Luxemburgo: abrigo de animais de Gasperich está a abarrotar, 86 cães à espera de uma casa

Luxemburgo: abrigo de animais de Gasperich está a abarrotar, 86 cães à espera de uma casa
Titania e Ignaz já foram adotados, mas estavam no abrigo de animais há muito tempo. Foto: Anouk Antony/arquivo LW

“Só agora começamos a sentir as consequências da pandemia”, sublinha Liliane Ferron, responsável pela comunicação do abrigo de animais de Gasperich. No dia 29 de dezembro, havia 86 cães no abrigo que conta com 74 boxe e, neste momento, o abrigo tem lista de espera.

Ao longo dos últimos três anos, muitos animais tiveram a sorte dos tutores estarem em casa devido ao confinamento. Mas agora a vida voltou ao normal e as consequências para os animais de companhia estão à vista.

É verdade que na altura do Natal há mais animais a serem adotados? “Sim e não”, diz Liliane Ferron. As crianças continuam a pedir um animal de estimação e as famílias pensam em aceder ao pedido, mas nem sempre o encaram de forma séria. Ainda assim, no Luxemburgo as medidas não são tão drásticas como noutros países. Na Alemanha, por exemplo, há abrigos de animais que não permitem a adoção de animais no Natal.

Encontrar famílias “adequadas”

Se a adoção for uma decisão precipitada, são os animais que sofrem. Muitos acabam por ser devolvidos ao boulevard de Kockelscheuer, onde se situa o abrigo de animais, e têm de esperar muito tempo por novas famílias que sejam consideradas “adequadas”. E é esse o termo que suscita muitas críticas ao abrigo de animais, acusado de ser demasiado rigoroso na escolha dos donos. Liliane Ferron justifica: só querem proteger os animais e as próprias famílias, uma vez que nem todas estão preparadas para receber um animal.

A área destinada aos gatos no abrigo de animais em Gasperich não está tão apinhada como a dos cães. Foto: Anouk Antony/ arquivo LW
A área destinada aos gatos no abrigo de animais em Gasperich não está tão apinhada como a dos cães. Foto: Anouk Antony/ arquivo LW

Ainda assim, a responsável nota uma evolução positiva nos últimos anos: os animais têm sido abandonados com menos frequência. Isto deve-se à identificação eletrónica dos animais de estimação, que é uma exigência legal para os gatos desde dezembro de 2020 e para os cães desde 2009. Quando o chip é lido, é possível localizar o nome, a morada e o número de telefone do dono do animal.

Por Amélie Schroeder

Fonte: Contacto / mantida a grafia lusitana original

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