Mercado vegano cresce e atrai o consumidor brasiliense

Mercado vegano cresce e atrai o consumidor brasiliense

Além da carne, vestuários, cosméticos, produtos de higiene e opções de entretenimento que explorem os animais são cortados da lista de consumo do público vegano

Por Karoline Diniz

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O veganismo cresce na Capital Federal e, com ele, uma oferta de serviços para os adeptos desse estilo de vida. Se você pensa que veganismo se restringe apenas à culinária, engana-se. Vestuário, cosmético, produtos de higiene e opções de entretenimento que explorem os animais são cortados da lista de consumo desse grupo.

Estilo

“O veganismo não é uma dieta, nem questão de saúde, é uma filosofia e um estilo de vida. Manter o respeito aos animais é uma escolha ética de consumo”, define Mariana Corbucci, dona do primeiro café vegano de Brasília. Ela conta que, na época em que abriu o café, em 2011, não existiam outras opções de restaurantes. Mas muita coisa mudou nos últimos três anos, e o número de pessoas adeptas ao veganismo cresceu bastante.

Cinara Arnt, proprietária do Vegan-se, na Asa Norte, conta que seu estabelecimento foi o primeiro delivery do gênero em Brasília. Ela vende refeições produzidas diariamente e opções de pratos congelados. No local, também é possível comprar lanches que vão do acarajé ao pão de queijo, e na parte de sobremesa é oferecido brigadeiro e cupcake.

Tudo elaborado com produtos que não contêm derivados de animais. As receitas são feitas e testadas pela chefe. “O produto é um pouco mais caro, pois exige pesquisa e experiência. É uma culinária feita em várias etapas. As receitas são feitas em dois ou três dias”, explica Cinara ao justificar o preço de cada refeição, R$18,00.

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A policial civil Rejane Pinheiro ressalta que os produtos naturais são mais caros sim, mas que o preparo é mais fácil. Mãe de duas veganas, ela elogia a atitude das filhas. “Sou vegetariana e minhas filhas são veganas. A saúde delas é maravilhosa, a pele e o cabelo são perfeitos”, complementa.

Supermercado

No mercado especializado, a sessão alimentícia vegana oferta produtos in natura, mas cresce também a demanda por produtos de beleza e higiene livres de testes em animais. Recentemente, um andar inteiro na maior loja de produtos naturais de Brasília foi ocupado pela sessão de cosméticos vegano. Segundo Davi Neves – sócio e proprietário da Bioon, a procura por esses produtos cresceu bastante. “O consumidor teve acesso à informação e já busca produtos veganos. Não existe uma justificativa para testar produtos cosméticos em animais, é uma cultura que precisa acabar”, explica.

Ele ressalta que, na área de cosméticos, os produtos vendidos são na sua maioria fabricados por pequenas empresas. Ele cita que o crescimento do mercado de produtos naturais cresce cerca de 36% ao ano, mas a loja dele tem crescido 100% ao ano. “Conseguimos imprimir um conceito forte, por isso estamos atingindo esse crescimento. Não vendemos produtos com sacarina, glutamato, sabores e aromas artificiais, por exemplo”, finaliza Davi Neves.

Conscientização

A fundadora e diretora da Proanima, Simone Gonçalves de Lima, que foi a primeira ONG no DF com um trabalho de conscientização em relação aos direitos dos animais, seja no circo, rodeio, pecuária ou tráfico de animais, acredita que a exploração do animal já faz parte da cultura da sociedade em geral. Por isso, a ONG também trabalha com campanhas de conscientização e acesso à informação. Veganize! é um programa dentro da página da Proanima que trabalha no sentido de promover informações em relação ao veganismo. Eles organizam reuniões e rodas de palestras para esclarecer sobre a filosofia e promover a sua implementação.

“Abraçamos as pessoas no momento da consciência em que elas estão. As pessoas cresceram com essa exploração do animal sendo parte da cultura”, ressalta Simone, que além de diretora da Proanima é professora da UnB.

O aumento do número de veganos é percebido por ela diariamente em sala de aula. “Antigamente, quando eu falava na sala de aula que era vegana, era uma coisa muito exótica, hoje nas turmas é comum achar alunos veganos e a cada semestre aumenta”, finaliza.

Fonte: Fato Online

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