Australia matar animais danos ambos

Matar animais causa danos em ambos os lados da faca

O sofrimento que o consumo de carne inflige nos animais é bem claro. O que você pode não perceber é o dano que isso causa à humanidade e ao planeta. É por isso que estou fazendo campanha para o Animal Justice Party, escreve o membro do partido, Geoff Russell.

Por Geoff Russell / Tradução de Alice Wehrle Gomide

O programa da ABC de 2011, A Bloody Business (Um Negócio Sangrento), inflamou uma explosão de compaixão na Austrália. Uma quantidade enorme de australianos reagiu com luto e revolta ao sofrimento do gado nos matadouros indonésios. Esses animais estavam sendo mortos com máquinas australianas aparentemente desenvolvidas engenhosamente para garantir o máximo sofrimento. Mas o item principal da filmagem não foi o sangue ou a barbárie, mas como os animais responderam; seu medo e pânico palpáveis.


Os espectadores tiveram o impulso óbvio na frente deles; que não é que todos somos animais, mas que os animais são como nós em todas as formas que importam. Eles não sentem somente dor, mas medo e terror. Eles tremem com esses sentimentos e ficam com as pernas bambas. Eles se encolhem e choramingam ou se revoltam contra o horror de suas mortes. Eles se prendem à vida com um desespero óbvio.

Com uma eleição no horizonte, seria interessante perguntar se Malcolm Turnbull e Bill Shorten assistiram ao programa? Ou se eles assistiram a qualquer uma das filmagens similares produzidas regularmente pelo Animals Australia e outros investigadores? Ambos os líderes e seus partidos continuam comprometidos às indústrias baseadas no sofrimento animal.

Eu tenho idade suficiente para ter visto um número de indústrias morrerem. Ninguém nem piscou quando eram os funcionários de bancos sendo demitidos, ou as lojas de discos ou os estabelecimentos que alugavam vídeos. Mas os trabalhadores da indústria da carne? De todos os empregos no planeta, porque qualquer político com um mínimo de compaixão iria querer preservar esses empregos em particular? É como querer preservar guerras. Guerras e lutas às vezes podem ser necessárias, mas matar animais por comida não é somente desnecessário, isto também causa efeitos funestos naqueles que fazem isso, e o produto final mata muitos antes de sua hora. É também um fator chave tanto na mudança climática como nos nossos crescentes custos de saúde.

Um estudo australiano de 2013 confirmou um elo entre os matadouros e a violência. Foi um estudo pequeno, mas consistente com um estudo muito maior feito nos EUA, que usou dados de 581 países e descobriu que matadouros estavam conectados com mais estupros e mais crimes violentos, assim como uma taxa maior de prisão.  Mas isto é porque trabalhar em matadouros torna as pessoas mais violentas ou porque aqueles que já são violentos tendem a gravitar para tais trabalhos? O estudo não foi somente grande, mas cuidadosamente designado para investigar precisamente esta questão. Ele concluiu que o trabalho que é o problema, e não as pessoas. Matar animais não é um trabalho que devíamos estar protegendo; o fedor da morte e o ato de matar danificam aqueles em ambos os lados da faca.

Muitos dos meus amigos que comem carne falaram sobre seu horror para mim após o documentário. Outros se recusaram a assistir por medo disso perturbar o desapego cuidadoso que eles derramam sobre suas refeições. Mas como podem os eventos em um país estrangeiro causar tamanho impacto? Eles podem e eles fizeram. Isto ocorreu, como disse, porque a filmagem não se focou naqueles perpetrando a crueldade, mas foi capaz de capturar os sentimentos dos animais. Pessoas que previamente não tinham pensado duas vezes, agora podiam entender o sofrimento em qualquer caminhão de porcos, galinha, ou gado. Eles podiam se identificar com qualquer animal se debatendo tentando evitar o gancho, a bala, a arma de choque ou a faca; quer se trate de galinhas penduradas na corrente de abate, o gado no esmagamento, ou o peixe pendurado em uma linha.

Muitas pessoas se tornaram, ainda que brevemente, aspirantes a veganos. Talvez eles evitem comer carne em uma refeição de tempos em tempos. Talvez eles comecem a experimentar a gama cada vez maior de produtos baseados em vegetais emulando a textura e a gordura da carne.

Mas essa onda de compaixão não foi direcionada politicamente. Nenhum dos partidos principais se importou. Eles ainda não se importam. Eles abraçam os horrores do caminhão de porcos e correntes de abate como se fossem crenças fundamentais. Qualquer compaixão é fortemente restringida dentro do pequeno círculo de uma única espécie.

