Livro 50 Comidinhas Veganas tem receitas para serem servidas com praticidade

A caça de animais para fins alimentícios é uma prática comum desde os primórdios, sobretudo a partir do surgimento do Homo sapiens sapiens. É a lei da sobrevivência da espécie: o animal mais forte dominar o outro. Mas já se passou muito tempo, o ser humano se instalou em terras e criou plantações, só que consumir o animal ainda é um hábito.

Contra essa corrente está a alimentação vegana, em que não se consome carne e nem derivados dela. O respeito ao animal é a base. “Mais que uma preocupação com a alimentação, é uma filosofia de vida”, afirma a jornalista Katia Cardoso, que lança o livro 50 Comidinhas Veganas, com fotografias de Cesar Godoy.

A proposta da obra é mostrar que existem pratos simples de serem feitos. “Em geral, os ingredientes usados são de baixo custo, justamente para mostrar que é possível ser vegano e se alimentar bem”, declara.

Jornalista há 20 anos e com experiência nas revistas de culinária como Claudia Cozinha, Delícias de Calu e Máxima e Ana Maria, ela divide o livro de receitas, que não têm lactose, em capítulos com nomes como Petiscos e Pastas, Sopas e Cremes, Massas e Saladas, Ocasiões Especiais, Doces Maravilhosos e Receitas Básicas. O volume contém também outras utilidades para a cozinha, como uma tabela de conversão de medidas.

Katia, que antes dessa obra havia lançado o 50 Doces Veganos pela mesma editora, Alaúde, destaca a diferença entre os dois. “No de 50 Comidinhas a gente privilegiou os salgados e doces diferentes do primeiro livro, que tem alguns bolos, e o que eu fiz nesse foi mais para sobremesa mesmo.”

Praticidade sem pressa

Com a proposta de serem servidas em cumbucas, para tornar o processo mais prático, há receitas que utilizam também ingredientes que podem ser encontrados com facilidade. “Tem uma receita aí que é muito fácil, que eu criei, que foi a mousse de damasco, que leva só dois ingredientes: caju e damasco, não precisa nem de açúcar. A outra é a que a gente usa lentilha, ainda bem acessível ao bolso”, afirma a jornalista.

“Uma receita fácil para o Nordeste é a Curau de Abóbora com Coco, ambos são baratos aí”. Mas Katia alerta sobre a forma de preparar o alimento: “Nem com pressa, nem descuidado. Dá para você cozinhar de uma forma gostosa, com praticidade”.

Amor por todos os animais

Segundo Katia, as receitas do livro podem ser entendidas com clareza, porque ela se preocupou com essa questão, e é algo que vem da sua formação enquanto jornalista. Nele, ela reuniu duas paixões, a escrita e a comida vegana, consumida por Cardoso em torno de três anos.

“Sempre gostei dos animais, e há 10 anos eu sou vegetariana. Mas mesmo na época que eu comia carne isso me incomodava muito, tinha um questionamento lá no fundo: ‘porque você gosta de um, se come outros?’”, reflete.

“Quando eu comecei a virar vegetariana, pesquisei bastante e vi o que acontece na indústria. Aí eu pensei: ‘não quero compactuar com isso’, e virei vegana.”

Influências

O interesse pela cozinha surgiu quando Katia via sua mãe cortando os temperos para preparar o alimento. Uma das receitas que estão no livro é inspirada na sopa de feijão dela. “Muitas coisas remetem à minha infância, como o doce de coco, que era um doce que minha mãe fazia.”

Já a abolição de animais na alimentação foi reforçada pela influência da Asseama também. “A Asseama é uma associação espírita para os animais e é um trabalho que incentiva o veganismo.” Alguns pratos do livro foram criados por ela, outros são adaptações, como a Moqueca de Banana da Terra. Com a obra, Katia tenta mostrar que é possível se alimentar sentindo prazer, sem precisar sacrificar nenhum animal.

Por Aline Valadares

Os comentários abaixo não expressam a opinião do Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.