Lagoa do Taquaral tem novas mortes de gatos em Campinas, SP

Lagoa do Taquaral tem novas mortes de gatos em Campinas, SP

Por Raquel Valli

Ao menos 12 gatos foram encontrados mortos na última semana na Lagoa do Taquaral, em Campinas, próximo à Concha Acústica, no Portão 2. Há suspeita de envenenamento. Moradores que localizaram os animais denunciaram o caso e arrecadam recursos para exames toxicológicos. Não é a primeira vez que casos como esse ocorrem no parque. Para ambientalistas, o motivo é a falta de segurança, o que resulta em abandono dos bichos na área. A responsabilidade pelo patrulhamento dentro da Lagoa é da Guarda Municipal (GM).

“A segurança não existe. Os portões ficam escancarados. Pedimos a instalação de câmeras no Portão 2, de reforço no patrulhamento, mas nunca somos atendidos”, afirmou o protetor Fábio Aparecido Morandi, membro da ONG Gatos da Lagoa, que cuida dos felinos no local há mais de 10 anos.

De mesma opinião é o presidente do Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais (CMPDA), Flávio Lamas. “A morte dos gatos reflete o desleixo da Guarda em relação à segurança. E isso não é problema só para os animais; é sobretudo para a população”.

O morador Armando Madeira, que vive há 30 anos em uma casa em frente à Lagoa, afirma que já cansou de reclamar para a GM. “É um absurdo. É inadmissível a morte desses gatos, mas isso faz parte da má segurança da Lagoa, que virou prostíbulo, ponto de uso de drogas e até motel. Frequento o parque todos os dias, e sei o que estou falando. Já cansei de reclamar”.

Madeira é membro do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) do bairro. “A GM tem uma base 24 horas dentro do parque, mas no último domingo, às 10h, não havia nenhum guarda lá. Se isso acontece de dia, imagina de noite”, disse o morador.

Patrulha

Em nota, a Guarda Municipal informou que a “patrulha a Lagoa com motocicletas e até mesmo viaturas, especialmente nos períodos em que há maior fluxo de pessoas”. Informa ainda que faz “patrulhamentos rotineiros com bicicletas e a pé”. Em relação à base, declara que estava aberta normalmente no domingo. “A equipe, inclusive, estava empenhada nas rondas, realizando o trabalho de campo”.

Depois de encontrados, os gatos foram encaminhados ao Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal (DPBea) da Prefeitura para necrópsia. “O laudo é inconclusivo. Em casos como esse, não há como afirmar (na necrópsia) se foi encontrado o veneno no estômago do bicho”, disse o médico-veterinário Paulo Anselmo Nunes Felippe, diretor do DPBea. “Por essa razão, há a necessidade de exames toxicológicos específicos, que detectam a substância já diluída no corpo do animal”.

Na região, a unidade que faz esse tipo de exame é o Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox) do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu. Mas para que o DPBea possa enviar o material é preciso enfrentar a burocracia, o que faria o processo se alongar. “Atualmente não há verba específica para esse tipo de demanda”, disse Nunes que, entretanto, está tentando o recurso.

Os ambientalistas estão se mobilizando, e fazendo uma “vaquinha”. Eles pretendem submeter os gatos a três exames que detectam os venenos mais comuns encontrados à venda em casas agropecuárias. “Só com os testes vamos gastar cerca de R$ 700,00. Isso, tirando o transporte”, disse Morandi, membro da ONG Gatos da Lagoa, que está encabeçando o processo. O contato do ambientalista é o (19) 98143-1428. Quem tiver interesse em ajudar pode entrar em contato com o ambientalista.

Protestos

Em outubro do ano passado, membros da ONG Gatos da Lagoa e 269 Life realizaram um dos tantos protestos na Lagoa. Os grupos reivindicaram mais segurança do parque, com rondas da Guarda Municipal e conserto dos alambrados. A manifestação contou com a carcaça de um felino morto na época. Foram usados ainda cartazes e megafones.

Área de lazer é ponto de abandono

Os felinos do parque são abandonados pela população. Muitos são castrados pelas ONGs com recursos próprios, além da ajuda do Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal (DpBea). O objetivo das entidades é tratar os animais, alimentando-os, mas sem proliferá-los. Atualmente, a Lagoa conta com cerca de 200 felinos, frequentemente encontrados envenenados ou destroçados por chutes, pauladas ou tijoladas.

Em janeiro, o Conselho Municipal de Proteção e Defesa Animal entregou um ofício à Prefeitura solicitando câmeras no parque. Houve a instalação, mas apenas no portão principal.

Fonte: Correio Popular

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