Mapa indica 44 pontos de ‘desova’ de animais em Ribeirão Preto, SP

Mapa indica 44 pontos de ‘desova’ de animais em Ribeirão Preto, SP

Morro do São Bento, área da USP, Cemitério da Saudade e casarão da Álvares Cabral são os que mais recebem animais

Por Mariana Lucera

SP ribeirao desova1

Em seis anos, o número de pontos de abandono de animais cresceu quatro vezes em Ribeirão Preto. Em 2008, esses locais eram 12. Hoje são 44 e o número cresce a cada dia.

A chefe do Centro de Controle de Zoonoses de Ribeirão Preto, Stefânia Dallas, explica que trabalha com denúncias diárias e envia equipes para capturar esses animais abandonados, principalmente gatos, e levá-los para castração. “Nós devolvemos esses animais castrados. Dessa forma, eles não vão se reproduzir e aumentar a superpopulação de animais de rua. Mas esse é um trabalho constante e muito difícil, por isso a necessidade de campanhas de castração e adesão da população, para evitar crias indesejadas, que resultam nos abandonos”, argumenta.

O Centro de Zoonoses de Ribeirão Preto castrou 600 animais no ano passado. Junto ao mutirão de castração, foram mais 2,5 mil castrações no segundo semestre.

De acordo com ela, os principais pontos de abandono continuam sendo o Morro do São Bento, seguido pela área da USP, Cemitério da Saudade e casarão da Álvares Cabral. “As protetoras de animais têm nos ajudado muito. Elas passam pelos locais e vamos até lá, mas hoje são muitos e só tenho uma equipe para trabalhar”, explica Stefânia.

Um censo feito durante o programa de castração domiciliar em Ribeirão contou cerca de 91 mil animais na cidade. Mas esse número não inclui os cães e gatos que vivem nas ruas.

Como é o serviço


Stefânia explica que dois funcionários em uma van vão até os pontos e montam gaiolões com iscas para gatos. Dessa forma, eles tentam capturar os felinos para levá-los para castração, mas o processo é demorado e nem sempre dá certo na primeira tentativa.

“O local pode ter 10 gatos e só três entram no gaiolão. Daí, é preciso que a equipe volte ao ponto em outro momento”, diz.

Depois do fim desse primeiro projeto, as castrações devem continuar com a ajuda de um ônibus, que foi doado pela Purina e servirá de clínica para realização dos procedimentos.

“Vamos ter que trabalhar com esgotamento de áreas. Isso significa pegar uma determinada área e ficar nela até que toda a população de cães e gatos seja castrada, antes de partir para a próxima. É um trabalho mais intenso do que foi feito nos mutirões deste ano”, explica Stefânia.

ONG gasta R$ 9 mil/mês com animais

A ONG Focinhos S/A tem sob seus cuidados mais de cem animais, entre cães e gatos, muitos em tratamento ou com doenças crônicas que impedem a adoção.

Despesas com ração, exames, consultas, castrações, medicamentos e procedimentos veterinários somam um gasto médio de R$ 9 mil mensais.

“Para suprir as necessidades, contamos com a compaixão das pessoas, que doam diversos produtos e quantias, bem como com trabalho voluntário”, diz Andrea Campaz Bombonato, presidente da instituição.

Ela explica que alguns animais encontravam-se em estado crítico nas ruas e corriam risco de morte. “Nesses casos, os retiramos das ruas e fazemos todo o tratamento necessário. Nem sempre sobrevivem, mas na maior parte das vezes eles se recuperam e tornam-se extremamente amáveis e alegres, como se demonstrassem gratidão”.

Para compensar os gastos com as feiras de adoções, a entidade passou a oferecer também o serviço de forma virtual. Uma fotógrafa voluntária se encarrega de fazer os ensaios com os animais e divulgá-los na página da instituição.

Outra forma são as feiras de adoção, realizadas uma vez ao mês. “Em uma feira de adoção, são levados, em média, 20 animais, dos quais apenas cinco costumam ser adotados. As pessoas procuram por fêmeas de pequeno porte. Os machos de médio porte são os menos procurados, que acabam ficando, por muito tempo, à espera de uma família”, argumentou.

Sônia leva comida e água aos gatos

SP ribeirao desova2

A analista de sistemas aposentada Sônia Savastano vai todos os dias pela manhã ao Morro de São Bento para levar comida e água aos gatos abandonados no local. Ela, que hoje tem nove gatos em casa – todos devidamente castrados -, acha que o abandono só pode diminuir com a fiscalização e a castração de animais que vivem na área.

“Já cheguei a contar 45 gatos só na parte de baixo do Morro. Quase todo dia tem gente que abandona gatos e até cães aqui. A diferença é que o cão não fica no mesmo lugar. O gato fica”, diz Sônia.

Segundo ela, no local são abandonados animais ainda com placenta, de olhinhos fechados e com o cordão umbilical. “É uma maldade o que as pessoas fazem. Eu venho e coloco comida e água porque tenho dó. Aqui não mora ninguém e, mesmo assim, as pessoas arrancam a água, viram as caixas. Existe muita resistência das pessoas quando se trata de doação, castração e proteção aos animais.”

Procedimento também previne doenças

O veterinário e responsável pelo mutirão de castração Ricardo Almeida Souza diz que, além da castração ajudar no controle populacional, também ajuda a prevenir doenças, como tumores de mama e de próstata. “Os cachorros também têm doenças venéreas, que são exatamente esses tumores. Além disso, é necessário trabalhar um programa educativo sobre a saúde dos animais na escola e a conscientização da castração”, explica Ricardo.

Segundo ele, um forte projeto educativo dessa forma já existe na cidade de Curitiba, onde o assunto faz parte do currículo das crianças, ensinando desde muito cedo a necessidade de se cuidar e preservar os animais.

Prefeitura prevê castrar mais 2.500 este ano

Quinzenalmente, o Centro de Controle de Zoonoses de Ribeirão Preto realiza a feira de adoção de animais que, eventualmente, são recolhidos com doenças. Os interessados também podem visitar a unidade durante a semana para adoção de algum.

A Prefeitura esclarece que 2.500 animais foram castrados em 2014, em diferentes regiões da cidade, e a previsão é que mais 2.500 o sejam em 2015.

Outras ações estão previstas para este ano, como as atividades do ônibus adaptado para a castração e vacinação, além da realização de eventos para a conscientização e orientação sobre o tema. Uma verba de R$ 500 mil foi destinada a essas ações.

Fonte: A Cidade

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.