MS-040 teve 97 antas atropeladas desde que teve asfalto inaugurado, aponta estudo

MS-040 teve 97 antas atropeladas desde que teve asfalto inaugurado, aponta estudo

Nos pouco mais de 220 quilômetros da MS-040, entre Campo Grande e Santa Rita do Pardo, foram 97 antas atropeladas entre janeiro de 2015, época da inauguração do asfalto da rodovia, e fevereiro de 2018. Número integra estudo da Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (Incab) divulgado nesta quarta-feira (28).

Vídeo: Aparecimento de antas nas rodovias de MS gera preocupação.

Segundo a especialista em antas Patrícia Medici, esses acidentes geralmente têm horário para acontecer. “É no amanhecer e no anoitecer. Não ajuda o fato de que é um animal acinzentado, então você está trafegando pela rodovia, no lusco-fusco, e um animal acinzentado, em cima do pavimento acinzentado, fica bastante difícil de ser visualizado.”

As pesquisadoras apresentaram o resultado do estudo em uma reunião no Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MP-MS) e entregaram um requerimento para representantes do governo estadual. O pedido é para a implantação de um plano elaborado por elas mesmas para melhorar a segurança de motoristas e preservar a fauna ao longo da MS-040. O MP-MS investiga o caso há quase dois anos e cobra uma solução do poder público.

“Verificar o que faltou efetivamente a ser implantado. Essa resposta oficial a gente ainda não tem. Por outro lado, preocupados já que o estudo foi bem avaliado inclusive pelo próprio Imasul, nós estamos preocupados e motivados que esse estudo seja parte de um projeto mais amplo para que possa regulamentar os novos licenciamentos ambientais de pavimentação de rodovias”, afirmou o promotor de Justiça Luiz Antônio de Almeida.

A proposta é estabelecer locais de travessia de animais embaixo da rodovia. As pesquisadoras mostraram que já existem alguns dispositivos como pontes e dutos para drenagem, mas é preciso cercar alguns trechos.

O mesmo estudo sobre atropelamento de animais na MS-040 foi feito em outras 31 rodovias. Nessas ocorrências, as vítimas não foram apenas os animais. Entre 2013 e 2017, 23 pessoas morreram e outras 46 ficaram feridas nesses acidentes. Os acidentes aconteceram tanto em rodovias estaduais quanto nas federais.

O professor Rogério Silvestre passou por esse tipo de experiência. Em 2013, ele ficou ferido em um acidente com a família. A filha dele, grávida, acabou morrendo. “Eu estou aqui exatamente para mostrar que são vidas humanas que estão se perdendo, não só as antas.”

O secretário estadual de Infraestrutura, Marcelo Miglioli, disse que vai analisar o requerimento e buscar recursos financeiros para fazer as alterações.

Por Rodrigo Grando 

Fonte: G1

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.