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Manaus: castrações e microchipagem de animais vão voltar em dezembro, diz Semsa

Com os serviços suspensos há mais de oito meses, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) deve retomar castração e microchipagem de animais no próximo mês, tanto na sede quanto nas unidades móveis. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), apesar da previsão de retomada das atividades iniciar em dezembro, ainda não há uma data exata definida para isso acontecer.

Os serviços foram suspensos após uma comissão de vereadores flagrar a existência de medicamentos fora da validade na sede do CCZ, na Compensa, durante uma fiscalização no dia 8 de março. Os medicamentos eram utilizados em procedimentos pré e pós-cirúrgicos.

A denúncia de irregularidades em unidades do CCZ foi feita aos vereadores por tutores de animais de estimação que identificaram complicações de saúde em pós-operatórios de castração e outros tratamentos que realizaram no local.

Em julho, reportagem do Portal A Crítica mostrou que a falta do serviço contribuiu para o descontrole populacional de cães e gatos na capital. Em oito meses, quase 10 mil animais deixaram de ser castrados, considerando que eram feitas, em média, 55 cirurgias por dia nas unidades do CCZ.

Ontem, a secretaria informou que existem debates no Conselho Municipal de Saúde nos quais foram aventados possíveis prazos para que esses procedimentos sejam retomados. A Semsa ressaltou que vem adotando todas as medidas necessárias para que os procedimentos cirúrgicos realizados nos locais sejam feitos de acordo com o que preconiza o Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-AM).

Quando os serviços forem reiniciados, a preferência de atendimento será para os procedimentos agendados anteriormente à suspensão dos serviços. Novos agendamentos deverão ser reabertos quando os primeiros estiverem concluídos.

Por conta do flagrante de irregularidades, os serviços de castração e microchipagem e os agendamentos pelo “disk-saúde” foram suspensos. Uma sindicância administrativa também foi instaurada pela Semsa. A investigação interna resultou na exoneração da então diretora do CCZ e de outros servidores. No entanto, a quantidade exata de servidores exonerados e seus nomes não foram divulgados.

Remédio vencido é um risco

A veterinária Mariana Oliveira, que acompanhou a fiscalização da comissão de vereadores na sede do CCZ, na Compensa. no dia 8 março, atestou que os procedimentos eram realizados com medicamentos vencidos. “A administração chegou a dizer para nós que o estoque que estávamos verificando já estava separado para descarte, no entanto, nós perguntamos sobre os medicamentos que eram usados. Quando vimos o estoque, a mesma situação: remédios vencidos em 2014, 2015 e 2016”, disse ela para a equipe de A CRÍTICA na ocasião.

Mariana Oliveira explicou ainda sobre os riscos de medicamentos utilizados de maneira incorreta, com a validade vencida. “O cloridrato de lidocaína é um anestésico que age por meio do bloqueio da condução do impulso nervoso. Caso um remédio desses esteja fora da validade pode comprometer de modo severo a saúde do bicho de estimação”, afirmou a especialista.

Por Priscila Rosas

Fonte: A Crítica

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