Mulher acusa veterinária de negligência e CCZ contesta denúncia, em Conselheiro Lafaiete, MG

A morte de um gato, após passar por um procedimento cirúrgico no Centro de Controle de Zoonoses causou revolta e motivou, até mesmo, uma denúncia apresentada à Ouvidoria Municipal. O caso ocorreu no dia 27 de fevereiro de 2018, quando um felino foi levado ao local. A intenção era esterilizar o animal, que havia sido adotado, há cerca de dois meses.

De acordo com a denunciante, a tutora do gato chegou ao CCZ na hora marcada e ainda precisou aguardar por horas, até que o gato desse entrada para realizar a cirurgia de esterilização. Ela notou que o procedimento estava demorando muito, quando saíram da sala as pessoas envolvidas na cirurgia. A tutora teria sido questionada “se a gatinha já havia parido filhotes, pois a veterinária havia realizado a incisão e não achava o útero para a esterilização”. Foi nesse momento, que percebeu-se que o animal se tratava de um gato macho e não de uma fêmea.

CCZ contesta denúncia

Em relação à denúncia, o CCZ emitiu uma nota de esclarecimento assinada pelo secretário de Saúde Alessandro Gláucio. O documento informa que foi agendada para o dia 26 de fevereiro a castração de uma “gata”, de nome Chiquinha. “A tutora chegou ao CCZ, preencheu a ficha de autorização de cirurgia e ficou aguardando ser chamada. Ao buscar o animal para a cirurgia, a proprietária informou à auxiliar que havia marcado a castração para evitar que a gatinha desse cria em sua casa. Informou ainda que a gata era bastante arisca e relatou a suspeita de que a gata pudesse já estar prenhe, porque estava muito ‘barriguda’.

Ao dar entrada no bloco cirúrgico, a gata foi sedada na própria caixa de transporte, procedimento comum para evitar a fuga de animais sabidamente agressivos; tendo sido realizada a tricotomia da área cirúrgica (raspagem dos pelos do local da incisão). A veterinária, ao perceber que o abdome do animal estava um pouco dilatado, tendo em vista a narrativa da proprietária, auscultou e apalpou a parede abdominal, não tendo percebido movimentos que indicassem que ela estivesse prenhe, realizou a incisão cirúrgica. De imediato, não localizou o útero do animal para realização da histerectomia; momento em que percebeu que se tratava de um animal macho já castrado. A incisão foi suturada e o animal ficou em observação aguardando o retorno da sedação.

Pós-operatório

Ao devolver o animal, os fatos ocorridos na cirurgia foram narrados. A tutora se mostrou surpresa, pois afirmava se tratar de uma gata. Ela foi instruída a realizar o mesmo procedimento de pós-operatório prescrito a todos os outros animais, tendo recebido a receita médico-veterinária contendo todas as informações necessárias.

Três dias após os fatos, a tutora procurou o CCZ novamente, dizendo que o animal não estava se alimentando e que parecia estar com dor. Questionada se a medicação estava sendo realizada conforme a prescrição, disse que não estava conseguindo administrar os remédios.

Imediatamente o felino foi levado a uma clínica veterinária e o laudo do exame foi conclusivo no sentido de não haver qualquer lesão oriunda da cirurgia, tendo diagnosticado uma infecção urinária aguda com grave comprometimento das vias urinárias.

Mesmo após a ciência de que os sintomas apresentados pelo animal não eram decorrentes da “cirurgia”, todo o apoio necessário foi prestado. O animal foi internado para que fosse realizado um procedimento de desobstrução das vias urinárias, tendo ficado aos cuidados da clínica com autorização para realizar qualquer intervenção que fosse necessária. Entretanto, horas depois, houve a informação de que o animal veio a óbito.

Diante dos fatos narrados, não se pode negar que houve um equívoco na realização do procedimento. Equívoco este induzido pela própria proprietária ao narrar as condições do animal. Todavia o procedimento realizado não teve qualquer relação com o óbito do animal, que foi provocado por uma infecção urinária aguda que já comprometia as vias urinárias. Tão pouco, houve omissão por parte do CCZ, que prestou todo o suporte necessário assim que tomou conhecimento dos fatos.

Ressalta-se que ao agendar castração no CCZ todos os tutores são alertados para os procedimentos pré e pós-cirúrgico. Os tutores são ainda orientados a procurar atendimento veterinário ao menor sinal de apatia ou inapetência do animal.

O óbito do felino é lamentável, mas não pode ser atribuído à equipe do Centro de Zoonoses, pois a enfermidade que acometia o animal e que provocou sua morte não decorreu de ação do setor e nem de omissão do mesmo em prestar o devido acompanhamento”, encerra a nota de esclarecimento.

Fonte: Jornal Correio da Cidade

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