Laudo aponta que cão morreu após sofrer maus-tratos em adestramento

Laudo aponta que cão morreu após sofrer maus-tratos em adestramento

Animal foi espancado e sofreu hematomas em todo o corpo, revela exame. Polícia concluiu o inquérito e indiciou o adestrador pelo crime em Goiânia.

Por Paula Resende

GO goiania a 3O laudo do Instituto de Criminalística sobre a morte de um cachorro da raça rottweiler, após sessão de adestramento, apontou que o animal foi vítima de maus-tratos. O delegado Alexandre Otaviano Nogueira, adjunto da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema), afirmou ao G1, nesta terça-feira (16), que o documento é “conclusivo” e “não há dúvida” de que o animal foi espancado.

O adestrador, de 46 anos, negou que maltratou Thor, de 2 anos, em depoimento à polícia no último dia 8. O cachorro morreu no dia 4 de dezembro, menos de um dia depois de passar por uma sessão de treino.

Conforme o laudo, o cachorro foi submetido a golpes repetitivos. As lesões causaram hematomas extensos no focinho, na coluna, nas patas, além de hemorragia interna e insuficiência cardiorrespiratória.

“A perita informou que ele sofreu ação externa contundente, como com pedaços de madeira, ferro, qualquer objeto sólido, mais rígido, além do uso excessivo da guia”, disse Alexandre.

O delegado concluiu o inquérito policial e deve remetê-lo nesta tarde ao Judiciário. O adestrador foi indiciado por maus-tratos que resultaram na morte do cachorro. O crime prevê pena de até 1 ano e quatro meses de prisão.

Adestramento

De acordo com a polícia, a dona de Thor, uma policial militar de 43 anos, resolveu adestrá-lo recentemente porque ele era muito bravo. Ela afirmou aos policiais que contratou os serviços do adestrador após ele deixar um cartão na casa dela, sem pegar referências sobre o trabalho dele. O suspeito mora próximo à residência da mulher, é vigilante e afirma ter 15 anos de experiência com adestramento.

GO goiania a 4A coordenadora técnica do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Goiás, Raquel de Sousa, explicou que a legislação não obriga adestradores a terem algum curso específico ou registro para trabalhar.
O animal passou por duas sessões de adestramento. Segundo o delegado, na primeira sessão, a dona do cachorro notou que o bicho voltou muito cansado. No entanto, ela não proibiu que Thor passasse pelo segundo dia de treinamento.

A tutora do animal relatou em seu depoimento que o cachorro voltou do último treinamento “mole, vomitando e defecando sangue, com sangramento nos olhos, na boca e nas patas”. Ele morreu menos de 24 horas depois.

Fonte: G1

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