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Mais de mil animais silvestres foram resgatados em ação da FPI, em AL

Durante dois dias de trabalhos da Fiscalização Preventiva Integrada do Rio São Francisco (FPI) mais de mil animais silvestres foram resgatados de feiras livres dos município de Arapiraca e Girau do Ponciano e nas zonas rurais das cidades de Santana do Ipanema e Palmeira dos Índios.

Somente em Palmeira dos Índios, em uma só residência, foram apreendidos cerca de 400 pássaros, inclusive, alguns que já estão em extinção. O imóvel funcionava como um cativeiro de pássaros, porém, ninguém foi encontrado no momento da operação. A FPI já identificou o infrator e está em diligências na tentativa de localizá-lo.

De acordo com o professor, perito em fauna e médico veterinário Isaac Albuquerque, a maior parte desses animais foi encontrada amontoada em “viajantes”, espécie de pequenas caixas de madeira com capacidade para apenas um animal. Outros pássaros estavam em gaiolas e viveiros, que também guardavam mais aves do que a capacidade permitida.

Segundo o promotor de Justiça Alberto Fonseca, coordenador da FPI, tais flagrantes configuram infrações previstas nos artigos 29 e 32 da Lei de Crimes Ambientais: manter em cativeiro animal silvestre e maus tratos, respectivamente.

“Muitas vezes essas pessoas não sabem o mal que estão fazendo ao meio ambiente. No caso dos pássaros, eles têm funções essenciais à natureza, como a reprodução de suas espécies, o controle de pragas que muitas vezes tomam conta de plantações e a disseminação de sementes”, explicou ele.

Espécies resgatadas

Dentre os animais apreendidos estão Galo-de-Campina, Papa-Capim, Coleirinha, Curió, Caboclinho, Sanhaço, Azulão, Pássaro-Preto, Gavião Carijó, Sabiá, Canário-da-Terra e Tiziu.

E pássaros da lista vermelha de animais ameaçados de extinção também estão entre as espécies resgatadas: Pintassilgo, Papa-Caju, Daira-Sete-Cores e Sangue-de-Boi, todos originais da Mata Atlântica. A multa para quem for flagrado comercializando algumas dessas aves é de R$ 5 mil por animal. Já a sansão pecuniária para o flagrante de manter ou fazer comércio dos demais pássaros é de R$ 500, também por cada pássaro.

“Por mais encantador que seja o canto do Galo-de-Campina, ele sempre soa triste dentro de uma gaiola. Os animais silvestres têm de viver no seu habitat natural. Eles são diferentes dos animais domésticos, isso é fato. No entanto, vale ressaltar que a soltura sem controle representa um risco para as espécies. Por isso, tal como ocorreu nas etapas anteriores da FPI, tomamos uma série de cuidados prévios. Há a triagem, com identificação de problemas físicos e de comportamento, o tratamento para a reabilitação de cada animal e, só então, a reintrodução ao meio ambiente, caso avaliemos que ele está em condição de voltar para as matas”, detalhou Isaac Albuquerque, que conta com o apoio de três veterinários, dois biólogos e seis estudantes de Medicina Veterinária.

“Após o tratamento, os animais são levados para a soltura em áreas de preservação ambiental, respeitando as características de cada espécie. Aqueles que não puderem ser reintroduzidos à natureza vão ser destinados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama/IMA”, acrescentou Marcos Araújo, biólogo e coordenador da equipe fauna. A FPI também apreendeu dois lagartos (teiu).

Entrega voluntária

A FPI lembra que a Polícia Rodoviária Federal continua com os caminhões à disposição da população para a entrega voluntária de animais. “Quem fizer isso estará isento do pagamento de multas e das sanções penais e estará contribuindo para um meio ambiente mais equilibrado”, disse a promotora de Justiça Lavínia Fragoso.

Os postos de entrega voluntária estão espalhados pelas principais praças das cidades de Ouro Branco, Dois Riachos, Olivença, Carneiros, Senador Rui Palmeira, Poço das Trincheiras, Maravilha, Santana do Ipanema e Canapi. Quem contribuir com a FPI, ainda receberá um kit de educação ambiental composto por uma cartilha educativa, camiseta, boné e botton.

Fonte: Cada Minuto

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