Leis de bem-estar não protegem os animais de fazenda da crueldade

Leis de bem-estar não protegem os animais de fazenda da crueldade

Por Elena Orde / Tradução de Alice Wehrle Gomide

Relatórios recentes divulgados revelaram um desrespeito perturbador, mas nada surpreendente, às leis de bem-estar dos animais nos matadouros do Reino Unido. Somente nos dois últimos anos, mais de 4.000 ‘grandes’ violações foram cometidas, cada uma afetando potencialmente centenas de animais. Violações comuns incluem animais não sendo atordoados corretamente ou nem sendo atordoados antes do abate, animais transportados sendo deixados por muito tempo em caminhões lotados, frequentemente em condições muito quentes ou muito geladas, e o abuso deliberado pelos funcionários dos matadouros.

Muitas pessoas pensam que essas práticas cruéis não acontecem no Reino Unido, ou que não acontecem com animais que ficam soltos ou com a carne orgânica. Essas pessoas não somente estão enganadas, mas elas também não estão vendo o ponto disto tudo. Estas leis de bem-estar dos animais têm muito pouco ou nenhum valor, já que as transgressões frequentemente resultam somente em cartas de aviso ou processos prescritos. Mas mesmo se estas fossem levadas a sério, isto não colocaria um fim na crueldade da indústria da carne.

É interessante (e aterrorizante) examinar como as leis de bem-estar dos animais do Reino Unido mudam quando aplicadas para diferentes espécies. É ilegal cortar o pescoço de um cão, ou pendurar um gato de cabeça para baixo e passá-lo por uma piscina com água eletrificada. É horrível até mesmo pensar nisso.

Mas quando se trata de porcos, vacas, galinhas e outros animais de fazenda, essas ações são rotineiras. É legal jogar pintinhos machos em um triturador, ou matá-los em uma câmera de gás. É legal atirar em animais na cabeça, cortar seus pescoços, cortar seus chifres e bicos sem anestesia. É legal empilhá-los em caixas, e transportá-los por longas distâncias sem comida nem água. O que é legal e o que é moral são coisas completamente diferentes.

A maioria das pessoas se tornaria vegana imediatamente se elas testemunhassem os sons, as visões e os odores dos matadouros antes de sentar para comer. Justamente porque a maioria das pessoas não consegue digerir a realidade, nós a escondemos e pagamos para outras pessoas lidarem com isso – frequentemente resultando em um enorme dano psicológico aos funcionários dos matadouros. A verdade dolorosa é que mesmo se uma pessoa não matar um animal, ao pagar pela carne ela está sancionando a morte desse animal e a forma pela qual ele é morto.

Nós frequentemente ouvimos que o Reino Unido possui padrões incrivelmente altos de bem-estar dos animais de fazenda – é algo que parece que quase temos orgulho; é uma declaração usada para justificar nossas escolhas alimentares. Vamos colocar de lado o fato que esses padrões são irrelevantes, já que eles não são aplicados apropriadamente. Mesmo se fossem os padrões mais altos no mundo, isto somente mostra que a indústria da comida e a sociedade precisam mudar. Bem-estar animal no momento é traduzido em cativeiro, dor e sofrimento, seguido de morte. Certamente nós podemos fazer melhor do que isso, não?

A indústria da carne é exatamente isso – uma indústria. Ela nunca terá os interesses dos animais como prioridade, já que existe para lucrar, e não para tratar bem os animais. Onde quer que os custos possam ser cortados, onde quer que os lucros possam ser aumentados, isso é exatamente o que vai ser feito. Até pararmos de olhar aos animais como mercadorias, e começarmos a vê-los como indivíduos com suas próprias necessidades e desejos, nós nunca vamos parar de ver crueldade e violência.

As leis de bem-estar animal nas indústrias que lucram com a morte dos animais sempre serão uma farsa. Isto pelo fato de que carne abatida de forma humana é um mito – não tem como matar de forma humana um animal que não quer morrer. O próximo passo lógico para alguém que realmente acredita no bem-estar animal é parar de financiar indústrias que lucram com a crueldade animal e se tornar vegano.

Fonte: The London Economic


Nota do Olhar Animal: A máscara das chamadas medidas de “bem-estar animal” vai caindo aos poucos. Seja pela constatação da ineficácia destas ações, seja pela revelação do descumprimento de normas estabelecidas. Mas, principalmente, pelo fato de que, bem tratados ou não, os animais sempre tem violado o seu direito mais básico, que é o direito à vida.

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