MT: Sema tem 23 animais silvestres disponíveis para adoção

Dos 60 animais silvestres abrigados no Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental (BPMPA), em Várzea Grande, 23 terminaram o tratamento veterinário e estão disponíveis para guarda provisória. 

Só neste ano, 54 já foram adotados – a maioria deles é vítima de atropelamento na beira da estrada durante a fuga de seu hábitat natural, ou proveniente do convívio ilegal na propriedade de alguém. 

De acordo com o gerente da Fauna da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), José Ronoaldo Ferreira, os animais do BPMPA vão para guarda quando não se recuperam durante o tratamento e são diagnosticados com alguma deficiência física ou estão dóceis demais, o que diminui a capacidade natural deles viverem sozinhos e por isso precisam do auxílio de alguém. “Esse bichos já não podem ser soltos na natureza.” 

Adoção

Estão disponíveis para adoção: três macacos pregos, três papagaios, três araras, três aves jandaias, oito gaviões-carijós, um gavião asa-de-telha e duas corujas-buraqueiras. Como alternativa de sobrevida para esses bichos, a Secretaria optou por colocá-los para adoção, conforme a Resolução n° 457/2013 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). A resolução prevê o depósito e a guarda provisório de animais silvestres apreendidos ou resgatados pelos órgãos ambientais e também aqueles oriundos de entrega espontânea. Segundo a veterinária da Sema, Danny Moraes, qualquer pessoa pode solicitar a guarda desses animais, desde que não esteja cumprindo pena de restrição de direitos relacionados a crimes ambientais. 

O comerciante Gilson Alberici, 50 anos, sempre teve carinho pelos animais. E quando uma colega comentou sobre o projeto de guarda provisória da Sema ele logo se apressou em realizar a sua. Há quase dois anos Gilson tem a guarda de dois macacos pregos, três araras e dois tucanos tocos. Para ele, essa foi uma das melhoras decisões que tomou, pois proporcionou mais liberdade e alegria para os bichos que hoje ficam numa propriedade chacareira em Cuiabá. 

Gilson lembra que ao realizar uma adoção a pessoa contribui para amenização do sofrimento dos animais que possuem algumas anomalias, a exemplo disso, ele destaca o caso de um de seus macacos que foi resgatado das mãos de traficantes. Nessa época, o bicho ainda era filhote e vivia amarrado, o que ocasionou um problema nas costas. E por isso ele não pode ser solto na natureza. “Minha família acha interessante meu gesto, eu gosto muito dos meus bichos. O macaco mesmo já me conhece e fica todo alegre em me ver.”

Como solicitar a guarda 

O gerente de Fauna da Sema orienta as pessoas que desejam ter animais silvestres optarem pela forma legalizada, já que tirar um animal do seu habitat natural é crime, além de propiciar riscos tanto à saúde e bem-estar do bicho e do homem. A Lei de Crimes Ambientais, criada em fevereiro de 1998, considera os animais, seus ninhos, abrigos e criadouros naturais, propriedade do Estado, considerando que a compra, a venda, a criação ou qualquer outro negócio envolvendo animais silvestres é crime inafiançável. Os animais citados na lista de extinção não podem ir pra guarda. 

Para solicitar a guarda de um animal basta ir até a Sema, em Cuiabá, e preencher um formulário da Coordenação de Fauna. A pessoa deve levar uma cópia autenticada dos documentos pessoais (RG e CPF) e do comprovante de endereço, além da declaração de renda. Após isso, técnicos da Secretaria fazem a análise do perfil e retomam o contato para as próximas orientações. Segundo a médica veterinária da secretaria, para cada animal solicitado, a construção ou adequação de um recinto é diferenciada. Essa informação será dada quando os técnicos foram avaliar o local a serem destinados os bichos. 

Após a guarda concedida, os responsáveis pelos animais ficam sujeitos a fiscalização conjunta dos órgãos ambientais. A guarda tem a durabilidade de dois anos, podendo ser renovada. De acordo com Danny, a maioria das pessoas que adotam tem afinidade com determinada espécie ou são sensíveis à causa. 

Fonte: CenárioMT 

Nota do Olhar Animal: Enquanto há um grande movimento para desincentivar o uso de animais silvestres como “pets”, órgãos públicos estimulam tal prática, dando-os em adoção, quando deveriam destiná-los a santuários. O incentivo resultará no desejo de que mais e mais pessoas tenham animais silvestres para si, incentivando o tráfico. Esta medida é um erro grotesco.  

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.