Mortes de cães por envenenamento são investigadas em Pitangui, MG

Mortes de cães por envenenamento são investigadas em Pitangui, MG
Cadelinha Pipoca foi uma das vítimas de envenenamentos em Pitangui (Foto: Rafaela Valério / Arquivo pessoal)

A Polícia Civil em Pitangui investiga uma série de mortes de cães em diferentes regiões da cidade. Há duas semanas, vários donos de animais usaram uma página na internet para relatar casos de bichos saudáveis que morreram após sair das casas dos tutores.

Um grupo de voluntários que oferece proteção a animais abandonados recebeu várias denúncias. A delegacia local confirmou oito casos até esta sexta-feira (7). Em um deles, um exame feito em laboratório confirmou o óbito por envenenamento. Um suspeito já é investigado. Esses maus-tratos ocorrem um ano após a implantação de uma lei municipal criada após a repercussão do caso de um filhote que foi agredido a pauladas.

Uma das vítimas foi a cadela Pipoca, de cinco anos, que teve sintomas de envenenamento na segunda-feira (3) e morreu poucas horas depois. Ela pertencia à dentista Rafaela Fonseca Valério Borges, moradora do Bairro Novo Lavrado.

“Minha cachorrinha era adotada das ruas, mas saía de casa de vez em quando para ‘fazer as necessidades’, que ela não fazia dentro de casa. Ela ia na rua, passeava e voltava poucos minutos depois. Ela sempre foi dócil e nunca mordeu ninguém. Era castrada, vacinada e muito bem cuidada em casa”, relatou a tutora.

A também dentista Aline Aluana Alves é uma das integrantes do grupo Proteção Animais Pitangui (PAP), que mantém uma página em uma rede social com o objetivo de ajudar animais abandonados na cidade. “Temos recebido cada vez mais relatos de mortes de animais por envenenamento. Alguns no Novo Lavrado e outros nos bairros Penha, Chapadão e também na região central”, comentou.

Por meio das mídias sociais, Aline e outros integrantes da PAP tentam levantar informações que sejam úteis na investigação dos casos. Muitos desses dados já foram fornecidos à Polícia Civil.

Relato de envenenamento é feito em página de grupo que protege animais (Foto: Reprodução / Facebook)

A delegada Jeneffer Caldeira, responsável pela investigação, confirmou que outros dois casos iguais aos de Pipoca foram registrados no mesmo dia. “Nossos investigadores estão verificando cada um dos endereços onde os animas foram envenenados e buscando acesso a câmeras de circuito interno das residências, que possam nos indicar algo. Já temos a suspeita de que um mesmo indivíduo tenha sido o responsável pelo envenenamento de vários cães no Bairro Novo Lavrado. Em relação às outras regiões, os envolvimentos de outras pessoas também estão sendo apurados”.

Prefeitura coopera

A matança de cães com uso de veneno já foi comunicada ao setor de Controle de Endemias e Zoonoses da Prefeitura de Pitangui. O coordenador do núcleo, André Lopes Cançado, disse ao G1 que tem acompanhado os desdobramentos dos casos.

“Na rua da minha casa, no Novo Lavrado, houve várias mortes de cães. Tenho acompanhado tudo e pude constatar que alguns dos animais começaram a evacuar sangue e espumar pela boca. Sintomas de envenenamento. Em um dos casos, a tutora de um cachorro levou o animal ao veterinário, que fez um exame laboratorial que confirmou o envenenamento. Estamos tentando descobrir como o veneno foi fornecido. Se foi por meio de comida ou de água”, explicou.

Usuários de mídia social debateram sobre envenenamento de cães em Pitangui (Foto: Reprodução / Facebook)

Pitangui conta com um canil municipal. Mas o espaço é destinado apenas a animais que apresentarem sintomas de alguma contaminação transmissível, como a leishmaniose. “Em caso positivo, o animal é mantido no canil. Se um exame laboratorial confirma a doença, um veterinário faz a eutanásia”, acrescentou André.

Uma reunião entre representantes da Prefeitura, Polícia Civil, do Ministério Público e do PAP foi marcada para a próxima terça-feira (11).

Punição

De acordo com a delegada Jeneffer Caldeira, a pena prevista para o crime de maus-tratos contra animais vai de três meses a um ano de prisão. “Como foram vários casos diferentes, vamos tentar somar a pena correspondente a cada um dos animais mortos”, detalhou.

Há exatamente um ano o G1 informou a implantação, em Pitangui, da “Lei Pinduca”, que recebeu esse nome em homenagem ao filhote de cachorro que foi agredido a pauladas na cidade em fevereiro. Ele sobreviveu e está bem. Os 12 artigos da legislação, aprovados por unanimidade pelos vereadores na Câmara e sancionados pelo prefeito Marcílio Valadares (PSDB), repudiam abusos a bichos de qualquer espécie e impõem penalidades. As multas podem variar de R$ 750 a R$ 75 mil. Em caso de reincidência, o valor deverá ser triplicado.

Enquanto chora pela perda da cachorrinha com a qual dividiu muitos momentos em família, Rafaela Valério pede por justiça. “Tenho muita raiva de quem fez isso. Espero que receba uma punição pesada por cada um dos animais que matou. A Pipoca era uma das alegrias de casa. Era querida, tinha a casinha, alegrava a minha filha de dois anos e sempre recebia muito amor e carinho em troca. Não merecia o que fizeram com ela”, concluiu a tutora.

Um dos últimos registros feitos da cachorrinha Pipoca em Pitangui (Foto: Rafaela Valério / Arquivo pessoal)

Por Ricardo Welbert

Fonte: G1

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