Manutenção em equipamento de atracação de barcos vai evitar acidentes com animais marinhos em Fernando de Noronha

Manutenção em equipamento de atracação de barcos vai evitar acidentes com animais marinhos em Fernando de Noronha
Raia foi encontrada morta, enroscada em um cabo — Foto: Projeto Tubarões e Raias/Reprodução

Para reduzir a possibilidade de incidentes com animais marinhos, foi realizada uma manutenção geral das quatro poitas (equipamento usado como ancora para segurar os barcos), em Fernando de Noronha. A ação foi executada pelas operadoras, em parceria com o Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio).

O serviço foi feito na área do Parque Nacional Marinho. As poitas estão localizadas nos pontos de mergulho chamados de Buraco de Inferno, Cagarras, Ressurreta e Ilha do Meio. Os equipamentos estão numa profundidade que varia entre seis e dez metros.

“Fizemos uma vistoria e correções nessas poitas. Eliminamos pontos vulneráveis. Não tem cabos sobrando e nem alças soltas”, disse o representante da Associação Noronhense de Mergulho Autônomo (Anema), Antônio Gomes Júnior.

Incidente

No dia 20 de maio os pesquisadores do Projeto Tubarões e Raias de Noronha divulgaram que uma raia-manta foi encontrada morta. O animal estava enroscado na corda de uma poita na região Buraco do Interno (Ilha Rata), ponto que faz parte do parque.

“Esse trabalho é para tentar minimizar o risco de incidentes como esse. É difícil evitar 100%, mas é um esforço para evitar que se repita”, declarou Antônio Júnior.

Poitas da área do parque passaram por manuteção — Foto: Giselle Vasconcelos/ICMBio Noronha
Poitas da área do parque passaram por manuteção — Foto: Giselle Vasconcelos/ICMBio Noronha

Sugestão

O coordenador do Projeto Tubarões e Raias, Fábio Borges, sugeriu outras ações para evitar novos incidentes com animais marinhos.

“A melhor solução com relação as poitas é que o cabo deve ficar esticado. Tem que ter uma quantidade adequada de cabo para que a boia faça pressão e o cabo fique o mais tensionado o possível”, indicou Fábio Borges.

O coordenador afirmou também que fez uma pesquisa com uma organização internacional de preservação de raia-mantas. A entidade indicou um modelo de poia apropriado para evitar incidentes.

“Esse modelo indicado de poita é tensionada e não tem pontas soltas, para evitar que as raias se acidentem. Seria uma espécie de cinta plástica grossa, longa, instalada no cabo a cada 30 centímetros de forma que seja possível ver o cabo de qualquer ângulo”, explicou Borges.

O Projeto Tubarões e Raias vai formalizar as sugestões ao ICMBio até o início da próxima semana.

Por Ana Clara Marinho

Fonte: G1