Cerca de 12 meses antes do documentário A Bloody Business, a morte brutal de cangurus no Território da Capital Auatraliana e a apatia direcionada a isso por todos os partidos políticos australianos inspirou um pequeno grupo a se encontrar e formar um novo partido político, o Animal Justice Party (AJP – Partido da Justiça Animal). Os leitores dos meus detalhes bibliográficos saberão que eu sou um membro desse partido e estou em seu comitê nacional por um pouco mais de 12 meses. Durante os últimos cinco anos, sob a liderança do resgatista, cuidador e acadêmico de vida selvagem, Professor Steve Garlick, este pequeno partido se expandiu rapidamente. Em 2015 ele ganhou seu primeiro mandato no Parlamento Australiano quando Mark Pearson foi eleito para o NSW Upper House.

O AJP é para qualquer australiano que viu A Bloody Business e entendeu que animais são exatamente como nós em seu desespero para viver. O AJP é para qualquer australiano que entende que os matadouros não matam animais por necessidade. O AJP é também para qualquer australiano com um desejo desesperador de reverter nosso extermínio de vida selvagem, tanto diretamente como incorporando seu habitat.

É um partido somente para veganos? De forma alguma. Há mais de três décadas, a resposta mais comum que eu recebo das pessoas quando digo que sou vegano é: “Ah… eu não como muita carne”. Se é dessa forma que você responde, então o AJP é para você. Você pode ainda não agir conforme o discurso, mas você entende o motivo pelo qual você deveria e, eventualmente, você vai.

Mas o nome do meio do partido, Justiça, deve te alertar de que este partido é diferente do resto. Uma olhada superficial nas políticas do partido Australian Greens pode fazer com que você pense que eles e o AJP tem muito em comum. Mas uma olhada mais a fundo mostrará que as políticas do Greens são ecos superficiais da realidade.

Eu já escrevi sobre Richard Di Natale. Sua decisão de desfilar sua vida pessoal no programa da ABC Kitchen Cabinet nos permite entender porque a política do Greens sobre animais é uma balela.

A política do Greens sobre animais começa com dois princípios:

Os animais devem ser reconhecidos como seres sencientes que merecem nosso cuidado e respeito.

Os animais possuem valor intrínseco, separado das necessidades dos humanos, que possuem a responsabilidade de garantir que os direitos e o bem-estar dos animais sejam respeitados.

Como podem esses princípios ser consistentes com colocar um animal jovem e saudável dentro de um caminhão para ser abatido? Não existem necessidades inadiáveis que justifiquem isto. Isto não somente é desnecessário, mas as pessoas podem ter vidas muito mais saudáveis sem produtos de origem animal. A única forma de comer que seja compatível com esses princípios é ter uma dieta a base de vegetais. Mas o Greens não defende tal dieta.

Os princípios do Greens são somente fachada; os nossos são para valer.

Quando você considera as outras políticas do Greens, como aquelas sobre o clima e o meio-ambiente, você vê a mesma irracionalidade. O gado gera mais aquecimento climático do que todas as nossas estações que geram energia com carvão, mas apesar do Greens querer eliminar progressivamente o carvão, eles não querem a eliminação progressiva do gado e seu líder está envolvido na indústria como um criador de gado.

Mas o Greens não só convenientemente ignora o papel do gado na destruição climática, mas também na destruição dos corais. Há 30 anos o Great Barrier Reef (Grande Barreira de Corais) vem perdendo corais de forma progressiva, e a indústria de gado é a maior responsável pelos danos. Viaje através da costa norte de Queensland e você verá rio após rio após rio após rio; todos jogando altos níveis de sedimentos e fertilizante nos corais como um resultado do desmatamento e da fertilização do pasto. Uma das coisas que torna este problema tão intratável é o fato de ser um problema distribuído. Não é algo grande e óbvio como uma estação de carvão, mas uma massa de fazendas individuais de gado, todas contribuindo um pouco para o problema. Ninguém quer atacar esses caubóis, não o ALP, não os Liberais e certamente não o Greens. Aqui está o último plano de 7 pontos do Green para o coral. É como um Richard Di Natale cruzado com um esquete de comédia de Basil Fawlty; Seja o que for, não mencione o gado!

Em 1980, Don Chipp do Democratas Australianos, descreveu o objetivo de seu partido como “Manter os bastardos honestos”. O AJP quer fazer com que os bastardos se importem; se importem com o sofrimento, seja humano ou animal; se importem com a vida selvagem; se importem com o futuro do planeta. Nossos dois partidos principais estão moribundos perante os maiores problemas de nosso tempo e o Greens não é muito melhor. Todos eles se recusam a atacar a maior fonte de aquecimento da Austrália… a agricultura animal. É um negócio sangrento e há somente um partido que vê isso pelo que realmente é.

Fonte: New Matilda

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