Militares espanhóis terão que responder contra maus-tratos de animais no Líbano

Os comandantes militares estão pouco acostumados a prestar contas à sociedade. Para eles é muito útil dispor de seu próprio código penal e uma jurisdição castrense cuja independência tem sido posta em dúvida repetidas vezes, dado que todos seus membros são militares, que seguem sob o comando de seus superiores e a mercê do regime disciplinar. Esta situação pode ser um dos motivos do nervosismo que tem se espalhado entre os comandantes da Brigada Paraquedista Almogáraves VI, separada do Líbano como parte de uma missão de paz da ONU que mantém no país.

Segundo foi constatado, a primeira resposta dos comandos da unidade frente ao caso de maus-tratos contra animais tem sido colocar todo seu empenho em saber quem divulgou os fatos. Para eles, afirmam fontes da Brigada Paraquedista, estão revisando os computadores da base em busca de algum rastro de envio de informação ou imagens, ameaçando, por sua vez, requisitar e investigar os celulares dos suspeitos.

Segundo denunciaram os próprios soldados da Brigada pelo controle interno e através da página de denúncias militares, Cidadãos de Uniforme, um capitão desta unidade acabou com a vida de uma gata e seus quatros filhotes prendendo-os em uma caixa de lixo colocada ao sol por estar descontente com a presença dos animais na base espanhola. O estado maior da defesa confirmou ao público a existência dos fatos e assegurou que os serviços jurídicos do exército estão investigando o caso.

Imagem dos corpos dos gatos mortos.
Imagem dos corpos dos gatos mortos.

Apesar de sua tentativa de amedrontar as testemunhas, o caso dificilmente poderá ficar oculto. Principalmente depois da intervenção de Zaida Cantera, deputada do PSOE e do Exército da Terra, que apresentou em outubro uma bateria de perguntas ao governo questionando a atuação do Ministério da Defesa no assunto.

O Ministério da Defesa considera que os maus-tratos contra os animais deve ser amparados como política de comportamento de membros das forças armadas? Pergunta Cantera ao departamento dirigido por Pedro Morenés, que deve responder por escrito no prazo de dois meses.

Quais são as medidas que o Ministério da Defesa irá adotar com respeito ao capitão e aqueles que permitiram estes supostos maus-tratos?

Cantera não é a única que supervisiona o caso. O partido animalista PACMA enviou uma carta ao Ministério cobrando sua atuação no caso e que se demonstre a veracidade dos fatos denunciados pelo membro da Brigada, adiantou Silvia Barquero, porta-voz do partido. “A sociedade espanhola está muito conscientizada da necessidade de erradicar a violência animal, e se isto ficar impune irá criar uma má imagem para o exército”, conclui.

O PACMA estuda, além disso, uma cruzada jurídica para este caso e não descarta empreender ações legais contra o capitão. O código penal castrense não reconhece maus-tratos contra animais como delito, mas isso não é impedimento para que os órgãos da justiça civil atuem contra um militar se receberem uma denúncia.

Por Carlos del Castillo / Tradução de Nelson Paim

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