Leishmaniose: tutores de cães recusam-se a entregar animais

Leishmaniose: tutores de cães recusam-se a entregar animais

Em Lucélia (SP), tutores de animais resistem ao diagnóstico. Último inquérito canino detectou 434 casos de leishmaniose. 

SP lucelia PB160098

O último inquérito canino realizado em Lucélia registrou 434 casos de leishmaniose. Do montante total, 12 foram parar na Justiça após os tutores recusarem entregar os animais diagnosticados com a doença e também, por não aceitarem o exame oferecido pela Prefeitura.

De acordo com a diretora da Vigilância Sanitária do Controle de Vetores e Zoonoses, Rosimar Gasparotto Lopes, a Justiça determinou que todos fizessem os testes. “ Cinco proprietários ainda não realizaram o procedimento. O morador precisa se comprometer em não deixar o mosquito nascer, a população deve ajudar porque não conseguimos evitar a transmissão de outra forma”.

O inquérito canino é feito uma vez por ano no município, por meio dos agentes do centro de zoonoses, que passam nas casas colhendo sangue dos animais para análise. Conforme o órgão, de maio de 2013 até fevereiro deste ano, mais de duas mil coletas foram realizadas. Dos 434 diagnósticos positivos da doença, 347 foram eutanasiados e 60 morreram devido à doença.

Duas pessoas foram diagnosticadas no município neste ano, todos os casos na Vila Rancharia. Conforme o centro de zoonoses, desde 2005, a cidade registrou 30 casos da doença e uma morte.

Mesmo com tantos casos registrados, a opinião dos moradores se divide ao falar sobre eutanásia (sic). Para o funcionário Rafael Fernandes, a solução é a entrega do animal. “Se fosse detectado esse tipo de doença, eu entregaria meu animal”.
O exame deixa dúvidas para o aposentado Elpídio de Latorre. “Não entregaria meu cachorro não”.

Fonte: G1

Nota do Olhar Animal: Os tutores devem procurar a Justiça para garantir o direito de não entregar os cães diagnosticados com leishmaniose. Há tratamento para a doença. Inexplicavelmente, o Poder Público tem dificultado o acesso aos medicamentos que podem salvar a vida destes animais. Veja artigo Leishmaniose tem tratamento, mas medicamento é proibido no Brasil. Lembramos que, se há tratamento, usar o termo “eutanásia” é incorreto. O que acontece é um extermínio, pois não há nada de misericordioso nesta ação. É, sim, uma crueldade. E os governos deveriam ser processados e condenados judicialmente pela matança.

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