Mundo perdeu 60% dos animais selvagens em 40 anos, alerta estudo

Mundo perdeu 60% dos animais selvagens em 40 anos, alerta estudo
Macaco selvagem senta-se sobre uma rocha em Gibraltar. (Matt Cardy / Stringer/Getty Images)

A biodiversidade planetária está ameaçada. Populações globais de animais selvagens diminuíram em média 60% em pouco mais de 40 anos, de acordo com o relatório “Planeta Vivo 2018”, da organização não governamental WWF (World Wildlife Fund).

O relatório, divulgado hoje, apresenta uma imagem preocupante dos impactos humanos prejudiciais na vida selvagem, florestas, oceanos, rios e clima. Ao mesmo tempo, chama atenção para a curta janela de tempo para ação e a necessidade urgente de adoção em larga escala de novas abordagens para a valorização, proteção e restauração da natureza.

O estudo reitera a ameaça já sublinhada no recente relatório do Painel Internacional sobre Mudança Climática (IPCC): estamos no meio de uma crise planetária causada por atividades humanas e estamos fazendo pouco para mudar a rota.

O que está causando a perda global de espécies?

A degradação ambiental e perda de habitat devido à agropecuária e à superexploração de espécies continuam sendo as maiores ameaças à biodiversidade e ecossistemas terrestres e marinhos em todo o mundo. Segundo o estudo, apenas um quarto das terras do Planeta estão livres dos impactos das atividades humanas e esse número deverá cair para apenas um décimo até 2050.

Essas ameaças são particularmente evidentes nos trópicos, resultando em uma perda mais significativa da vida selvagem nessas áreas, principalmente nas Américas Central e do Sul, onde a redução chega a 89% desde 1970. No caso do Brasil, ainda somos a maior fronteira de desmatamento do mundo — perdemos 1,4 milhão de hectares de vegetação natural por ano.

Nos últimos 50 anos, 20% da vegetação da Amazônia já desapareceu. Especialistas indicam que se o desmatamento total alcançar 25%, esse bioma chegará ao “ponto de não retorno”, podendo entrar em colapso.

O relatório aponta também a região do Cerrado como uma das maiores frentes de desmatamento no mundo. Além das perdas para a biodiversidade, o desmatamento no bioma põe em risco a segurança hídrica do país, uma vez que as águas que nascem no Cerrado alimentam seis das oito grandes bacias hidrográficas brasileiras e alguns dos maiores reservatórios de água subterrânea do mundo.

Outra ameaça crescente é a mudança climática, que afeta ecossistemas e espécies, e que pode dobrar a curva da perda de biodiversidade até o final do século. A mudança de uso do solo, principalmente o desmatamento, é o maior fator de emissão de gases de efeito estufa do Brasil, contribuindo assim para o aquecimento global. Entre 1990 e 2013, a mudança de uso do solo foi responsável por 62,1% do total de emissões do país, segundo o Sistema de Estimativa de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG).

Por Vanessa Barbosa

Fonte: Exame

Nota do Olhar Animal: E o futuro presidente Bolsonaro acaba de anunciar que vai colaborar muito para acelerar a morte dos animais, fundindo o Ministério do Meio Ambiente com o da Agricultura, e livrando o agronegócio do que chamam de “entraves”. A medida já fazia parte dos seus planos. Nos últimos dias, diante da reação negativa dos eleitores, ele disse que reavaliaria a decisão. Passada a votação, ele reafirmou que vai fundir os ministérios. Mentiu para obter votos. O aumento do desmatamento e da caça serão consequências certas. Por outro lado, enquanto os animais forem vistos como “biodiversidade”, como engrenagem ambiental, o holocausto continuará. Quando houver o entendimento e sensibilidade para o fato de terem interesses próprios e serem sencientes, quem sabe o destino deles mude.

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