Moradores localizam boto ferido com arpão no AP e veterinários decidem monitorá-lo livre em rio

Moradores localizam boto ferido com arpão no AP e veterinários decidem monitorá-lo livre em rio
Boto-vermelho em foto do dia 16 de maio, em interação com visitante no distrito do Ariri, em Macapá — Foto: Lauane Monteiro/Arquivo Pessoal

O boto-vermelho visto no dia 23 de maio com um arpão no flanco, na região lateral, foi localizado uma semana depois pelos moradores da comunidade ribeirinha do Ariri, distrito de Macapá. De acordo com o Batalhão Ambiental (BA), especialistas avaliaram o ferimento e decidiram não capturá-lo. Ele será monitorado livre no rio.

VÍDEO: Moradores localizam boto ferido com arpão no AP e veterinários decidem monitorá-lo livre

Veterinários decidiram monitorar o boto-vermelho ferido livre em rio — Foto: Batalhão Ambiental/Divulgação
Veterinários decidiram monitorar o boto-vermelho ferido livre em rio — Foto: Batalhão Ambiental/Divulgação

O animal foi encontrado na segunda-feira (31), com apoio de profissionais que integram o Bioparque da Amazônia e o Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Instituto Mamirauá.

Apesar de não ser o único da espécie na região, o boto ferido é conhecido porque ele já tem o bico decepado. Esse ferimento foi em decorrência de uma interação negativa com o ser humano, há 2 anos.

Boto foi localizado por moradores do Ariri, Zona Rural de Macapá — Foto: Batalhão Ambiental/Divulgação
Boto foi localizado por moradores do Ariri, Zona Rural de Macapá — Foto: Batalhão Ambiental/Divulgação

Conforme a Polícia Militar (PM), os especialistas do Instituto Mamirauá avaliaram o ferimento e constataram que foi algo superficial e que já está em processo de cicatrização. Ele não foi capturado para evitar estresses e, assim, ajudar na recuperação mais rápida.

“Os médicos veterinários e a bióloga analisaram que a captura do animal poderia gerar estresse e baixar a imunidade. Então tem mais malefícios que benefícios. Pelas imagens foi visto que o ferimento já estava em processo de cicatrização e não comprometeu nenhum órgão. Como é um animal dócil, a comunidade vai ficar acompanhando e a gente também”, falou a sargento Elizabeth Trindade, do BA.

Buscas por dois dias

Equipe foi até a comunidade do Ariri para tentar resgatar o animal nos dias 24 e 25 de maio, mas ele não foi encontrado — Foto: Instituto Mamirauá/Divulgação
Equipe foi até a comunidade do Ariri para tentar resgatar o animal nos dias 24 e 25 de maio, mas ele não foi encontrado — Foto: Instituto Mamirauá/Divulgação

Os moradores avistaram o animal no dia 23 de maio e pediram ajuda do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que orientou a ida da polícia até a localidade com o objetivo de prestar socorro ao animal.

Expedições foram realizadas durante dois dias na região, mas o boto não foi encontrado para receber atendimento.

Buscas duraram dois dias no distrito do Ariri, Zona Rural de Macapá — Foto: Instituto Mamirauá/Divulgação
Buscas duraram dois dias no distrito do Ariri, Zona Rural de Macapá — Foto: Instituto Mamirauá/Divulgação

As expedições ocorreram com o apoio logístico de moradores da comunidade. Alguns ribeirinhos apontaram um local onde ele foi avistado pela última vez, um cerco foi realizado, mas nenhum dos botos observados possuía as características do boto procurado.

A missão de resgate foi encerrada e a equipe retornaria quando o boto voltasse a ser visto pela comunidade, o que aconteceu no último fim de semana.

Cuidados

Ariri, em Macapá, tem comunidade de botos — Foto: Instituto Mamirauá/Divulgação
Ariri, em Macapá, tem comunidade de botos — Foto: Instituto Mamirauá/Divulgação

O Mamirauá informou que, em 2020, o grupo de pesquisa já havia alertado sobre os riscos decorrentes da interação entre a população e os botos.

Conforme o instituto, alguns animais costumam apresentar comportamento que demonstra certa curiosidade em relação ao homem, principalmente em busca de alimento.

Desse modo, os botos ficam sujeitos a índole da pessoa com a qual interage, tanto para fazer o bem quanto o mal.

“Enquanto algumas pessoas gostam desta interação, outras abominam esta relação e acabam ocasionando danos aos indivíduos, a exemplo deste boto que foi arpoado na comunidade. É importante salientar que o molestamento de cetáceos, como os botos-vermelho, é crime ambiental e passível de multa”, destacou o Mamirauá.

O BA afirma que esse boto-vermelho, mesmo machucado e com parte do bico decepado, tem autonomia para se alimentar, sem precisar de intervenção humana.

Por Fabiana Figueiredo e Núbia Pacheco, G1 AP — Macapá

Fonte: G1

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