Mocambique suspensao comercio derivados elefantes

Moçambique: País em risco de suspensão do comércio de derivados de elefantes

Por António Mavila

Moçambique corre o risco de ser suspenso do comércio de derivados de elefantes devido à alegada falta de clareza na gestão e disponibilidade de informação. O alerta vem dos Estados Unidos e da União Europeia e acontece numa altura em que Moçambique vê a população de elefantes reduzir de forma drástica.

Nos últimos cinco anos, Moçambique perdeu, devido à caça furtiva, quarenta e oito por cento da população de elefantes. Segundo o chefe do Departamento de Fiscalização na Administração Nacional de Áreas de Conservação, Carlos Pereira, neste período Moçambique perde seis elefantes por dia.

«No global, durante os últimos cinco anos, nós perdemos dois mil animais por ano, o que significa cerca de seis animais por dia. Da mesma forma, o caso tornou-se crítico na região», disse Carlos Pereira.

Carlos Pereira salienta que, se a situação prevalecer, um dia a população de elefantes poderá desaparecer do território nacional.
«O futuro é incerto, como todos nós sabemos, mas o cenário tem que mudar e caso não mude vamos ter, infelizmente, que assumir que esta espécie tende a entrar numa fase de declínio total», frisou.

Carlos Pereira falou de constrangimentos para controlar a caça furtiva e disse que nos últimos tempos os caçadores estão a usar novas técnicas para abater os animais com destaque para o envenenamento.

«Este fenómeno começa a estender-se à região sul, já é um problema no norte, nas Províncias de Cabo Delgado e Niassa, na Província central de Tete, e hoje já vemos este fenómeno estender-se para a Província de Gaza e provavelmente no futuro próximo no Parque Nacional de Limpopo ou no Kruger Park, onde já ocorreram e continuam a ocorrer estes casos de envenenamento destas espécies», disse, Carlos Pereira, que falava em Maputo no seminário sobre a Revisão da Estratégia e do Plano de Ação para a Conservação do Elefante em Moçambique, evento organizado pelo Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural.

A população de elefantes em Moçambique desceu de 20 mil para pouco mais de 10 mil nos últimos cinco anos, como consequência da caça furtiva, facto exacerbado devido à fraca eficácia das ações para refrear o problema.

Segundo o Censo Nacional do Elefante, realizado, em 2014, pelo Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural (MITADER), o país perdeu 9.700 paquidermes, o que equivale a 48 por cento.

Os dados mais recentes divulgados pelo pelouro indicam também que o Parque Nacional das Quirimbas possui atualmente menos de 600 animais. Devido à caça furtiva, 45 por cento dos elefantes foram abatidos.

Atualmente, o maior universo de elefantes no país encontra-se na província central de Tete, no Parque Nacional de Mágoè, bem como na província meridional de Gaza, no Parque Nacional do Limpopo (PNL). Contudo, em cada um destes lugares, pelo menos 20 por cento dos animais foram mortos.

Fonte: A Bola 

Nota do Olhar Animal: O problema para os EUA e países da União Européia é a gestão da matança de elefantes, não a matança em si. Não lhes importa que os elefantes sejam abatidos, apenas querem que isto seja feito de forma “sustentável”. Para eles, os indivíduos elefantes que se danem. 

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