Morre o sexto animal vítima de ataque no Bosque em Rio Preto, SP

Morre o sexto animal vítima de ataque no Bosque em Rio Preto, SP
Ave chegou a passar por cirurgia, mas não resistiu à pneumonia, que causou insuficiência respiratória (Foto: Mara Sousa)

Morreu na madrugada desta quarta-feira, 25, o único urumutum existente no Zoológico de Rio Preto. Era o último sobrevivente do ataque aos animais do Bosque, quando um homem atingiu seis aves utilizando estilingue, bolas de gude e chumbo de pesca. Três delas – duas jacupembas e um aracuã – morreram no mesmo dia do ataque. Um faisão prateado e um urubu-rei morreram dias depois.

O animal tinha passado por cirurgia na última quarta-feira, 18, para remoção da cabeça do fêmur direito. O membro havia ficado menor que o esquerdo e a ave teria problemas de locomoção. Apesar disso, a expectativa dos veterinários era que após a recuperação ele voltasse para o Bosque. O urumutum teve uma parada cardíaca. Foi realizada a necrópsia.

“Constatamos uma pneumonia por decúbito, o que gerou insuficiência respiratória, quadro que é muito grave e letal em aves”, explicou o professor Halim Atique Netto, diretor do Hospital Veterinário da Unirp, onde o animal estava internado desde o dia seguinte ao ataque. A ave foi doada pelo Zoológico de Bauru e chegou a Rio Preto em julho de 2003.

Tinha aproximadamente 18 anos, pesava entre um quilo e meio e dois quilos e tinha aproximadamente 60 centímetros. Desde esta terça-feira, 24, o estado de saúde do urumutum vinha piorando e ele estava respirando com a ajuda de aparelhos. Apesar de não estar em risco de extinção no Brasil, é uma ave endêmica da região Amazônica.

Segundo o gestor ambiental e biólogo Samuel Villanova Vieira, do Bosque de Rio Preto, os urumutuns, quando em natureza, vivem em pequenos grupos de três a quadro indivíduos. “Buscam alimentos no chão (frutos). Fazem ninhos numa altura média de quatro metros, põem dois ovos brancos com período de incubação de 30 dias, exclusivamente feito pela fêmea”, disse.

O caso

O homem que atacou as aves, um desempregado de 52 anos, confessou o crime e foi indiciado por maus-tratos a animais e dano ao patrimônio público. Ele é ex-funcionário do Bosque e alegou que sofre de problemas psicológicos e que não tinha intenção de matar as aves. Renato Pupo, delegado responsável pelo caso, já ouviu o autor e outros três funcionários do Bosque. O prejuízo do município com a perda das aves, segundo um deles, chega a R$ 40 mil. Pelo crime de maus-tratos o homem está sujeito até a quatro anos de reclusão, mais três anos pelo dano ao patrimônio, além de multa. “Os trabalhos estão bem adiantados. Vou ficar dependendo da conclusão dos laudos”, afirmou o delegado.

Por Millena Grigoleti

Fonte: Diário da Região 

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