BRUNO SIMÕES CASTANHEIRA

Morte de touro com forcão motiva denúncia da Associação ANIMAL, em Portugal

Um touro morreu este sábado no Soito, concelho do Sabugal, no distrito da Guarda, durante uma capeia arraiana, uma técnica tauromáquica que consiste num grupo de pessoas que enfrentam um touro com um forcão em madeira, de vários metros, que funciona como uma espécie de escudo protector mas que possui paus afiados.

Um vídeo do momento, divulgado pela associação ANIMAL, que foi gravado por um espectador, mostra um touro a correr directamente contra a estrutura de madeira que possui pontas afiadas e a cair de imediato no chão da arena assim que embate no forcão. Na publicação do Facebook, a associação de protecção dos animais refere que já apresentou queixa à Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) sobre o sucedido.

“Pelo segundo ano consecutivo (que tenhamos imagens, porque, seguramente, este tipo de tragédia não se limitou a estes dois anos) morre um touro no Soito, Sabugal. Espantem-se, falamos de uma actividade registada como Património Cultural Imaterial no Inventário Nacional do Instituto dos Museus e da Conservação”, lê-se na publicação da associação.

Soito, Sabugal, 10 de Agosto de 2019

Pelo segundo ano consecutivo (que tenhamos imagens, porque, seguramente, este tipo de tragédia não se limitou a estes dois anos) morre um touro no Soito, Sabugal, numa Capeia Raiana. Espantem-se, falamos de uma actividade registada como Património Cultural Imaterial no Inventário Nacional do Instituto dos Museus e da Conservação.Estas imagens são deste ano (sábado passado). Informamos que a ANIMAL já se pôs em campo, passando todas as informações que tem à DGPC e não só. Repetimos: a tauromaquia não passa de um exercício de violência pura. Aficionados dirão "acidentes acontecem", nós dizemos "há acidentes que podem ser evitados se actividades macabras de barbarização de animais não existirem."A ANIMAL continua o seu trabalho de quase 25 anos contra a tauromaquia e continuará sempre a denunciar situações destas.

Gepostet von ANIMAL am Dienstag, 13. August 2019

De facto, este tipo de tradição do Sabugal é reconhecida como Património Cultura Imaterial de Interesse Municipal desde 2010, grau que lhe confere um regime de excepção. De acordo com a lei, “a realização de qualquer espectáculo com touros de morte é excepcionalmente autorizada no caso de tradições locais que se tenham mantido de forma ininterrupta, pelo menos, nos 50 anos anteriores à entrada em vigor do presente diploma, como expressão de cultura popular, nos dias em que o evento histórico se realize”.

Segundo se lê no site que divulga a existência deste tipo de eventos no concelho do Sabugal, é durante o mês de Agosto que se realizam a maior parte de espectáculos que envolvem este tipo de técnica tauromáquica, mês este que, refere a página, “é o tempo da mãe de todas as touradas – a capeia arraiana – espectáculo único que andou escondido esotericamente nas praças das nossas aldeias e que, agora, de há uns anos para cá parece ter perdido a vergonha e tudo faz para se dar a conhecer ao mundo”.

De acordo com a mesma página, a tradição raiana manda que as touradas com forcão, precedidas de encerro, se iniciem na freguesia Lageosa, no dia 6 de Agosto, e terminem em Aldeia Velha no dia 25 do mesmo mês. Para o resto do mês estão marcados mais espectáculos deste tipo em várias freguesias daquele concelho.

Na publicação que denuncia este tipo de actividade, a ANIMAL, que se define como uma organização não-governamental de defesa dos direitos fundamentais dos animais não-humanos fundada em 1994, afirma que “continua o seu trabalho de quase 25 anos contra a tauromaquia” e que continuará sempre a denunciar situações deste tipo.

“A tauromaquia não passa de um exercício de violência pura. Aficionados dirão [que] “acidentes acontecem”, nós dizemos [que] “há acidentes que podem ser evitados se actividades macabras de barbarização de animais não existirem”, refere ainda a associação.

Por Ana Neves

Fonte: Público / mantida a grafia lusitana original

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