Medicamento pode oferecer uma vida normal aos cães com leishmaniose

Medicamento pode oferecer uma vida normal aos cães com leishmaniose
Os dois cães de Silvia têm a doença e estão fazendo o tratamento (Foto: Reprodução/ Inter TV)

“Com o tratamento, há uma melhora muito significante, eles são com filhos e continuam normais fazendo a alegria da casa”, disse a estudante Sílvia Campos Torres, tutora de dois animais com leishmaniose em Governador Valadares, MG. Os cãezinhos estão fazendo uso de um medicamento indicado para o tratamento da doença, autorizado no Brasil desde setembro de 2016.

Silvia encontrou os animais, que receberam os nomes de Vitória e Snown, na rua e pouco tempo depois descobriu que eles eram portadores da leishmaniose. “Eu levei no veterinário pra fazer todos os exames e após constatar a doença iniciamos o tratamento”, conta. A leishmaniose é considerada uma das seis doenças infecciosas mais importantes do mundo, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso da medicação no Brasil foi aprovado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e pelo Ministério da Saúde.

A doença, que geralmente termina com a morte dos animais, é causada pela picada do mosquito palha. Segundo o veterinário Vinícius Tolentino, ela pode não apresentar sintomas ou podem surgir apenas alguns sinais. “A leishmaniose é uma doença que ataca vários órgãos, mas o que a gente mais vê são feridas de pele, na ponta da orelha, na borda do nariz e na borda da boca”.

Vitória e Snown foram encontrados na rua (Foto: Arquivo pessoal)

As principais vítimas da doença são os cães e para os amantes dos animais como a Sílvia, o remédio importado pode ser uma alternativa, mas o custo ainda é alto. “Infelizmente o tratamento não tá acessível pra todo mundo. Primeiro começamos com comprimidos, depois pelas injeções, que são três doses de 20 em 20 dias. Em seguida, passa a ser de três em três meses. Ela deve ser aplicada por um veterinário. Fica bem caro, de início é mais de R$ 1 mil”, esclarece o veterinário.

Ele explica que a eficácia é superior a 94% e que o produto não cura, mas controla a doença. “Existem dois conceitos de cura, a cura clínica e a parasitológica. Quando a gente trata um cachorro com esse medicamento, a gente busca a cura clínica. A parasitológica é a que elimina por completo o parasita, e a clínica é aquela que cura, mas não elimina por completo o parasita, então ele fica sem sintomas e também não transmite a doença”, afirma.

Casos em Valadares

Na maior cidade do Leste de Minas, 2.054 cães foram diagnosticados com a doença em 2016; 2.227 tiveram que ser sacrificados. Neste ano, 66 cães já foram diagnosticados com leishmaniose e 201 foram mortos, segundo dados do município.

A veterinária do Centro de Controle de Zoonoses da cidade, Aimara Costa, conta que o uso da eutanásia nesses animais é uma orientação do Ministério da Saúde. “O controle da doença é feito evitando que o cão adquira a doença, você eliminando o inseto, você vai evitar que o animal adoeça”.

Fonte: G1

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.