Leishmaniose: exame de laboratório particular contesta CCZ e salva cadela de 'sentença de morte' em Araguaína, TO

Leishmaniose: exame de laboratório particular contesta CCZ e salva cadela de ‘sentença de morte’ em Araguaína, TO

A cadela Meg, da raça labrador foi salva de uma ‘sentença de morte’ por um exame realizado em um laboratório particular de Araguaína. A situação gerou alívio e revolta ao mesmo tempo ao dono do animal, o autônomo Venício de Oliveira.

A história tem início em fevereiro deste ano, quando agentes do CCZ foram até a residência de Venício, no Conjunto Patrocínio, para fazer a coleta do sangue da cadela alegando que no bairro havia um alto índice de casos de calazar.

O resultado inesperado saiu após quatro meses e apontou que o animal estava com calazar, logo, precisaria ser sacrificado. No entanto, Venício não quis acreditar e fez um teste por conta própria numa clínica particular no dia 16 de outubro. Para surpresa, o exame deu negativo.

“Eu tinha duas opções: levar minha cadela para o CCZ para ser sacrificada ou fazer o reteste de R$ 87. Escolhi a segunda e o resultado deu negativo. Fica a pergunta: Quantos cachorros são levados para o CCZ para morrer? Quantos não fizeram o reteste? Fico revoltado e indignado com isso. Por sorte, eu tive condição de pagar por outro exame e minha cadela foi salva”, disse Venício ao AF Notícias.

Qual exame está correto?

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Araguaína, através do CCZ, informou que uma nova amostra será coletada pelo serviço público e submetido ao protocolo de contra-prova via LACEN-TO e Fundação Ezequiel Dias, em Minas Gerais, conforme estabelecido na Nota Técnica nº 01/2008/COTEC/LACEN/SESAU.

Conforme a nota, todo teste diagnóstico, seja ele humano ou animal, ofertado por rede pública ou privada, pode sofrer influências de várias naturezas. Dentre essas, a coleta, o processamento, os procedimentos e, sobretudo, de indicadores de validade do teste, como a sensibilidade e a especificidade do teste.

“No que se refere à coleta, o processamento e demais procedimentos, o laboratório do CCZ envia amostras para o Laboratório Central de Saúde Pública do Tocantins (Lacen-TO), periodicamente para o controle de qualidade, e os resultados têm sido constantemente concordantes”, afirmou.

Ainda segundo a nota, o teste utilizado como contra-prova do exame, realizado por um laboratório particular, foi efetivado pela mesma técnica do confirmatório realizado no CCZ, o Ensaio Imunoenzimático (ELISA), o que pode diferir é o fabricante, porém, a sensibilidade e a especificidade geralmente são semelhantes, ou seja, a mesma possibilidade de erro que ocorre no exame realizado pelo SUS pode ocorrer no privado.

O que é o calazar?

Calazar em cães é um sinônimo para leishmaniose visceral canina. Trata-se de uma doença parasitária, que é transmitida pela picada de um mosquito infectado. Esse mosquito é a fêmea da espécie Lutzomia longipalpis, popularmente conhecido por “mosquito-palha”.

O calazar em cães é uma doença grave, de curso lento e crônico. Normalmente cães sadios são infectados, diferentemente de quando nós, humanos, somos infectados. No caso da infecção em humanos, normalmente os mosquitos “escolhem” pessoas com a imunidade mais fraca, como crianças, pessoas idosas e pessoas doentes.

Sintomas do calazar em cães

Problemas de pele e pelo como: dermatite seborreia, feridas na ponta das orelhas e na ponta do focinho, falta de pelo ao redor dos olhos; emagrecimento; sangramento nasal ou oral; apatia; problemas nos olhos; crescimento exagerado das unhas; febre; possível crescimento do abdômen por causa do aumento de órgãos, como o baço e o fígado; problemas renais.

Exame feito pelo CCZ / Foto: Divulgação

Exame feito pela clínica particular / Foto: Divulgação

Por Márcia Costa

Fonte: AF Notícias 

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