Mortes de animais nas áreas urbanas crescem em Mato Grosso

Um macaco morreu eletrocutado, ontem pela manhã. O animal teria sofrido o acidente e danificado o transformador de um supermercado na rua Alzira Santana, no bairro Nova Várzea Grande, região Central da Cidade Industrial, deixando a loja fechada por mais de uma hora. A jornalista Eliana Bess se surpreendeu ao ver as portas fechadas e fez o flagrante. “Costumo comprar pão na loja e quando cheguei ainda estava fechada. Um funcionário explicou que estava sem energia, por causa de um curto-circuito provocado pelo macaquinho. Não é comum ver esse tipo de animal por ali”.

Esta é a terceira morte de animais silvestres registrada por populares só esta semana na região metropolitana. No domingo uma capivara foi encontrada morta na Rodovia Mário Andreazza, também em Várzea Grande, possivelmente atropelada. Na segunda-feira (31), a vítima foi um jacaré, encontrado morto próximo às obras do Parque das Águas, lagoa do Paiaguás, na região do Centro Político Administrativo. A suspeita também é de atropelamento.

Para a diretora do Zoológico da UFMT, médica veterinária Sandra Ramiro, esses casos são reflexo da ação do homem. “A nossa região urbana tem uma rica fauna, especialmente próximo a área verdes. Então, infelizmente com uma certa frequência observamos animais mortos por atropelamento ou acidentes na rede elétrica. Casos de invasões a residências também são comuns”, pontua. Segundo a médica veterinária, muitas vezes a “invasão” é praticada pelo homem. “A ação antrópica causa um grande impacto. Principalmente quando ocorre próximo a áreas verdes”, alerta. “Já vi casos que querem retirar animais de um espaço que é o habitat dele. O caso é de educação ambiental”, salienta.

Quando há riscos para o animal o caminho, de acordo com a veterinária, é buscar auxílio das autoridades. “A Sema e o Batalhão Ambiental da PM são os responsáveis pela captura do animal vivo e destinação, seja soltura no ambiente ou entrega a um fiel depositário”, informa.

O aspirante a oficial do Batalhão Ambiental da PM, Marcos Pulquério, informa que poucas chamadas para resgate de animais silvestres são feitas. “Recebemos mais denúncias de maus-tratos, cativeiro ilegal e até entrega voluntária. Quem verificar um animal em situação de risco pode acionar o batalhão pelo 190 ou 3684-1633. Somos capacitados para proceder a captura com segurança e providenciar o tratamento adequado em parceria com hospitais veterinários de universidades”.

O Centro de Triagem de Animais Silvestres do Batalhão Ambiental, semanalmente, resgata cerca de 40 animais.

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