Lajeado (RS) quer dobrar multas por maus-tratos e abandono

Lajeado (RS) quer dobrar multas por maus-tratos e abandono
Animais recolhidos nas ruas do município são tratados no canil e ficam aptos para a adoção. - Crédito: matheus chaparini

Para combater o abandono e os maus tratos contra animais, o governo apresentou aos vereadores uma proposta para atualizar a lei que trata do Centro de Controle e Prevenção de Zoonoses e Vetores (CCZV). O texto trata também de animais de tração, mas as principais alterações são voltadas a cães e gatos.

Entre as mudanças propostas, um aumento no valor das multas para quem praticar maus tratos contra animais. Os novos valores ficariam entre R$ 880 para infrações leves até R$ 4,4 mil para faltas gravíssimas.

Quantidade de cães recolhidos é maior que número de pedidos de adoção.

O projeto prevê ainda a castração e chipagem gratuita de animais recolhidos pelo CCZV, encaminhados por entidades protetoras de animais ou de pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Estes cães e gatos serão medicados e castrados por clínicas credenciadas e o município vai arcar com os custos. O chip instalado sob a pele será cadastrado com as características do animal e informações sobre os tutores. Caso um animal seja abandonado, será possível localizar os responsáveis.

Três multas em 18 meses

O governo municipal ainda tem dificuldade em aplicar estas sanções. Em todo o ano de 2018, apenas duas multas foram emitidas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente. No primeiro semestre de 2019, mais uma multa.

Coordenador do CCZV, Juliano Pelegrini afirma que é difícil identificar os infratores. “No caso do abandono, a dificuldade é conseguir a prova. Nos casos de denúncia de maus tratos, quase na totalidade a gente consegue que a pessoa dê uma condição melhor ao animal”, afirma.

Animais para adoção no canil

Os animais que são recolhidos em Lajeado são encaminhados ao canil municipal. Lá, eles são tratados, vacinados, castrados, chipados e ficam prontos para adoção. O canil mantém uma página no Facebook, onde são divulgadas fotos e características dos animais.

Com capacidade para 99 animais, o local opera acima do limite. Hoje, 106 cães esperam adoção. E as dificuldades crescem, pois o número de animais que são recolhidos é mais que o dobro do de adoções.

“Sai uma doação por semana. É ótimo quando saem duas. Enquanto nós temos quatro solicitações de recolhimento por dia”, afirma a veterinária Juliana Zanetti, responsável técnica pelo canil.

Em 2019, 68 cachorros deram entrada, enquanto apenas 32 ganharam um novo lar. Devido à superlotação, só são aceitos animais que precisem de atendimento.

Entidade castrou 3 mil gatos

Criada em dezembro de 2015, a Sociedade de Apoio a Gatos Abandonados (SAGA) já castrou três mil gatos, por meio de um projeto de castração a baixo custo. A SAGA faz a mediação entre animais abandonados e futuros tutores. Nos três anos e meio de atuação, foram encaminhadas 1,2 mil adoções.

“As maiores dificuldades são lares temporários para atender maior número de pedidos, auxílio financeiro para atendimentos e pessoas que nos auxiliem nas demandas da página do Facebook e nas paradas solidárias”, afirma a voluntária Ana Paula Nicolay. Formado por voluntários, o grupo não conta com apoio do poder público.

Por Matheus Chaparini 

Fonte: A Hora

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