Licenças para matar vida selvagem indiana geram confrontos no governo

Por Ashok Sharma / Tradução de Alice W. Gomide

Uma Ministra de Estado indiana acusou seus colegas do Ministério do Meio-Ambiente no último dia 7 de falhar na proteção da vida selvagem do país ao permitir que estados abatam as populações de macacos, elefantes, javalis selvagens e antílopes.

As permissões estão inspirando uma “sede de matança” no público, disse a ministra do Desenvolvimento de Mulheres e Crianças, Maneka Gandhi. Ela se uniu aos ativistas pelos direitos dos animais na acusação contra o Ministério do Meio-Ambiente de jogar com a política ao se unir com fazendeiros que reclamam que os animais estão danificando suas plantações, apesar do declínio geral das populações da maioria dos animais.

O criticismo agudo de um ministro indiano por outro é incomum no governo do Primeiro Ministro Narendra Modi, onde os membros de Estado geralmente se mantêm silenciosos, exceto para abraçar políticas nacionais aprovadas ou reiterar pedidos para melhorar a economia.

O Ministro do Meio-Ambiente, Prakash Javadekar, aparentemente surpreso pelo criticismo vindo de dentro de sua própria administração, se negou a responder diretamente os comentários de Gandhi, exceto para dizer que as permissões concedidas para matar animais selvagens são dirigidas, cientificamente seguras e legais se pedidas pelas autoridades locais.

“Se há uma proposta por um governo estadual, nós permitimos matar animais em certas áreas por certo período para um gerenciamento científico. Essa é a lei atual”, ele disse.

Gandhi disse, entretanto, que as aprovações estão encorajando um frenesi de matanças, incluindo em áreas onde nenhuma permissão foi concedida.

“Há uma sede de matança. É vergonhoso”, Gandhi disse. Ela disse que uma família de homens armados da cidade de Hyderabad “está matando animais ao redor do país” impunemente.

Javadekar e outros funcionários do Ministério do Meio-Ambiente não comentaram sobre essas alegações.

Proteger a visa selvagem é um ponto de orgulho para muitos indianos, que louvam seu programa pioneiro de conservação de tigres da nação lançado nos anos 70 e ressaltam a reverência religiosa dada aos macacos, elefantes e vacas, que são considerados como encarnações terrenas de deuses hindus.

Mesmo assim, os especialistas em conservação de animais selvagens já alertaram sobre as ameaças para os animais vindas do rápido desenvolvimento econômico, a poluição industrial, desmatamento e avanço humano nos habitats dos animais conforme a população humana cresce para mais de 1,25 bilhão de pessoas.

Os animais do país também são ameaçados pela caça desenfreada, o resultado da alta demanda de ossos de tigres, chifres de rinocerontes, escamas de pangolim e outras partes de animais usados na tradicional medicina chinesa. Aves que cantam e tartarugas ameaçadas de extinção são rotineiramente encontradas para venda em mercados como animais de estimação.

A Lista Vermelha da União Internacional pela Conservação da Natureza, geralmente considerada a mais extensa, lista centenas de espécies indianas de mamíferos, aves, anfíbios e répteis como vulneráveis, ameaçados ou criticamente ameaçados e correndo risco de se tornarem extintos.

Gandhi e os ativistas dos direitos dos animais disseram que as autoridades deveriam, ao invés disso, educar as pessoas sobre evitar conflitos com animais, usando ruídos altos e cercas para prevenir que os animais entrassem nas fazendas, e sobre como proteger melhor os habitats naturais da poluição e do desenvolvimento.

Ao invés disso, “Em West Begal, o ministério deu ordens para matar elefantes. Em Himachal Pradesh, ele ordenou a morte de macacos e em Goa os pavões estão sendo mortos”, Gandhi disse. “Mas, com as florestas sendo destruídas, e os humanos invadindo os lares dos animais, eles simplesmente acabam sem nenhum lugar para ir”.

Fonte: ABC News

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