Mais da metade das capitais da Espanha vetam circos com animais

Mais da metade das capitais da Espanha vetam circos com animais
Um grupo de animalistas protestam na frente da Prefeitura de Madrid, no último dia 7 (Imagem: Carlos Rosillo – El País, Edição: Quality)

O circo com animais reduz a sua influência na Espanha de forma lenta, mas inexorável. Mais da metade das capitais estaduais proíbem este tipo de prática. A última cidade a acolher o veto foi Madri, que se somou às cidades como Córdoba, Pontevedra, Lleida, Málaga e muitas outras. O número subiu de 28 para 52. Entretanto, os municípios que vetam esse tipo de prática não superam 5%, de um total de 8.125 cidades.

Por mais que essa porcentagem pareça pequena, os números mostram uma tendência de crescimento, confirmada nos últimos dois anos. Sobretudo, desde que a Catalunha proibiu o uso de espécies selvagens nos circos – única região com tal regulação – em meados de 2015, a norma que incluiu uma moratória de dois anos abriu o caminho para que mais municípios de diferentes pontos do país se somassem a essa iniciativa. Como é o caso da Comunidade de Madri, onde 51 consistórios já restringem essa prática, incluindo a capital, que acaba de aprovar que se modifique a normativa municipal para defender os “direitos básicos dos animais”.

Há um ano, somente oito municípios contavam com uma legislação específica. “Estamos vivendo um crescimento espetacular nos últimos meses”, garante Marta Merchán, coordenadora da Associação Infocircos, organização que procura conscientizar a sociedade sobre o problema do uso de animais selvagens nos circos e que centrou seus esforços no ano passado em ampliar as populações que apoiaram limitar esse tipo de atuação. “Na Comunidade de Madri o crescimento é muito positivo, assim como na Galícia. Ambas as regiões superam mais de 50 municípios livres de animais”, aponta.

Municípios onde não se permitem animais nos circos

De acordo com a base de dados consultada, atualizada no dia 3 de fevereiro (Infocircos)

Imagem: Mapa por El País Expres

Nesta última região, a Infocircos vem trabalhando conjuntamente com a equipe do governo. “Em 2017, a Galícia passará a ser a segunda comunidade a acabar com esta prática quase certamente. O passo seguinte será Madri, que também tem um padrão regional”. Este é, na opinião de Merchán, o principal obstáculo. “Muitos municípios redigem propostas diferentes e de forma independente. Há casos onde se proíbem as espécies selvagens e, em outros, o uso de qualquer tipo de animal. A tarefa seria mais simples se tivesse uma única legislação para as 17 autonomias”, enfatiza.

De acordo com a Associação, na Espanha restam somente oito ou nove circos que usam animais selvagens em suas apresentações. “Nós, na medida do possível, oferecemos ajuda aos donos dessas espécies para realizar um ótimo traslado a santuários ou reservas naturais”. Merchán afirma que todos os custos são pagos pela associação e “dependendo da espécie, podem ser muito elevados”, afirma, apesar de não especificar a quantia.

Merchán compreende que esse processo é longo e que há que “dar tempo aos trabalhadores para que estes se adequem à nova situação”.

Essa legislação vem causando uma forte rejeição por parte da aliança dos circos, como é o caso da Associação Circos Unidos. Seu porta-voz, Nacho Pedrera, que também é gerente do Circo Quiros, argumenta que “os animais não sofrem dano e fazem parte da grande família do circo”.  A Associação representa dois mil funcionários na Comunidade de Madri.

País De qualquer animal De animais selvagens
Áustria Sim Sim
Bolívia Sim Sim
Bósnia-Herzegovina Sim
Bulgária Sim
Bélgica Sim
Costa Rica Sim
Croácia Sim
Dinamarca Sim
Eslováquia Sim
Eslovênia Sim
Estônia Sim
Finlândia Sim
Grécia Sim Sim
Holanda Sim
Hungria Sim
Índia Sim
Israel Sim
Malta Sim Sim
Noruega Sim
Paraguai Sim
Peru Sim
Polônia Sim
Portugal Sim
Reino Unido Sim
República Tcheca Sim
Singapura Sim
Suécia Sim
* (-) Sem legislação específica

EL PAÍS / Fuente: INFOCIRCOS

Na Europa, a maior parte dos circos tem algum tipo de legislação que limita ou proíbe a utilização de animais, sejam espécies selvagens, como na República Checa, Finlândia, Croácia ou Noruega, ou de qualquer tipo de animal, como na Áustria, Grécia e Malta. Fora do continente, nações como Índia, Peru e Costa Rica também vetaram essas práticas.

Por Daniel Muela / Tradução de Alice Wehrle Gomide

Fonte: El País

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