Moçambique incinera pela primeira vez marfim e cornos de rinoceronte

Moçambique incinera pela primeira vez marfim e cornos de rinoceronte

MOCAMBIQUE 08106267

As autoridades moçambicanas, incineraram nesta segunda-feira (06), em Maputo, mais de duas toneladas de produtos faunísticos de várias espécies animais protegidas como 618 pontas de marfim, patas e caudas de elefantes, 86 cornos de rinoceronte, carapaças de tartarugas marinhas, chifres de búfalos, resultantes da caça furtiva.

As autoridades moçambicanas, incineraram nesta segunda-feira (06), em Maputo, mais de duas toneladas de produtos faunísticos de várias espécies animais protegidas como 618 pontas de marfim, patas e caudas de elefantes, 86 cornos de rinoceronte, carapaças de tartarugas marinhas, chifres de búfalos, resultantes da caça furtiva.

Parte considerável destes produtos, mais de uma tonelada, é fruto da maior apreensão na história de combate à caça furtiva em Moçambique, ocorrida em Maio do corrente ano na província de Maputo, sendo o remanescente saldo de algumas operações anteriores.

O Ministro da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, foi quem lançou a primeira chama para a destruição do material apreendido, de forma a inviabilizar as acções dos caçadores furtivos de origem nacional e estrangeira sem escrúpulos. Estes malfeitores não olham para os meios para satisfazer a sua ganância pelo dinheiro, mesmo sabendo que o elefante e o rinoceronte são animais protegidos em risco de extinção no país e mundo inteiro. Aliás, este material resulta do abate de mais de 300 elefantes e perto de 100 rinocerontes, animais que também têm larga responsabilidade para manter rica a biodiversidade, bem como para a promoção do turismo no país.

Falando à imprensa, Correia explicou que esta medida visa, fundamentalmente, desencorajar os malfeitores.

“Seguimos todos os procedimentos através da Procuradoria-Geral da República para confirmar com exactidão o número total de cornos. Com este acto pretendemos mostrar ao mundo que o nosso país repudia a caça furtiva e o abate ilegal de animais para extrair cornos e marfim. Basta ao crime da caça furtiva, este é o forte posicionamento do governo”, disse Correia.

Questionado sobre o desaparecimento, pouco depois da apreensão, de 12 cornos, uma operação que contou com o envolvimento de membros da Policia de Protecção de Recursos Naturais e Meio-ambiente e funcionários do seu pelouro, Correia afirmou que “não se pode confundir a corporação com indivíduos. O facto de um grupo estar envolvido no roubo, isso não diminui a apreciação positiva do bom trabalho da polícia para apreender este material”. Para o Ministro, este material não poderia ter outro destino para além da incineração, pois, “o governo não entra em negócios ilícitos”.

A representante das Nações Unidas em Moçambique, Jennifer Topping, que não conteve a sua satisfação, sublinhou que esta atitude serviu igualmente como renovação do posicionamento do país no combate ao crime contra o ambiente. “Para nós, como Nações Unidas, este acto é muito importante e faz parte de um conjunto de preceitos universais adoptados para desencorajar a caça furtiva. Este acto mostra ao mundo que Moçambique está a cumprir com tais preceitos. A preservação ambiental faz parte do desenvolvimento”, disse.

Aproveitou a oportunidade para saudar os países da região da África Austral que se uniram para combater o abate indiscriminado de elefantes e rinocerontes, bem como de outras espécies proibidas. “Os produtos ilícitos não têm nenhum valor económico legal, por isso devem ser desencorajados”, acrescentou.

O representante da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), Carlos Lopes Pereira, confirmou à imprensa a autenticidade do material em causa, afirmando as pontas de marfim e cornos de rinoceronte foram devidamente analisados.

“Na última acção apanhamos algumas réplicas que se pretendia que substituíssem as originais, mas isso não foi possível estas encontram-se sob averiguação policial, todos os troféus que aqui queimam, são 100 por cento reais”, vincou.

O Comandante da Policia de Protecção de Recursos Naturais e Meio-ambiente, Naftal Machava, assegurou que estão criadas as condições para guarnecer, até a conclusão do processo, a incineração de todo o material em causa.

“Os troféus que hoje são incinerados foram apreendidos durante um longo período. O processo de queima não é assim tão fácil mas a nossa corporação é composta por profissionais idóneos que estarão aqui durante estes dois dias para garantir segurança até que tudo esteja em cinzas”.

Apesar dos esforços do governo, Moçambique ainda é considerado, a nível de África, como um dos países que ainda tem um longo caminho por percorrer para travar a caca furtiva, sobretudo do elefante e rinoceronte.

Fonte: Verdade (Moçambique) / mantida a grafia original

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