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Mais de 200 cães abandonados ou vítimas de maus-tratos estão no Canil Municipal de Alegrete, RS

Todos sabem que cães abandonados, maus-tratos, entre tantos outros assuntos relacionados aos animais são recorrentes em Alegrete. A reportagem conversou com a médica veterinária responsável pelo Centro de Proteção, Aline Gasparotto, para saber qual a situação atual do Canil.


A reportagem foi provocada depois da imagem de uma cachorra que foi morta pelos próprios cães, que ficam separadas por baias. A médica veterinária enalteceu o trabalho que é realizado com o apoio da Ong OPAA e mais alguns voluntários, como a Xepa realizada por uma moradora do bairro Nilo Soares Gonçalves, que doa todo valor arrecadado com a venda de doações, em brechós, somente para auxiliar nas castrações.

Para a responsável pelo Centro de Proteção, o fato que aconteceu é lamentável, mas não é incomum. São diversos cães de vários portes, sem raça definida, que são muito bem tratados, alimentados, mas que podem ter um momento de fúria e atacar um outro cão, mesmo com todo zelo. Há pouco tempo foi criada uma área de lazer onde eles conseguem correr e se exercitarem.”Eles são colocados por grupos pela quantidade, mas neste espaço nunca houve brigas porque eles estão felizes, conseguem extravasar um pouco toda energia”- falou Aline.

Mas, o principal de tudo e mais importante, segundo a veterinária, é que as pessoas precisam ter conscientização que ter animais de estimação exige muito mais do que apenas deixar trancados no fundo de um pátio, atados em correntes ou soltos na rua, é preciso cuidados com a saúde e alimentação. O canil está com uma super lotação e não é a solução para todos os animais em situação de risco ou que estão abandonados. Durante a entrevista, situações como mutirões que são feitos para castrações e atendimentos clínicos foram citados. Entretanto, muitas pessoas têm a mentalidade que o Centro de Proteção é um depósito de animais e não é nada disso. Diariamente todos os 200 animais, que são castrados, são alimentados, duas vezes no dia, passam por atendimento na clínica, o local é higienizado e estão sempre monitorados.

Aline ressaltou que a castração é um benefício para os animais e proprietários. Ela citou exemplos de famílias que são de baixa renda e a situação é muito preocupante, muitas são atendidas pelas redes de proteção do município. “Quando chego em algumas casas, por denúncias ou porque somos chamados para algum atendimento, muitas vezes percebo que o cãozinho é apenas a ponta do iceberg. E quem mais sofre nesses casos são as crianças e os animais que não conseguem se defender. É necessário que as pessoas compreendam a importância da castração. Dizer que vai machucar, que a cachorrinha é de raça( na maioria não é), que tem que ser depois do primeiro cio, que é bonito ter filhotes, entre tantas outras explicações, não está resolvendo o problema da superpopulação de cães. – explicou.

Não é responsabilidade do município ou das ONGs cuidar de animais que tenham dono. “, destaca.

A equipe do Centro de Proteção Animal é composta pela veterinária, uma assessora responsável pelas adoções e outros cinco funcionários para auxiliar na manutenção, limpeza e cuidado com os animais.

O custo da alimentação e os funcionários são de responsabilidade da prefeitura e as medicações para tratamentos médicos são custeados em parte pela Prefeitura e parte pela ONG OPAA, que sempre é uma parceira incomparável.

A população de animais de rua é enorme e as solicitações mais recorrentes estão de recolhimento de animais e filhotes abandonados, assim como, atendimento de animais acidentados.

Aline lembra que no período da enchente passou pelos abrigos, realizou atendimento clínico nos animais, vermífugo, e fez um cadastro a todas as famílias de baixa renda que aceitaram fazer a castração dos seus cães. No total foram mais de 40 atendimentos. Uma tarefa difícil até que a população entenda que o cão não vai deixar de ser macho e a cachorrinha não vai ter câncer se castrar” – comentou.

Se as famílias tiverem condições de manter os animais em pátio fechado, com alimentação e condições para tratamento médico, esse é o primeiro passo para adoção, pois eles dependem única e exclusivamente de seus tutores.

O centro de proteção também disponibiliza cães para adoção responsável, já castrados e vermifugados, e com muito amor para dar e receber. O contato para adoções ou para denúncias e reclamações pode ser feito através do setor de Ouvidoria do município, pelo telefone 0800 644 1621 ou pelo telefone do Canil (55) 991490457.

Fonte: Alegrete Tudo

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