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Mama Posseh, a cozinheira que cuida de chimpanzés bebés

Há anos foi contratada pelo Santuário de Chimpanzés de Tacugama, na Serra Leoa, para cozinhar, mas as crias de chimpanzé fizeram dela a sua preferida. Era para ela que corriam sempre a refugiar-se. Passou a ser a sua cuidadora.

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Posseh Kamara, ou Mama Posseh, como é conhecida no Santuário de Chimpanzés de Tacugama, na Serra Leoa, não é bióloga, não foi à universidade, nem é filiada em nenhuma organização ambiental. Posseh é cozinheira e foi para isso que a instituição, que acolhe crias de chimpanzé abandonadas, a contratou: para cozinhar. Mas depressa largou os tachos e as panelas, para se dedicar aos animais.

Pouco tempo depois de chegar a Tacugama, Posseh já era a preferida dos chimpanzés bebés. Era a ela que procuravam, era junto dela que se refugiavam. Até hoje, Mama Posseh já cuidou de mais de 50 crias de chimpanzés e é ela quem vela, no essencial, pelos cerca de 75 animais que nesta altura residem no santuário.

“Ela tornou-se a cuidadora dos chimpanzés mais pequenos e mais vulneráveis, e a sua própria experiência como mãe e avó acabou por ser muito importante para esse papel”, estima a diretora da instituição, Sofie Meilvang, citada na ABC News.

O dia da antiga cozinheira começa cedo: é a primeira a levantar-se em Tacugama. Antes mesmo de os animais despertarem – e eles acordam bem cedo -, já ela anda a pé a tratar da comida dos animais, a separar as porções, a mudar e a encher os recipientes de água, a limpar.

“Muita gente que a vê a trabalhar com os chimpanzés pequeninos acha que é um trabalho fantástico e cheio de glamour, mas poucos se dão conta da dureza física e emocional das suas tarefas”, nota Sofie Meilvang. “A Mama Posseh tem um trabalho difícil, no qual precisa de manter o equilíbrio para garantir que as necessidades das crias são asseguradas, mas ao mesmo tempo tem de evitar que se habituem demasiado às relações humanas, uma vez que eles precisam de estar preparados para se integrar no seu próprio grupo social”, lembra a diretora do santuário.

Mama Posseh pega nos bebés, dá-lhes colo e de comer, dá-lhes banho, vive atenta às necessidades dos mais pequenos, todos órfãos, que, se não fossem ali acolhidos, ficariam ao abandono e acabariam por morrer.

Instalado numa área 40,5 hectares dos 17,5 mil do Parque Nacional da Península Ocidental, a cerca de 150 quilómetros de Freetown, a capital da Serra Leoa, o Santuário de Tacugama foi criado há duas décadas para a proteção e conservação destes primatas que estão classificados como “Ameaçados” pela União Internacional para a Conservação da Natureza.

Na Serra Leoa, como nos restantes países vizinhos, é ilegal caçar chimpanzés, mas os caçadores furtivos não dão tréguas aos chimpanzés. Tacugama recolhe as crias que ficaram órfãs por causa disso e tenta reabilitá-las para as devolver à floresta. Mama Posseh tem sido fundamental nessa batalha.

Fonte: Diário de Notícias / mantida a grafia lustiana original

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