gastrointestinal. “Essa substância acabou gerando uma intoxicação, ausência de trânsito e desnutrição, que não havia como tratarmos, e ela acabou vindo a óbito.”

Já o segundo animal, um macho, morreu no último sábado, dia 24. A suspeita é de que a causa da morte tenha sido intoxicação, embora, segundo Atique, não havia mais piche no trato gastrointestinal. “Como o metabolismo desses animais é extremamente lento, basal, eles demoram, então a ter reação, demoram para ter suas atividades metabólicas e essas substâncias vão se acumulando no organismo e num período prolongado provocando uma falência múltipla dos órgãos. No caso deles, provavelmente, um problema associado hepatorrenal”.

A equipe de veterinária demorou seis horas para remover todo o piche do corpo dos lagartos, utilizando-se diluentes e óleo mineral. Durante o tratamento, os animais receberam analgésicos e antibióticos, além de líquidos e soro, para hidratação.

Antes de ser solto, o lagarto passou por uma bateria de exames de raio X, ultrassom, que atestaram a boa saúde dele e condições de sobrevivência na natureza.

Animais Resgatados

Animais feridos em atropelamentos, queimadas ou maus tratos são resgatados pela Polícia Ambiental, Ibama e Corpo de Bombeiros, e levados para o hospital veterinário da Unirp. O trabalho realizado pela faculdade já atendeu 3,1 mil animais silvestres desde 2003, quando foi firmada a parceria. Atualmente, o hospital trata dois animais: um macaco sagui e um cachorro do mato.

O sagui está cego e passando por tratamento com acupuntura. Ele foi resgatado pela Polícia Ambiental, na Estância Cavalari, em Rio Preto, e encaminhado para o hospital veterinário em janeiro. Ele sofreu um trauma no sistema nervoso central. Não se sabe se foi vítima de maus tratos ou atropelamento. Já o cachorro do mato está internado desde setembro do ano passado quando foi resgatado na região de José Bonifácio ao ser atropelado por uma colheitadeira de cana-de-açúcar. Os dois animais estão estáveis, mas não há previsão de alta médica.

Do total de animais silvestres atendidos no local, cerca de 80% sofreram traumas e são vítimas de maus-tratos. “A maior frequência são os atropelamentos e filhotes de aves que enroscam os pezinhos em fios, eles crescem e acabam, muitas vezes, até tendo que amputar”, disse Tatiana Cruvinel, médica veterinária do setor de atendimento de animais silvestres.

Por Tatiana Pires 

Fonte: Diário da Região 

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.