Mais de 100 pinguins são encontrados mortos em praia no litoral de SP

Mais de 100 pinguins são encontrados mortos em praia no litoral de SP

Mais de 100 pinguins mortos foram encontrados encalhados em praias de Ilha Comprida, no litoral de São Paulo, nas últimas 24 horas. De acordo com o Instituto de Pesquisas Cananeia (IPeC), em cerca de um mês foram mais de 470 animais mortos na região. Apesar de surpreender, biólogos afirmam que esse tipo de situação pode acontecer nessa época do ano.

Durante o inverno, os pinguins-de-magalhães (spheniscus magellanicus) que habitam as zonas costeiras da Argentina, Chile e Ilhas Malvinas, migram até ao Brasil ou até o Peru, onde os animais podem encontrar águas mais quentes e comida mais fácil, pois cardumes de peixes também migram por conta das baixas temperaturas. A quantidade de pinguins que viaja da região patagônica para mar aberto é enorme, e muitos desses animais não resistem ao percurso.

O fenômeno acontece anualmente e, de acordo com o IPeC, mais uma temporada foi iniciada. A maior parte dos pinguins encontrados nas praias são juvenis, o que significa que realizaram esta viagem pela primeira vez, chegando exaustos ao litoral.

Alguns desses animais se perdem do grupo, outros se afastam por curiosidade, se aventuram atrás de alimentos e não conseguem resistir ao caminho sozinhos. Biólogos afirmam que existe também a possibilidade de condições climáticas adversas desorientarem as aves durante a rota, além das chances de sofrerem interferência por atividades humanas, como a captura em redes de pesca e a ingestão de lixo despejado nos oceanos.

Pinguins são encontrados mortos em praia de Ilha Comprida (SP) — Foto: Divulgação/IPeC

“Para não causarmos nenhum transtorno na cadeia alimentar do nosso litoral, apenas os animais recém-mortos são retirados das praias e trazidos para avaliação no Centro de Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos do IPeC. Os demais animais são retirados da linha da maré e deixados nas restingas para que outros animais, como urubus e carcarás, possam se alimentar normalmente”, informou o IPeC em nota.

O IPeC, por meio do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), realiza o monitoramento das praias entre Cananéia e Iguape todas as manhãs, registrando os animais encontrados vivos ou mortos e levando-os para reabilitação ou para necropsia.

O Instituto orienta que as pessoas que encontrarem um animal marinho encalhado vivo ou morto nas praias da região, entre em contato por meio do telefone 0800 642 334.

Pinguins encalhados encontrados com vida são tratados no Centro de Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos do IPeC — Foto: Divulgação/IPeC

Há um ano

Em agosto de 2018, o G1 noticiou mais de 200 pinguins encontrados mortos nas praias de Ilha Comprida, Ilha do Cardoso e Iguape, apenas na primeira semana do mês. Na época, alterações climáticas, como ‘El Niño’ e ‘La Niña’, que podem aquecer ou esfriar as águas, pode também ter contribuído para a morte das aves.

Pinguins também foram encontrados mortos em Ilha Comprida, SP, em agosto de 2018 — Foto: Divulgação/IPeC

Projeto de Monitoramento de Praias

O monitoramento, a reabilitação e a necropsia de animais marinhos são algumas das atividades realizadas dentro do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), que é uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural no Polo Pré-Sal da Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama.

Esse projeto tem como objetivo avaliar os possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, através do monitoramento das praias e do atendimento veterinário aos animais vivos e necropsia dos encontrados mortos. O projeto é realizado desde Laguna/SC até Saquarema/RJ, sendo dividido em 15 trechos. O IPeC monitora o Trecho 7, compreendido entre Cananéia e Iguape.

Carro do IPeC faz o resgate de bichos vivos — Foto: Divulgação/IPeC

Por Andressa Barboza

Fonte: G1

Os comentários abaixo não expressam a opinião do Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.