Mergulhadores localizam primeira raia gigante da temporada na Laje de Santos

Mergulhadores localizam primeira raia gigante da temporada na Laje de Santos

As primeiras raias mantas (Manta birostris) da temporada 2014 chegaram ao Parque Estadual Marinho da Laje de Santos (PEMLS) – região reconhecida internacionalmente como o melhor ponto de estudo e observação da espécie em todo Atlântico Sul. Uma fêmea jovem foi localizada e identificada, neste domingo, por pesquisadores do Projeto Mantas do Brasil.

As primeiras raias mantas (Manta birostris) da temporada 2014 chegaram ao Parque Estadual Marinho da Laje de Santos (PEMLS) – região reconhecida internacionalmente como o melhor ponto de estudo e observação da espécie em todo Atlântico Sul. Uma fêmea jovem foi localizada e identificada, neste domingo, por pesquisadores do Projeto Mantas do Brasil. Na última semana, outros dois animais já tinham sido encontrados e catalogados na Ilha da Queimada Grande, a 53 quilômetros de distância.

A raia saudável, de aproximadamente 3,5 metros de envergadura, foi avistada na porção oeste do rochedo, a 15 metros de profundidade. O encontro com o biólogo do Projeto, Eric Comin, durou pouco mais de 1 minuto. “Um animal dócil, mas que não permitiu interação e logo sumiu na imensidão do mar. Conseguimos fazer o pleno registro das manchas no ventre, que funcionam como uma identificação. Isso possibilita catalogarmos o indivíduo no banco de dados mundial”, explicou.

As imagens subaquáticas de cada animal, que estão cadastradas no MantaMatcher (base global de informações da espécie, alimentado pelo arquivo brasileiro e que serve de fonte para pesquisadores de todo o mundo), permitirão que a fêmea encontrada seja comparada com outras, cujas manchas ventrais sejam semelhantes. Caso não exista um registro anterior identificando-a, ela será batizada pelo mergulhador que a flagrou. “Pela foto identificação, se alguém a vir em outro lugar, mesmo que seja em outro país, já saberemos de qual indivíduo se trata”, explica.

Além da foto identificação, outro recurso que poderia contribuir para o estudo da espécie seria a fixação do transmissor via satélite (conhecido como tag), que não foi disparado devido à rapidez do encontro e velocidade do animal. Pelo mesmo motivo, também não foi possível coletar amostras do muco que encobre o animal. Nele, há grande quantidade de material genético (DNA), o que possibilitaria a análise biológica da fêmea.

A primeira a coleta dessa substância em todo o Atlântico Sul ocorreu no último dia 21, na Ilha da Queimada Grande, distante 16 quilômetros da costa de Itanhaém, no Litoral Sul de São Paulo. O método é indolor, uma vez que os pesquisadores, que foram treinados em 2012 e em 2013 no Equador (principal ponto de estudo e observação da espécie no mundo), utilizam uma escova de dente de cabo comprido, adaptada para esse tipo de trabalho.

SP santos arraia gigante image

Risco de extinção

Completa-se em 2014 um ano da proibição da pesca predatória de raia manta no Brasil. Foram os integrantes do Instituto Laje Viva, realizador do Projeto Mantas do Brasil, que auxiliaram na intermediação de conversas com o Governo Federal, fornecendo informações técnicas que demonstram que a espécie, que pode atingir até 8 metros de comprimento e pesar 2 toneladas, está em risco de extinção. “A lei prevê sanções aos pescadores que trouxerem a bordo de suas embarcações o animal morto ainda que por acidente”, ressalta a coordenadora geral do Projeto, Ana Paula Balboni Coelho.

A missão do Projeto, que existe oficialmente há 5 anos, é justamente de auxiliar na preservação das espécies de raias mantas. Entre outras ações realizadas pelos pesquisadores, biólogos e voluntários está a de educação ambiental, que atingirá estudantes de toda a Baixada Santista, bem como a formação gratuita de mergulhadores, profissionais ou amadores, para a foto identificação (a partir de uma foto do ventre) durante eventual encontro subaquático com um animal da espécie por toda a costa brasileira.

Fonte: A Tribuna On-line

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.