Leite não faz bem para o corpo, diz novo estudo de massa

Leite não faz bem para o corpo, diz novo estudo de massa

Por Arjun Walia / Tradução de José Eduardo Droghetti Haddad

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O leite parece estar fazendo seu caminho através de vários estágios de conhecimento, especialmente nos últimos anos. Como vários outros exemplos, aquilo que nós pensamos ser saudável para nosso consumo está se revelando ser exatamente o contrário.

Um grande estudo de pesquisadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, descobriram que beber leite aumenta a taxa de mortalidade e na verdade deixa os ossos mais sucessíveis a fraturas, e não o contrário. (1)

O estudo foi publicado recentemente no renomado Jornal Médico Britânico, e foi conduzido especialmente para examinar se o alto consumo de leite está associado com mortalidade e fraturas tanto em homens quanto mulheres.

O estudo aconteceu em três municípios na Dinamarca, e foram usados dados de dois grandes grupos suecos, um com 61.433 mulheres entre aproximadamente 39 e 74 anos e um com 45.339 homens entre aproximadamente 45 e 79 anos. Todos eles receberam questionários de frequência alimentar. Esse estudo usou “modelos multivariáveis de sobrevivência” que foram “aplicados para determinar a associação entre consumo de leite e tempo para mortalidade e fraturas.”

Os resultados foram os seguintes:

“Durante um acompanhamento médio de 20,1 anos, 15.541 mulheres morreram e 17.252 tiveram uma fratura, das quais 4.259 tiveram uma fratura no quadril. No grupo masculino com um acompanhamento médio de 11.2 anos, 10.112 homens morreram e 5.066 tiveram uma fratura, com 1.166 casos de fratura no quadril. Nas mulheres, a taxa de risco de mortalidade ajustada para três ou mais copos de leite comparados com menos de um copo por dia foi de 1.93 (95% intervalo de confiança 1.80 para 2.06). Para cada copo de leite, a taxa de risco de mortalidade por qualquer causa foi de 1.15 (1.13 até 1.17) em mulheres e 1.03 (1.01 até 1.04) em homens. Para cada copo de leite, nas mulheres não foi observada nenhuma redução no risco de fratura com mais consumo de leite para qualquer fratura (1.02, 1.00 até 1.04) ou para fratura do quadril (1.09, 1.05 até 1.13). As taxas ajustadas de risco de mortalidade em homens foram de 1.01 (0.99 até 1.03) e 1.03 (0.99 até 1.07). Em sub-amostras de dois grupos adicionais, um em homens e outro em mulheres, uma associação positiva foi vista entre consumo de leite e tanto urina 8-isso-PGF2a (um biomarcador de estresse oxidativo) e soro interleucina 6 (um importante marcador inflamatório).” (1)

O estudo concluiu que o consumo de leite estava associado com maior mortalidade em um grupo de mulheres e em outro grupo de homens, e com maior incidência de fraturas em mulheres. Ele também concluiu que:

“Dados os desenhos de estudos observacionais com a possibilidade inerente de confusão residual e fenômeno de causação reversa, uma cautelosa interpretação dos resultados é recomendada.” (1) 

Esse não é o único estudo que sugere que leite não é bom para nosso corpo

Em um documento publicado no Jornal da Associação Americana de Pediatria, o pediatra de Harvard, David Ludwig enfatiza que a taxa de fratura de ossos tende a ser mais baixa em países que não consomem  leite. Comparado com aqueles que consomem, nota-se também que existem outras fontes de cálcio. (fonte)

Outro estudo publicado no Jornal Americano de Saúde Pública mostrou que o consumo de laticínios na verdade pode aumentar o risco de fraturas em 50%.

Estudos também mostraram que o cálcio não é tão fortalecedor para os ossos como pensávamos. Diversos estudos sobre suplementação de cálcio não demonstraram nenhum benefício em reduzir o risco de fratura de osso. Na verdade, vitamina D parece ser mais eficiente em relação à redução de risco de fratura de osso. (3)

Estudos também mostraram que laticínios podem aumentar o risco de homens desenvolverem câncer de próstata em 30-50%. (4)

A lista continua.

Também é interessante notar que aproximadamente 65 a 75% da população humana no nosso planeta tem uma habilidade reduzida para digerir lactose após a infância (5)(6) Em alguns países, mais de 90% da população adulta é intolerante à lactose, pense sobre isso um momento.

Intolerância a lactose é uma habilidade debilitada de digerir lactose, um açúcar encontrado no leite e em outros laticínios. A lactose normalmente é quebrada por uma enzima chamada lactase, que é produzida pelas células na mucosa do intestino delgado.

