‘Monstros’, diz tutor sobre suspeitos de espancar e matar pit bull a tiros em SP

‘Monstros’, diz tutor sobre suspeitos de espancar e matar pit bull a tiros em SP

Cão também foi atingido por pedradas e enterrado em terreno em Alumínio. Segundo vizinhos, animal era dócil e tinha bom convívio com crianças.

Por Tássia Lima

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O tutor do pit bull que foi espancado e morto no último domingo (19), em Alumínio (SP), está revoltado com o crime. Segundo Júlio César Ventura, o cachorro Conan, de dois anos, escapou da chácara onde estava e caminhava pelas ruas da zona rural quando foi agredido com pedradas e pauladas e, em seguida, morto com dois tiros. “Me avisaram que ele tinha fugido e eu fui correndo para pegá-lo, mas, infelizmente, ele encontrou esses monstros pelo caminho”, diz.

A empregada doméstica Cristiane Balazini é vizinha da chácara onde o animal estava e afirma que ele era conhecido por seu temperamento tranquilo. “Ele era muito dócil com crianças e com outros animais”, conta. O filho dela, Bernardo Balazini, de 8 anos, confirma. “Eu brincava bastante com ele e nunca fui mordido”, garante o menino.

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O cachorro passava uma temporada na chácara de um amigo de Júlio César, no bairro Colibri, já que o local onde ele costumava ficar – na casa da família –estava em reforma. Os tutores contam que, na manhã de domingo, não havia ninguém tomando conta do animal, mas que os portões estavam trancados. Ainda assim, o cachorro conseguiu escapar e ficou andando pelas ruas do bairro até que encontrou dois homens que faziam churrasco em frente a um mercado.

Espancado até a morte

Segundo testemunhas, atraído pelo cheiro, Conan ficou rodeando o local, o que teria incomodado os suspeitos, que passaram a soltar bombas para espantar o cachorro. Assustado, ele tentou se esconder no mercado, mas foi expulso e, como não ia embora, começou a ser agredido com pedradas e pauladas. Por fim, foi atingido por dois tiros, amarrado a uma árvore e espancado novamente até a morte. O responsável pelos disparos foi identificado como sargento da reserva da Polícia Militar.

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Quando os donos finalmente chegaram, a rua em frente ao mercado estava sendo lavada, mas as marcas de sangue continuavam no chão. Júlio César e a esposa, Pâmela Leocádio, perguntaram para vários moradores sobre o animal, mas todos negaram tê-lo visto.

O casal, então, acionou a polícia.”Quando a PM chegou, o dono do mercado confessou que ajudou a enterrar o Conan, mostrou o lugar, no meio do mato, e entregou os responsáveis pela morte. Nós fomos até eles e eles também confessaram tudo, mas disseram que fizeram isso porque o Conan havia atacado uma criança e um gato. Se foi isso, então, onde está essa criança ferida? Onde está o gato morto?”, questiona Pâmela.

A Polícia Civil, que investiga o caso, ouviu o homem identificado como sargento da reserva da PM. Ele afirmou aos policiais que os moradores estavam assustados porque o cão representava uma ameaça, agindo de forma agressiva, e que tentou parar o animal com pedradas e pauladas. Como não conseguiu contê-lo, atirou duas vezes com um revólver calibre 38.

Mas, para Pâmela, a morte do cachorro foi um ato covarde e cruel. “Eles não queriam apenas conter nosso cão, queriam acabar com a vida dele por puro preconceito à raça. Ele morreu sem defesa, porque, mesmo apanhando, não mordeu ninguém”,  afirma a estudante. Sobre a ideia que alguns têm de que todo pit bull é agressivo, ela é enfática: “Todo cachorro depende da criação. É o dono que faz o cão”.

“Ele era membro da família”, diz dono

Abalado com o crime, Júlio César não quis ir até o lugar onde o animal foi enterrado. “Eu peguei ele com 30 dias, filhote. Ele era um membro da família, era nosso filho. É chocate ver que as pessoas podem fazer uma coisa horrível dessas”, desabafa. A polícia ainda deve ouvir outras testemunhas, já que ainda não está claro se os dois suspeitos agiram em legítima defesa. Até o momento, ninguém foi preso.

Depois de registrar boletim de ocorrência contra os agressores, o casal ainda contatou uma associação protetora de animais. Uma das representantes, Giovana César Botti, diz que entende que alguns cães podem oferecer risco, mas que é preciso primeiro constatar o perigo para depois agir.

“Não é porque a gente ama os animais que eles podem sair mordendo, mas, se ele atacou alguém, que provem. Até onde nós sabemos, ele foi morto pelo simples fato de estar solto. Estamos indignados, principalmente pela crueldade. Quem faz isso com animais, faz com seres humanos”, acredita. A ONG informou que já acionou um advogado especializado em crimes contra animais e que pretende levar o caso ao Ministério Público.

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Fonte: G1

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