León, na Espanha, cada vez mais longe da ‘eutanásia” zero

León, na Espanha, cada vez mais longe da ‘eutanásia” zero
A prefeitura recolheu no ano passado 161 cães abandonados na província (Foto: Ana F. Barredo)

Coincidindo com a celebração no último dia 10 do Dia Internacional dos Direitos dos Animais, a plataforma Eutanásia Zero veio mais uma vez exigir publicamente que a prefeitura de León se junte a outras como Valladolid e Zamora, e suspensa a eutanásia de cães que são abandonados e não são adotados dentro do prazo de um mês. Eutanásia Zero vem há anos lutando pelo tratamento ético dos animais, em resposta a uma sociedade que “já não tolera em pleno século XXI esse maltrato aos animais, e muito menos procedendo de uma instituição pública”, defende a plataforma em um comunicado de imprensa.

Até conseguir esse objetivo, os responsáveis desta organização ativista colocaram seu foco no serviço de recolhimento de animais abandonados na província de León, gerenciado pela Prefeitura. No último dia 10 de dezembro se encerrou o prazo de licitação para que as empresas apresentem suas ofertas para nova contratação desse serviço, que conta com um orçamento de 108.900 euros por dois anos de contrato, e que fixa em 217,80 euros o preço por animal recolhido, um valor que, de acordo com Eutanásia Zero, é na maior parte destinado à eutanásia e incineração do animal.

Esta é uma das “muitas violações” que, de acordo com a plataforma, incorre com o serviço de recolhimento em León.

Para começar, depois de várias reuniões feitas com os representantes políticos que gerenciam esse serviço, Eutanásia Zero denuncia “a total falta de transparência tanto por parte da empresa contratada como da Prefeitura de León, o que nos faz pensar que não se cumpre a Lei de Proteção Animal”. Neste sentido garantem que “se está violando um requisito básico que é a publicidade dos animais recolhidos para conseguir que sejam adotados antes dos 30 dias estipulados pela Prefeitura de León para sua eutanásia”.

Mais transparência

Além disso, afirma que na exigência das condições “não colocam como requisito a não eutanásia dos animais recolhidos, permitindo, portanto, que a empresa contratada continue sacrificando com dinheiro público animais sãos, incluindo filhotes, dentro dos 30 dias após seu recolhimento”. A plataforma garante que há casos de proprietários que não colocaram microchip em seus cães e que, quando se perdem, acabam sendo recolhidos pelo serviço da prefeitura, e, portanto, acabam na incineradora.

Eutanásia Zero garante ter solicitado diversas vezes para verificar as instalações, e inclusive se ofereceram para gerenciar e publicar todos os cães recolhidos. “A única coisa que conseguimos em cada vez que oferecemos foi um não como resposta. Não sabemos das condições de habitação dos cães recolhidos até a data de saída ou de eutanásia, se recebem tratamento veterinário enquanto estão nas instalações, não sabemos que tipo de eutanásia que utilizam para saber se os cães sofrem ou não”, dizem os responsáveis da plataforma que acreditam que “não é cumprida a Lei 5/1997 da Prefeitura de Castilla e León”. Perante essa falta de informação, Eutanásia Zero recorda que a empresa encarregada desse serviço deve dispor de uma ISSO 900-2015, com auditorias externas bianuais e internas anuais, onde são detalhados os procedimentos de trabalho, tanto desde o recolhimento, como a habitação e o destino desses animais. Esses dados devem estar disponíveis para o público, já que é uma contratação pública e, portanto, deve mostrar a máxima transparência, principalmente neste caso de gestão de seres vivos.

Dados atualizados

Também insistem na formação de uma página na internet onde estejam todos os dados de recolhimento dos animais, seu tempo de permanência, seu destino final, tanto se é para adoção ou uma eutanásia inútil, assim como expor as instalações nas quais se abrigam os animais recolhidos, para comprovar se são cumpridos todos os requisitos sobre o tamanho dos canis e o controle veterinário.

Por María Carnero / Tradução de Alice Wehrle Gomide

Fonte: Diário de León 


Nota do Olhar Animal: Mais uma vez se usa de forma hipócrita o termo “eutanásia” para designar aquilo que, na verdade, é um extermínio de animais, pretendendo-se assim conferir à imoral matança um caráter misericordioso que ela não tem.

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