Macaco morre e outro fica ferido no Acesso Grasel, em Santa Cruz do Sul, RS

Macaco morre e outro fica ferido no Acesso Grasel, em Santa Cruz do Sul, RS
Foto: Divulgação

A Secretaria de Meio Ambiente de Santa Cruz do Sul resgatou na manhã desta terça-feira, 30, um macaco gravemente ferido no Acesso Grasel. Outro estava morto no mesmo local. Os dois animais, que seriam filhotes de macaco-prego, foram encontrados pela responsável pelo Abrigo São Francisco, Fátima Garcia. “O bichinho ainda vivo estava em cima da pista, então eu trouxe ele mais perto da beira do asfalto”, comentou, em entrevista à Rádio Gazeta.

A principal suspeita é de que eles tenham sido atropelados. A responsável pelo abrigo culpou a construção de casas nas proximidades e o desmatamento pelos frequentes atropelamentos na região. “Estão acabando com a nossa natureza e tirando o espaço dos nossos animais. Lamento tudo o que está acontecendo pelas nossas mãos.” No Acesso Grasel já existe um passador de fauna, instalado no local em maio de 2015.

Animal ficou ferido após atropelamento - Foto: Divulgação
Animal ficou ferido após atropelamento – Foto: Divulgação

Conforme a Secretaria de Meio Ambiente, o animal que não sobreviveu teve morte por traumatismo craniano. Já o macaquinho ferido foi encaminhado para atendimento veterinário no Canil Municipal. Na quinta-feira, 1º, ele deve ser transferido para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), em Porto Alegre.

Novo passador de fauna

Ainda nessa segunda-feira, 29, um novo passador de fauna foi instalado em Santa Cruz do Sul. A estrutura foi colocada na Rua Benno João Kist, nas proximidades da Sociedade de Tiro, Caça e Pesca, pela Secretaria de Meio Ambiente em parceria com o Corpo de Bombeiros. Por meio da instalação dos passadores em cinco pontos, as ocorrências com animais diminuíram consideravelmente, afirma o secretário Raul Fritsch.

Além dos primatas, a passarela suspensa vai beneficiar gambás e porcos-espinho, dentre outros animais, explica a coordenadora do projeto, Daniela Silveira. De acordo com ela, para a instalação alguns fatores são levados em conta, como a localização de fragmentos de fauna do Cinturão Verde, a demanda da população e estudos realizados pela própria secretaria desde 2013. “Depois de pronto, pela curiosidade, aos poucos eles vão descobrindo que tem algo novo ali”, explica.

Estrutura construída com cabos de aço e madeira tratada pode durar até duas décadas - Foto: Rodrigo Assmann
Estrutura construída com cabos de aço e madeira tratada pode durar até duas décadas – Foto: Rodrigo Assmann

Apesar de almejar a instalação de câmeras para monitoramento dos passadores, no momento as equipes contam com a contribuição da comunidade para o registro. Hoje, em Santa Cruz, há uma unidade no Acesso Grasel, duas na Avenida Melvin Jones e, a partir de agora, duas na Rua Benno João Kist. Futuramente, o projeto também irá contar com a participação do curso de Biologia da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), que deve realizar mapeamentos para novas instalações.

Conforme o secretário Raul Fritsch, os passadores de fauna promovem segurança e equilíbrio entre o crescimento de Santa Cruz e o meio ambiente. “Tudo aquilo que tem planejamento funciona.” Com custo estimado em menos de R$ 1 mil, o titular da pasta acredita que o investimento possibilita grandes resultados, com bom custo-benefício.

Conforme o coordenador técnico Eder Porto Ferreira, do Corpo de Bombeiros, entre planejamento e fixação o tempo necessário foi de 45 dias. Antes da montagem da estrutura, no entanto, a equipe realizou vistoria no local, com o acompanhamento de bióloga. Para dar forma ao novo passador, com 12 metros de comprimento, os soldados utilizaram cabos de aço e madeira tratada, cedidos pela Prefeitura. “É a segunda nesse estilo aqui no município. Sua durabilidade pode variar de 15 a 20 anos.” Em Santa Cruz, estima-se que dezenas de animais utilizem os passadores diariamente.

Por Heloísa Poll e Rafael Cunha

Fonte: GAZ

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