MP investiga quadrilha que pinta cães para vender na internet

MP investiga quadrilha que pinta cães para vender na internet

Promotora Chistiane Monnerat diz que prisão de criminosos é ‘questão de tempo’.

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A promotora de justiça Christiane Monnerat, da Promotoria de Meio Ambiente e Defesa dos Animais do Ministério Público, abriu inquérito para apurar a suposta existência de uma quadrilha especializada em “falsificar” cães vira latas, pintando-os com Color Jet — indicado para madeiras e aço — para vendê-los como animais de raça pela internet, conforme O DIA publicou nesta sexta-feira com exclusividade. A prática configura-se crime ambiental, de acordo com a Lei Federal número 9.605 de 1998 (Lei de Crimes Ambientais) e pode render de três meses a um ano de prisão para os autores.

“Quem faz esse tipo de covardia tem que ser punido exemplarmente. Com certeza vamos identificar e prender os integrantes desse bando. Maus-tratos desse tipo são inadmissíveis”, afirmou Christine. No dia 25 de setembro, um morador da Zona

Norte passou por constrangimento ao dar de presente para a namorada um cão de quatro meses comprado por R$ 400 como se fosse yorkshire, mas que, no mesmo dia, um veterinário descobriu que se tratava de um vita-lata branco e marrom, que tinha sido pintado de preto e batizado de Thor.

De acordo com o veterinário Heitor Iglesias, que descobriu a farsa, casos como o de Thor têm se tornado comum. “Infelizmente esse tipo de ação criminosa tem se repetido com frequência”, lamentou Iglesias. A 33ª DP (Realengo), que apura o caso, não deu nenhuma informação sobre o andamento das investigações. O Instituo Estadual do Ambiente (INEA) colocou o telefone 2332-4604 para denúncia.

No dia 25, o engenheiro mecânico X., de 29 anos, que comprou o cachorro de um site de negócios, recebeu o bicho em casa, entregue por um motoqueiro, que não lhe forneceu nenhuma nota fiscal. No mesmo dia o cão, com os olhos vermelhos, começou a passar mal com diarreia e vômitos, intoxicado pela tinta. O animal também estava com o rabo quebrado e orelhas com talas para mantê-las em pé, imitando a raça yorkshire.

Fonte: O Dia 

Nota do Olhar Animal: Para os animais, o problema neste caso específico são os maus-tratos resultantes da aplicação desta tinta. Mas problema ainda maior é o próprio COMÉRCIO DE ANIMAIS, que viabiliza situações como esta e tantas outras que envolvem a atividade, e que causam terríveis danos a eles. Situações danosas como a seleção genética para a criação/preservação de “raças”, com consequências relatadas pelo biólogo Sérgio Greif no artigo Você faz questão de um cão de raça? Pense duas vezes… As preferências em torno de “raças” são, portanto, uma postura extremamente prejudicial para os bichos. E egoístas, na medida em que desconsidera os interesses dos animais. A criação comercial de animais causa problemas a eles, independente de serem de “fundo de quintal” ou não. A “coisificação” do animal, tratado como mercadoria, por si só já é danosa, e é refletida na tutela irresponsável, na exploração de matrizes e de tantas outras formas. O discurso de criadores, das pessoas que mercantilizam a vida dos animais, de que se deve separar o “joio do trigo” na criação comercial, é hipócrita e demagógico, pois para os animais todos os criadores são “joio”, no mínimo por perpetuarem a visão de que cães e gatos são “coisas” passíveis de serem compradas e vendidas. Grande parte dos maus-tratos são consequência desta visão, que reforça a ideia do animal como objeto, desprovido de interesses próprios.

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