Mantenha em mente que o leite que temos tanto problema em digerir é leite de vaca, não de nossas mães naturais. Na verdade, somos a única espécie na Terra que consome o leite de outro animal.

Já que a única função da lactase é a digestão da lactose no leite, a maioria das espécies de mamíferos tem uma redução dramática na atividade dessa enzima após desmamar. A persistência da lactase em humanos evoluiu como uma adaptação ao consumo de leite não-humano e laticínios consumidos além da nossa infância. Nossa dieta mudou bastante, e o resultado isso é que nossos genes se adaptaram, mas não é um processo fácil. Isso é o porquê de a maioria dos humanos serem intolerantes a lactose.

Todas outras espécies desmamam e depois nunca mais bebem leite pelo resto de suas vidas, e por causa disso elas não possuem uma enzima para quebrar o açúcar no leite. Mas durante a evolução humana, alguns humanos tiveram uma mutação no gene LTC, o gene da lactose, essas mutações nos permitiram processar lactose mesmo adultos. Com aproximadamente 65-75% dos humanos no planeta incapazes de processá-la, está evidente que nós não estamos fazendo o que é natural e de acordo com nossos corpos.

Abaixo segue um vídeo de Katherine S. Pollard, uma PhD da Universidade da California, em São Francisco, detalhando mais sobre o parágrafo acima.

Leite / Laticínios não são a única fonte de cálcio

Essa lista é extremamente longa, aqui está uma pequena lista de fontes veganos e sem laticínios de cálcio, muitas das quais oferecem uma fonte mais saudável e até mais cálcio. É importante pesquisar, existem tantos alimentos por aí que contém uma fonte saudável e abundante de cálcio.

  • Couve: um copo de couve crua é carregado de cálcio, aproximadamente 90mg para ser exato. Isso significa que 3,5 copos de salada de couve oferecem mais cálcio do que um copo de leite
  • Laranjas: uma laranja naval contém aproximadamente 60mg de cálcio
  • Feijão
  • Ervilhas verdes
  • Grão de bico
  • Quinua
  • Sementes
  • Hemp

Fontes

(1) http://www.bmj.com/content/349/bmj.g6015

(2) Feskanich D, Willett WC, Stampfer MJ, Colditz GA. Milk, dietary calcium, and bone fractures in women: a 12-year prospective study. Am J Public Health. 1997 Jun;87(6):992-7.

(3) Feskanich D, Willett WC, Colditz GA. Calcium, vitamin D, milk consumption, and hip fractures: a prospective study among postmenopausal women. Am J Clin Nutr. 2003 Feb;77(2):504-11.

(4) Tseng M, Breslow RA, Graubard BI, Ziegler RG. Dairy, calcium, and vitamin D intakes and prostate cancer risk in the National Health and Nutrition Examination Epidemiologic Follow-up Study cohort. Am J Clin Nutr. 2005 May;81(5):1147-54.

(5) http://consensus.nih.gov/2010/images/lactose/lactose_finalstatement.pdf

(6) http://ghr.nlm.nih.gov/condition/lactose-intolerance 

Fonte da matéria original: Collective Evolution

Nota do Olhar Animal: A indústria de alimentos mente. Mente sobre o leite de vaca ser benéfico para a saúde humana, mente sobre os impactos ambientais de sua produção e mente sobre os danos causados aos animais. Espertamente, apela ao egoísmo entranhado nas pessoas e ao especismo decorrente, criando cenários apocalípticos para levá-las a agir de forma a preocuparem-se apenas consigo próprias e, finalmente, a consumirem, consumirem, consumirem. No caso do leite, faz isso dizendo ser ele imprescindível para a manutenção da saúde, que sua falta acarretará sérios problemas. O padrão moral dessas organizações é dos piores. Mentem com a cumplicidade de organizações e profissionais da área médica e de nutrição, que emprestam sua autoridade científica a propósitos rasos, mesquinhos. Cumplicidade, sim, não ignorância. Há suficiente informação técnica disponível sobre os males causados pelo leite. Às pessoas comuns, sim, pode se atribuir o atenuante da inocência. Mas em termos, já que a maioria espontaneamente prefere permanecer dentro de seus padrões egocêntricos, despreocupadas com os impactos de suas ações para os demais seres. Moralmente, não se deixa de escravizar, torturar e matar humanos por conta do risco destas ações causarem algum dano ao opressor, ao algoz, e sim pelos danos que certamente causam às vítimas. Assim deveria ser também em relação aos animais não humanos. O impacto para os animais deveria ser o suficiente para que as pessoas se abstivessem de consumir o leite. Mas não tem sido. Falta informação? Recomendamos fortemente a leitura da obra Galactolatria: mau deleite, uma ampla abordagem sobre as implicações da produção e consumo do leite de vacas.

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