Maus-tratos nas instalações de criação de patos no Reino Unido leva a instauração de inquérito

Maus-tratos nas instalações de criação de patos no Reino Unido leva a instauração de inquérito
Animal Justice Project está coletando assinaturas a fim de continuar a pressionar o CPS por ação judicial. Crédito: Adobe. Não utilize sem permissão.

A Animal Justice Project, uma instituição renomada de defesa dos animais, tem criticado o Crown Prosecution Service (CPS, equivalente ao Ministério Público) por causa da decisão de não processar o maior produtor de patos do Reino Unido. A mudança veio após uma investigação secreta de um matadouro nas instalações de criação de patos no ano passado, que revelou maus-tratos horríveis.

Cenas chocantes filmadas nas instalações de criação de patos

Câmeras secretas foram colocadas dentro das instalações da Gressingham Foods no ano passado. Anualmente, estima-se que mais de 14 milhões de aves são mortas.

O local abastece uma cadeia de supermercados, incluindo o Sainsbury’s, o Waitrose, o Tesco e o Morrisons. Além disso, a empresa é credenciada pelo órgão regulador Red Tractor Assurance.

A Animal Justice Project diz que as filmagens revelaram um “total desrespeito ao bem-estar dos patos.” Eles também alegam que a propriedade infringiu a lei.

Patos que considerados mortos eram jogados em uma rampa, outros, “descartados como lixo.” Além disso, os animais que deveriam ter sido atordoados foram “deixados para sofrer” pois estavam presos a ganchos e de cabeça para baixo.

A filmagem foi feita durante 12 horas na Gressingham Foods 

Regulamentos violados

Enquanto os regulamentos exigem que as aves fiquem presas nas máquinas de abate por no máximo dois minutos, a Animal Justice Project revela que muitas são deixadas nos ganchos de cabeça para baixo entre 12-14.

Isso supostamente viola os regulamentos da UE 1099/2099 projetados para proteger os animais no momento do abate.

O professor Andrew Knight, especialista em leis de bem-estar animal, considera os ganchos “desumanos”. Knight acrescenta: “[Suspensão] é uma posição não natural e exerce uma força considerável nos ossos e tecidos moles das patas e pés.

As aves prontas para o abate são pesadas, principalmente os patos. Isso pode resultar em fraturas e outros ferimentos, podendo ser extremamente estressantes.”

#JusticeForDucks

No entanto, após a investigação da Animal Justice Project, o CPS disse à organização que não iria abrir processo. Isso ocorre porque “não é de interesse público.”

Os ganchos também violam os regulamentos do Reino Unido sobre o bem-estar dos animais no momento do abate (WATOK). Ademais, a Gressingham Foods recebeu notificações graves de não conformidade com o bem-estar animal há três anos, pela Agência de Normas Alimentares do Reino Unido (FSA).

Como resultado, a agência planeja tomar medidas e irá apelar, afirma a Animal Justice.
Assim, a instituição de ajuda animal ingressou com uma petição em apoio à sua posição. Atualmente, mais de 50.000 pessoas assinaram antes da meta de 75.000.

A organização enfatiza que o sistema não protege os animais e mostra como uma grande corporação enfrenta “consequências mínimas.”

Em nota enviada ao site PBN, a Animal Justice Project acrescentou: “Devemos sempre exigir que sejam tomadas medidas, e mais de 50.000 membros concordaram conosco.
A Gressingham Foods deve ser processada. Pedimos com urgência por justiça para os patos da Gressingham”.

Você pode ler o relatório de investigação completo aqui.

E você pode assinar a petição do Animal Justice Project aqui.

Este artigo foi atualizado em 09/05/21 para incluir uma declaração da Animal Justice Project.

Por Emily Baker / Tradução de Alan Dalles

Fonte: Plant Based News


Nota do Olhar Animal: Os maus-tratos que ocorrem durante a vida dos patos e revelados nesta matéria são terríveis e inaceitáveis, mas são apenas AGRAVANTES em relação ao dano maior, naturalizado pela indústria “da morte” e aceito por muitas pessoas, que é o ABATE. O sofrimento imposto cotidianamente aos animais nas “linhas de produção” ou fruto de negligência não é menos repulsivo e imoral do que a violação do principal interesse dos animais, que é o interesse em viver. A produção não tem que dar melhores condições aos animais à espera da morte. Ela deve, sim, ser banida. O paladar dos humanos não é mais importante que a vida dos animais.

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