México adota proibição de testes em animais após votação unânime no Senado

México adota proibição de testes em animais após votação unânime no Senado
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O Senado do México (e o Comitê de Saúde do Senado) aprovaram por unanimidade um projeto de lei que proíbe testes nos animais em todo o México.

Como a Humane Society International (HSI) explicou em um comunicado à imprensa, o projeto tornaria ilegal a realização de testes de cosméticos em animais no México. Também proibiria a fabricação, importação e comercialização de cosméticos testados em animais. Se esse projeto de lei tiver exceções semelhantes à Lei de cosméticos sem crueldade da Califórnia, provavelmente haverá uma exceção para os cosméticos vendidos onde os testes em animais forem necessários. A China é o único país onde os testes em animais são obrigatórios em todos os cosméticos importados de uso não especial e, geralmente, qualquer marca que queira vender na China não pode ser certificada como livre de crueldade.

Em seguida, o projeto seguirá para a Câmara dos Deputados (a câmara mais baixa do Congresso da União). Se o projeto de lei vier a tornar-se lei, o México será o primeiro país da América do Norte e o 40º país do planeta a proibir testes em animais.

“Parabenizamos os senadores Ricardo Monreal, Jesusa Rodríguez e Verónica Delgadillo por patrocinarem esse projeto e também o Comitê de Saúde e todos os senadores por apoiarem nossa campanha #BeCrueltyFree e votarem a favor”, disse Anton Aguilar, diretor executivo da Humane Society México, em uma afirmação. “Isso nos aproxima um passo do fim da crueldade animal desnecessária na indústria de cosméticos e demonstra a liderança do México nas Américas.”

A organização Cruelty Free International (CFI) também aplaudiu o Senado do México pela mudança. “Todo projeto de lei nos aproxima do fim global dessa prática cruel e desnecessária. Estimularíamos os EUA a seguir o exemplo e a aplicar a Lei de Cosméticos Humanos nos livros estatutários o mais rápido possível,” afirmou a chefe de Assuntos Públicos da CFI na América do Norte, Monica Engebretson.

Os animais usados em testes cosméticos incluem coelhos, camundongos, ratos, porquinhos-da-Índia e cães da raça Beagles. Mais de um milhão de animais são criados, usados em experiências e mortos todos os anos para a indústria, de acordo com a organização Animal Legal Defense Fund. Os testes realizados nesses animais são muito piores do que aquilo que os humanos passam na cadeira de maquiagem. Testes comuns incluem esfregar produtos químicos na pele raspada, derramar produtos químicos nos olhos, alimentar animais com um produto químico repetidas vezes para determinar a “dose letal” do produto químico, e os testes geralmente são realizados sem anestesia.

Felizmente, existem muitos métodos de testes cosméticos sem animais, que alguns especialistas acreditam serem ainda mais precisos que os testes com animais. Além disso, existem inúmeras marcas certificadas e livres de crueldade no mercado que não testam seus produtos ou ingredientes em animais ou contratam terceiros para assim fazê-lo.

E o mercado de cosméticos sem crueldade está crescendo, não apenas mais e mais marcas ficam livres de crueldade, mas cada vez mais consumidores priorizam rótulos sem crueldade ao comprarem maquiagem e outros produtos de cuidados pessoais. Em 2019, o HSI e a Te Protejo, uma organização sem fins lucrativos de proteção animal fizeram uma parceria para encomendar à empresa de pesquisa de mercado Parametría para perguntar às pessoas sobre preferências de compra sem crueldade. A empresa constatou que 78% dos 880 cidadãos mexicanos entrevistados “dão importância a garantir que seus cosméticos sejam livres de crueldade” ao fazerem compras.

Em novembro passado, a HSI e Te Protejo começaram uma petição no Change.org para proibir testes com animais em cosméticos no México. Apenas alguns meses depois, mais de 21.000 pessoas haviam assinado o projeto de lei, e ele já tramita pelo sistema legislativo do México. Tudo isso mostra como as vozes dos cidadãos podem ser poderosas na mudança do governo.

Por Sophie Hirsh / Tradução de Aline Alves de Amorim

Fonte: Green Matters

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